2014
O som estridente do despertador foi substituído pela vibração insistente do celular na cabeceira. Abri os olhos a contragosto, a claridade de um novo dia invadindo o quarto. Olhei para a tela e o nome de Bruno brilhava ali. Atendi rapidamente, com a voz ainda rouca de sono.
- Bom dia, amor! Acorda, está na hora de levantar - a voz dele veio alta, animada demais para o meu gosto quentinho de manhã. - Já estou almoçando aqui. O que você vai fazer hoje?
- Bom dia... Eu tenho aquela prova para ver se consigo a vaga na empresa da minha mãe - respondi, sentando-me na cama e esfregando os olhos. - Vou me levantar agora para não perder o horário.
- Me manda o endereço por mensagem. Vou te encontrar lá.
- Não precisa, Bruno - cortei, tentando ser prática. - Eu vou sozinha, até porque você não vai poder entrar no prédio comigo de qualquer forma.
- Não tem problema, eu te espero do lado de fora. Acho perigoso você andar sozinha por aí.
Um suspiro pesado escapou dos meus lábios. No fundo, eu achava fofo aquele excesso de zelo, confundindo controle com proteção.
- Tá bom, eu te mando. Agora deixa eu correr que eu estou superatrasada. Até mais tarde.
Desliguei, voei para o banheiro, fiz minha higiene matinal e tomei um banho rápido. Escolhi uma produção simples, mas alinhada: uma calça jeans justa, uma regata azul-bic e meu tênis de guerra. Juntei meus documentos, a pasta com as canetas e saí correndo.
Porém, ao dobrar a esquina e me aproximar do ponto de ônibus, meu coração deu um solavanco. Bruno estava ali, escorado na estrutura de metal, me esperando. Fiquei completamente sem reação.
- Pensei que você fosse ficar em casa... - comentei, parando diante dele.
- Já disse que não vou deixar você andar sozinha - ele respondeu, me dando um selinho rápido e segurando minha mão com firmeza.
Pegamos o ônibus lotado e descemos na estação da linha verde do metrô, seguindo a pé até o prédio comercial indicado para o exame. Bruno parou na calçada, cruzando os braços para começar o seu plantão de espera.
Quando cruzei a porta giratória de vidro do edifício, um rapaz que entrava ao mesmo tempo chamou a minha atenção. Ele era alto, devia ter facilmente 1,85m, fios loiros ligeiramente bagunçados e olhos verdes intensos que contrastavam com as bochechas coradas, como se estivesse com calor. Vestia uma bermuda salmão, uma camiseta cinza básica e carregava uma mochila de costas pendurada de lado, em apenas um ombro. Ele pegou o mesmo elevador que eu; também ia fazer a prova. Confesso, achei ele lindo, um colírio para os olhos no meio daquela manhã tensa.
A prova foi exaustiva. Passei algumas horas concentrada nas questões e, ao entregar a folha, saí do local com aquela sensação dúbia de dever cumprido, sabendo que agora tudo dependia da lista de aprovação. Desci as escadas rolantes em direção à saída e, de longe, avistei o Bruno.
Ele estava encostado em uma pilastra, com o celular colado ao ouvido, exibindo um sorriso largo, superanimado - um semblante que ele raramente demonstrava quando falava comigo ultimamente. No instante em que seus olhos cruzaram com os meus, o sorriso dele murchou. Ele balbuciou um "tchau" apressado e desligou o aparelho antes que eu pisasse na calçada.
- E aí? Vamos embora? - perguntei, ajeitando a alça da bolsa.
- Vamos - ele guardou o celular no bolso da calça com uma rapidez suspeita.
- Estava falando com quem de forma tão animada? - indaguei, caminhando ao lado dele.
- Meu irmão - ele respondeu, seco, sem desviar os olhos do caminho.
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Intuição
Fiksi Penggemar(+18) (Plágio é Crime) (Não permitido adaptações) Lara uma jovem que acreditou na sua intuição e teve a maior reviravolta da sua vida, tudo tem um porque quando se acredita em destino, sua vida depois de conhecer idols e tudo que era calmo se torna...
