Saio do hospital sentindo o peso do mundo escorregar pelos meus ombros, substituído por uma felicidade silenciosa que floresce, tímida, no fundo do meu peito. O medo não sumiu por completo - ele ainda sussurra no fundo da minha mente -, mas agora é diferente. Há algo infinitamente mais forte do que o temor: a certeza absoluta de que uma nova vida, um pedaço do futuro, está crescendo dentro de mim.
Olho ao redor, tentando me reconectar com a realidade, e vejo Lua e Akira me esperando perto do carro. O sorriso de Lua é um abraço morno, daqueles que acolhem sem precisar de palavras. Já Akira me observa com os braços cruzados, um olhar atento e analítico, como se estivesse decodificando cada microexpressão do meu rosto e decorando minhas reações. Caminho até eles com passos mais firmes do que imaginei que conseguiria dar. Antes do restaurante, fazemos uma parada estratégica na farmácia para comprar as primeiras vitaminas. Passamos tantas horas naquela atmosfera esterilizada de hospital que o meu estômago finalmente clama por comida. Agora, mais do que nunca, meu corpo não pertence apenas a mim; preciso me cuidar.
O dia passa em um borrão rápido, quase como se o tempo estivesse conspirando a meu favor, preenchendo as horas para que a minha mente não orbitasse em torno dos mesmos nós de sempre. Depois de deixarmos Lua em sua casa, eu e Akira seguimos para o meu apartamento. Assim que a porta se fecha atrás de nós, desabo no sofá, sentindo o cansaço acumulado finalmente cobrar o seu preço, pesando em meus músculos.
Do outro lado da sala, Akira caminha de um lado para o outro, o celular colado ao ouvido. Sua expressão é séria, as sobrancelhas levemente franzidas, mas sua voz se mantém rigidamente controlada. Espero em um silêncio tenso até vê-lo afastar o aparelho e respirar fundo. Me aproximo devagar, quebrando o espaço entre nós.
- Está tudo bem? - pergunto, a voz um pouco mais baixa do que o normal.
Ele guarda o celular no bolso e me encara por um longo instante antes de responder, medindo as palavras.
- Sim. Era o Bang. Ele queria saber como estão as coisas por aqui, como você está se sentindo. - Akira hesita por uma fração de segundo, os olhos fixos nos meus. - Ah... e ele me contou que a mãe do Tae se acalmou um pouco. Principalmente depois de ter a confirmação de que você está bem longe do filho dela.
Um arrepio gélido e cortante percorre minha espinha, roubando o calor do meu peito por um momento. Forço um riso sem humor, desviando o olhar.
- Ela vai surtar quando descobrir que vai ser avó.
Ao ouvir isso, Akira descruza os braços e dá um passo à frente, sua postura suavizando, mas mantendo a firmeza de quem tem um dever a cumprir.
- Senhorita Lara, você não deveria estar caindo nesses pensamentos agora. Seu foco precisa ser outro. - Ele me olha com uma sinceridade genuína, despida da formalidade fria de um segurança. - Pelo tempo que eu estiver aqui, eu vou cuidar de você. De verdade. Só preciso que confie em mim... Ninguém vai saber da sua gravidez até que você se sinta pronta e segura para contar. Ninguém.
Suspiro profundamente, sentindo o nó na garganta afrouxar um pouco. Ele tem razão, mas o peso do que está por vir ainda é uma sombra constante.
- Akira... eu já tenho o dia e a data exata para contar - revelo, olhando-o nos olhos. - Sei que o seu trabalho é reportar tudo e manter a empresa informada, mas eu imploro... me deixe ter o controle desse momento. Por favor.
O silêncio se estende pela sala enquanto ele estuda meu rosto, procurando qualquer sinal de fraqueza. Por fim, ele cede, assentindo com a cabeça.
- Tudo bem, senhorita Lara. Você tem a minha palavra.
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Intuição
Fan-Fiction(+18) (Plágio é Crime) (Não permitido adaptações) Lara uma jovem que acreditou na sua intuição e teve a maior reviravolta da sua vida, tudo tem um porque quando se acredita em destino, sua vida depois de conhecer idols e tudo que era calmo se torna...
