Bom humor

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Abri os olhos devagar, a mente ainda envolta pelo torpor do sono e pelas lembranças intensas da noite anterior. Virei-me para o lado na cama imensa e encontrei Eun-woo mergulhado em um sono tranquilo. Fiquei um instante apenas observando suas feições relaxadas antes de me levantar. Caminhei até o banheiro, fiz minha higiene matinal e prendi o cabelo em um coque firme e prático. De volta ao quarto, parei aos pés da cama e o chamei com a voz mansa, deslizando a mão de leve pelo seu tornozelo por cima do lençol:

- Príncipe... acorda. Temos um dia bem corrido pela frente.

Ele murmurou algo incompreensível, puxando o lençol um pouco mais para si enquanto lutava contra o sono. Aos poucos, suas pálpebras se ergueram e, assim que nossos olhares se cruzaram, um sorriso genuíno e devastador iluminou seu rosto. Eun-woo se sentou, impulsionou o corpo para fora da cama e caminhou até mim. Ele depositou um beijo carinhoso na minha testa e seguiu para o banheiro.

Após alguns minutos, ele retornou ao quarto. Já estava impecavelmente arrumado, exalando aquele magnetismo natural. Fiquei em silêncio, apenas observando a postura dele.

Eun-woo caminhou em minha direção com passos calmos. Ele segurou minhas duas mãos, puxando-me delicadamente para mais perto, e colou nossos lábios. Havia um peso melancólico naquele toque; no fundo, ambos sabíamos que momentos como aquele, com aquela liberdade, dificilmente se repetiriam. O beijo se desenvolveu de forma lenta, profunda, como se estivéssemos tentando desacelerar o tempo para gravar cada segundo na memória. Nos separamos aos poucos, as testas ainda coladas.

- Bom dia, princesa. Espero que tenha dormido bem - ele disse, com a voz ainda levemente rouca.

- Dormi sim. Melhor impossível - respondi, deixando um sorriso sincero escapar.

Estávamos prestes a cruzar a porta do quarto quando o som de vozes ecoou pelo corredor do andar. Paramos imediatamente, trocando um olhar cúmplice e tenso. Esperamos alguns segundos em silêncio absoluto e, assim que o burburinho sumiu, saímos rapidamente em direção aos elevadores.

Já dentro do cubículo metálico, Cha Eun-woo pegou o celular e discou diretamente para o seu segurança pessoal:

- Oi. Estou saindo do hotel agora. Preciso que verifiquem a área externa... Não estou sozinho.

A voz do outro lado da linha respondeu prontamente através do alto-falante discreto:

- A saída de vocês está totalmente liberada, senhor. Uma equipe de uma celebridade internacional está se instalando no saguão agora, então toda a atenção da mídia e dos curiosos está voltada para eles. Podem sair normalmente.

- Ok. Muito obrigado.

Deixamos o hotel sem chamar atenção. No trajeto, notei de relance o carro do Sr. José encostando nos arredores, mas segui direto para o veículo de Eun-woo. Para minha surpresa, ele me estendeu as chaves. Dessa vez, assumi o banco do motorista enquanto ele se acomodava confortavelmente no carona.

Liguei o motor, conectei o som e deixei a melodia envolvente de "Versace on the Floor" preencher o espaço. Antes de engatar a marcha, estendi minha mão direita e a descansei sobre a coxa dele, iniciando o caminho pelas ruas de Paris.

- Seria muito errado da minha parte querer que você ficasse mais tempo comigo, Lara? - ele perguntou, quebrando o silêncio enquanto olhava a paisagem pela janela.

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