Não da mais

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A cena na entrada da casa de praia se desenrolava em um silêncio carregado, quase sufocante, interrompido apenas pelo estrondo rítmico do mar ao fundo. Taehyung me olhava fixamente. Seus olhos, antes tão expressivos, estavam vermelhos e inchados pelo choro recente. Suas mãos tremiam contra as minhas, segurando-as com uma força desesperada, como se eu fosse sua única âncora em meio a um naufrágio.

- Me perdoa, Lara! - a voz dele saiu baixa, rouca, rasgando o silêncio e terminando em um soluço que ele tentou, inutilmente, engolir.

Meu coração disparou, um ritmo descompassado e doloroso que martelava contra minhas costelas. O impacto daquela vulnerabilidade quebrou todas as minhas barreiras. Sem pensar, dei um passo à frente e o enlacei com força, enterrando o rosto em seu peito, inspirando o perfume familiar que eu tanto sentia falta. Ali, no portal daquela casa, o mundo ao redor simplesmente desmoronou. Não existiam terceiros, segredos ou mágoas; éramos apenas nós dois, compartilhando uma dor crua e silenciosa.

Aos poucos, ele recuou milímetros, mantendo as mãos firmes em meus ombros. Seus olhos ainda transbordavam. Movida por uma ternura involuntária que me assustou, levei as mãos ao seu rosto esculpido, limpando as lágrimas frias que insistiam em correr por suas bochechas. A lógica gritava na minha mente que o correto seria mandá-lo embora, mas o meu coração sabia que eu era incapaz de abandoná-lo naquele estado.

- Diz alguma coisa, Lara... por favor - ele implorou, o lábio inferior tremendo.

- Espera aqui - respondi, engolindo em seco para não perder a pouca compostura que me restava.

Girei nos calcanhares e entrei na casa. O ambiente lá dentro era o completo oposto: a mesa de almoço posta, os meninos conversando. Sob o olhar confuso de todos, peguei meu celular e a chave do carro em cima do balcão.

- O que foi, Lara? - Namjoon perguntou, a testa franzida em preocupação, interrompendo o que dizia.

- Já venho. Preciso resolver algo urgente. Prometo que não vou demorar - avisei, sustentando a voz, mas desviando deliberadamente os olhos de Jungkook. Eu sentia o olhar dele queimando em mim.

- Mas pequena, você nem almoçou ainda - Jin ponderou, meio levantado da cadeira, mas eu já estava empurrando a porta de vidro.

Antes de fechar, parei e fitei a silhueta tensa de Jeon.

- Jungkook, você vai ter que me explicar muita coisa quando eu voltar! - soltei, a irritação vibrando em cada palavra, antes de bater a porta.

Taehyung continuava exatamente onde eu o havia deixado, como uma estátua de dor. Destravei o carro pelo controle e entrei; sem dizer uma única palavra, ele deu a volta e ocupou o banco do carona.

O trajeto até a Praia de Paúba foi sufocante. O silêncio dentro do veículo era denso, quase palpável. A certa altura, quando reduzi a marcha, ele estendeu a mão trêmula e tentou cobrir a minha no câmbio. Uma corrente elétrica me cortou, mas eu recuei a mão delicadamente, recolhendo-a para o volante. Eu ainda não conseguia aceitar aquele conforto; a ferida era recente demais.

Ao estacionarmos, caminhamos lado a lado até um ponto completamente isolado da areia, longe dos poucos banhistas. O vento marinho batia forte, bagunçando seus fios escuros.

- Por que você voltou? - perguntei, cruzando os braços, lutando para manter a voz firme enquanto o interior da minha mente era uma tempestade de categoria cinco.

Ele silenciou, os olhos cravados na areia úmida, a cabeça baixa. A vontade de gritar, de exigir respostas lógicas, de desabar em lágrimas... tudo lutava pelo controle dentro de mim.

- Taehyung, olha para mim. Por que você voltou?

- Porque... - ele puxou o ar, uma expiração trêmula e dolorida - não é o que você está pensando, Lara. Nunca foi.

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