O que faz aqui ?

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Voltei para a mesa com o corpo ainda latejando pelas marcas de Taehyung. O alívio de ver que alguns membros tinham ido embora foi rapidamente substituído por uma estranheza ao ver Tae sentado, rindo e bebendo como se nada tivesse acontecido minutos antes.

Jimin levantou-se e veio até mim, com um olhar compreensivo.

- Pelo sorriso no rosto dele, imagino que vocês tenham se acertado?

- Ainda não, Jimin - respondi, baixo. - Temos muita coisa para conversar de verdade. Eu fui sincera com você e sabe que tem muita coisa em jogo agora.

- Tudo bem. Se eu fosse você, pediria para o seu amigo Eun Woo ir embora. Ele precisa voltar para o hotel.

- Vou fazer isso. Tenho pendências graves para resolver com o seu melhor amigo e já aviso: não vai ser fácil. Então, por favor, mantenha o celular por perto caso eu precise de reforço.

Jimin assentiu, desconfiado:

- Pensei que ele fosse para o seu hotel.

- Acho mais seguro ir para o de vocês. Se o caos se instalar, pelo menos tenho vocês por perto.

- Confio em você, Lara. Faça o que for melhor para os dois.

Antes que eu pudesse responder, caminhei até Eun Woo. Tae, sentado na mesa, me seguia com os olhos, um predador observando sua presa. Lembrei-me subitamente de que estava sem calcinha - um detalhe que fez meu coração errar uma batida e me obrigou a deixar os saltos de lado para evitar qualquer deslize perigoso.

- Vamos, Eun Woo. Seu motorista já chegou.

- Você não vai voltar comigo, princesa?

- Hoje preciso resolver algumas coisas com os meninos, como prometi.

Vi o sorriso de vitória brotar nos lábios de Taehyung. Eun Woo não insistiu, embora o desapontamento fosse visível. Ele tentou um beijo, mas desviei o rosto, permitindo apenas um toque na bochecha antes de ele se retirar.

Voltei para a mesa e me sentei. Yoongi, JK e Jimin observavam a cena. O garçom trouxe uma dose de uísque. Olhei para os quatro e bufei, sentindo o peso do ambiente.

- Qual o problema, pequena? - perguntou Yoongi.

- Prometem que essa é a última dose? Eu não vou ter condições de cuidar de vocês depois disso.

- Fica tranquila - Yoongi respondeu, analisando-me. - Acho que é você quem vai precisar de uma dose.

Antes que eu pudesse perguntar o porquê, a cena se montou. A mãe de Taehyung entrou no recinto, impecável, acompanhada por uma moça de beleza clássica: cabelos longos, pretos, coreana nata, um metro e sessenta de elegância. Senti meu coração despencar. Era ela. A "mulher certa" que a família queria para ele.

Eles se cumprimentaram com a naturalidade de quem pertence ao mesmo mundo. Eu, por outro lado, permaneci sentada, a mão tremendo ao pegar o uísque e virar o líquido de uma vez, sentindo-o rasgar minha garganta.

- Mãe, o que faz aqui? - Tae perguntou, visivelmente acuado.

- Vim lhe apresentar a Priscila, a mulher da qual havia te falado, meu filho.

Tae tentou contornar a situação com uma diplomacia apressada, tentando proteger-me daquela exposição, mas a mãe dele insistia na presença da moça. Meus olhos marejaram. Eu não suportaria ser o motivo de uma cena pública, muito menos ser analisada como uma intrusa.

Levantei-me devagar, deixando o blazer de Taehyung na cadeira - uma despedida silenciosa - e fui até a janela, buscando o ar frio da noite de Paris. Yoongi não tardou a me seguir, envolvendo-me em um abraço protetor.

- Não vou aguentar, Yoongi... é demais para mim - confessei, enquanto as lágrimas finalmente rompiam a barreira.

- Oh, minha pequena... eu queria tanto te ver feliz hoje - ele disse, com a voz embargada. - Vamos para o hotel. Você merece um banho e paz.

- Não podemos fugir - respondi, secando o rosto com as costas das mãos. - Eu preciso conversar com ele.

Voltamos para a mesa. Com uma dose de sarcasmo para esconder minha dor, voltei a me sentar, colocando parte do vestido entre as pernas para disfarçar a falta de calcinha.

- Jura, Lara? - Yoongi sussurrou, incrédulo.

- Juro. Me ajuda a colocar o salto? - minhas bochechas queimaram de vergonha, mas ele obedeceu, agachando-se aos meus pés enquanto Taehyung, lá do outro lado, observava cada movimento com uma intensidade sombria.

Despedi-me das mulheres com a educação que a situação exigia, mesmo sentindo a mãe de Taehyung me avaliar com uma mistura de curiosidade e julgamento.

Dentro do carro de José, o silêncio era opressor. JK e Yoongi me flanqueavam. Encostei a cabeça no ombro de Jungkook, enquanto as lágrimas escorriam silenciosas, deixando que ele segurasse minha mão.

O celular tocou. Jimin atendeu. Do outro lado da linha, a voz de Taehyung estava tensa, carregada de frustração e um desespero disfarçado.

- Aonde vocês foram? Cadê ela?

- Ela está aqui com a gente. Estamos indo para o hotel - respondeu Jimin, mantendo o tom firme.

- Chego logo atrás. Consegui despachar minha mãe para outro lugar.

- Ótimo - Jimin respondeu, olhando para mim. - Yoongi e JK vão ficar com ela te esperando no seu quarto. Não vacila, Tae.

- Eu não sabia que isso ia acontecer.

- Vem logo e conversem. Ela precisa de respostas.

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