CAPÍTULO 35

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Ir a livraria tinha sido um erro, Jimin se deu conta.

Após semanas derramando lágrimas em seu bolo, umas comprinhas deveriam ter sido uma mudança agradável. A ideia de fugir para o campo lhe dava algo em que pensar. Distante de Londres, ele esperava que seu coração pudesse se curar com um pouco mais de rapidez. Mas só de estar na livraria sua ferida se abriu de novo. Não era a Hatchard’s dessa vez. Ele sabia que lá seria doloroso demais. Então, escolheu o Templo das Musas.

A arquitetura em rotunda da loja sempre o encantou. Uma escadinha levava ao mezanino que circundava o interior do domo. As prateleiras eram abarrotadas de livros até a altura em que uma pessoa – bem mais alta que Jimin – conseguia alcançar. Era ali que ele sempre procurava primeiro. Os livros do mezanino eram melhores do que os do térreo. Eram mesmo. Qualquer coisa colocada no mezanino ficava imediatamente melhor.

A exceção, nesse dia, era o estado de espírito de Jimin. A galeria não melhorou o ânimo dele. Ele não conseguia evitar ver os olhos de Jungkook procurando os seus, ou de sentir o modo como o sorriso encantador, sedutor dele fazia seu coração e suas mãos palpitarem. Era como se pudesse vê-lo diante de si. Inspirar seu cheiro. Ele quase conseguia imaginar que estava ouvindo a voz dele.

– Jimin! Park Jimin!

Jimin abriu os olhos e olhou para baixo, por cima do parapeito. Jungkook. Ele estava lá. Berrando seu nome numa livraria silenciosa e correndo pelos corredores como um louco. Jimin teve o impulso momentâneo de se esconder, mas algo nele não permitiu. Ele permaneceu pregado onde estava. Enfim, Jungkook acabou encontrando-o.

– Jiminie. Graças a Deus. – Ele se dobrou, apoiando as mãos nos joelhos. – Só me dê um momento. Estou sem fôlego. Estive correndo por toda Londres.

– Por quê? Para trombar comigo e me fazer derrubar meus livros de novo? – Ele apoiou um antebraço no parapeito, deixando que um volume escapasse de seus dedos. Ele atingiu o ombro de Jungkook. – Oh, céus!

O alfa não se perturbou com o golpe.

– Fique onde está. Eu vou até aí.

– Não! – Jimin exclamou. – Você é a última pessoa que eu quero ver.

– Bem, você também é a última pessoa que eu quero ver.

O ômega gesticulou, exasperado.

– Então por que você…

– Você é a última pessoa que eu quero ver antes de dormir, à noite. Todas as noites. O último ômega que eu quero beijar pelo resto da minha vida. E seu rosto lindo é a última coisa que eu quero ver antes de morrer. Porque eu te amo, Jimin.

Jimin sentiu os olhos arderem nos cantos.

– Como você é tão bom nesses discursos românticos, encantadores? É a prática, imagino.

– Talvez. Mas se eu pratiquei, parece que foi com o único objetivo de conquistar você neste momento. – Ele o fitou nos olhos. – Diga-me que está funcionando.

Parecia estar funcionando, e era isso que aterrorizava Jimin.

– Por favor, não faça isso comigo. Sempre que está perto, eu crio uma esperança boba. Não faz nenhum sentido, mas não consigo evitar. E então me machuco de novo. Você me machuca de novo.

– Então vou falar daqui. Essa distância deve ser segura.

Jimin não tinha tanta certeza. O encanto do alfa tinha maior alcance do que um canhão de seis libras.

– Você tinha toda razão – ele disse. – Eu me arrependi de tudo que disse algumas horas depois que você foi embora. Quis ir atrás de você no mesmo instante, mas sabia que não adiantaria. Você não tem motivos para confiar em mim. Para ser sincero, eu mesmo não confiava em mim. Mas agora posso ficar diante de você e dizer, com honestidade, que mudei.

A CONVENIÊNCIA DO AMOROnde histórias criam vida. Descubra agora