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LUÍS

Já chego cantando pneu em casa, tremendo de preocupação e bufando de raiva. Me deparo com Theodoro me esperando na calçada. Cara não atravesse o meu caminho agora, com você eu lido depois. Saio do carro e ele já vem pro meu lado.

_ Luis, eu quis o levar ao hospital e ele não deixou.

_ Sai caralho!

O empurro e destravo o portão, entro rapidamente no quintal e abro a porta de casa. Lucca está deitado no sofá pálido, branco quase transparente. Caralho o que aconteceu aqui?

_ Meu amor porque não me ligou?

_ Meu celular tá no quarto. Me leva pro hospital por favor.

Ele pede chorando e isso corta o meu coração, vou correndo buscar a carteira dele no quarto mas ao me virar pra ir, quase esbarro em Théo, só não dou um soco nele porque estou com pressa, mas ele não perde por esperar, quero saber direitinho o que aconteceu aqui sendo que quando sai de casa meu marido estava bem. Pego Lucca no colo e o coloco rapidamente no carro.

_ Quer que eu vá com vocês?

Théo tem a coragem de perguntar.

_ Some Theodoro, depois a gente conversa.

Tranco a casa e arranco com o carro pro hospital, do carro já ligo pro médico dele mas como ele não está, Lucca será atendido pelo médico de plantão e terá que servir. Lucca fecha e olho e fica de olhos fechados no carro com uma mão na barriga. Eu mato, eu juro que mato o Théo se o Lucca perder o nosso filho. Que diabos ele estava fazendo em minha casa?

Chegando no hospital o levo pra dentro no colo e ele é rapidamente atendido, logo está no soro e pelo que o médico disse sua pressão está alta devido a talvez algum tipo de aborrecimento que passou. O que deu na cabeça do Theodoro pra ter ido atrás do meu marido? Estou me obrigando a não surtar, de tanta vontade que estou de ir atrás do Théo mas não posso deixar meu marido sozinho, amanhã ele não escapa, juro que pego ele e mando pra esse mesmo hospital.

Depois de uma meia hora, um enfermeiro me libera pra entrar no quarto com Lucca. Entro e o encontro deitado na maca já com o gel na barriga.  Pego na mão dele e dou um beijo.

_ Mais calmo?

Ele olha pra mim e me confirma com a cabeça.

_ Eu estava falando para o Lucca evitar ao máximo aborrecimentos, ainda estão no começo da gestação e os primeiros três meses são cruciais pro desenvolvimento do bebê, o perigo de um aborto é imenso.

_ Nem fale uma coisa dessas doutor.

_ Infelizmente é assim que funciona. A pressão dele é estável, ora está baixa ora está alta, e para um grávido está altíssima, 16 por 9 é muito alta. Isso não pode acontecer.

Eu me assusto com isso e fico ainda com mais raiva da minha mãe e do Théo, na minha mãe não posso bater então quem pagará sozinho por essa conta será o Theodoro, espero que o plano de saúde dele esteja em dia, porque ele vai precisar, ah vai.

_ Se depender de mim não voltará a acontecer doutor, eu não sei o que ocorreu pra ele ter ficado tão alterado assim mas irei descobrir e tomar a devida providência.

Acho que minha fala foi tão contundente que tanto o doutor como o Lucca olharam pra mim mas não comentaram nada. O médico coloca o aparelho na barriga de Lucca e logo o som do coração do nosso filho batendo se faz presente no quarto. Eu choro de emoção, meu bebê está bem. Lucca está emocionado também e eu dou um beijo na testa dele, ele segura meu rosto e me dá um selinho.

_ Eu te amo tanto meu amor, farei de tudo pra proteger você e o nosso bebê, ninguém vai mais os aborrecer, eu juro.

Ele só sorri em meio a lágrimas mas eu sei que ele acreditou rm minhas palavras, dessa vez eu enxerguei o que é mais importante pra mim e farei com que isso fique claro pra todos.

O médico nos tranquilizou com esse exame ultrassom, nosso bebê está bem, o desenvolvimento dele está dentro do esperado. Lucca ainda ficou até de madrugada no hospital quando a pressão dele normalizou, depois o levei pra casa, o ajudei a tomar um banho quentinho, esquentei a janta pra ele e ele comeu e dormiu, eu queria conversar e entender o que aconteceu aqui mas ja que ele não falou nada fiquei quieto também, fiquei com medo de perguntar e o aborrecer denovo.

Eu não consegui dormir pensando no ocorrido, quase liguei pro Théo mas a conversa que terei com ele não pode ser pelo celular, e foi por esse motivo que me levantei mais cedo, me arrumei, deixei o café da manhã pronto pro Lucca, me certifiquei que ele estava bem e me despedi dele. Fui literalmente bater na casa do Théo.

Aperto a campainha e ele demora pra atender, sei que ainda deve estar dormindo, pois só trabalha depois das dez como gerente numa loja de roupas. Assim que ele abre a porta eu não me contenho, o primeiro soco é dado com tanta raiva que eu tenho certeza que quebrei o nariz dele.

_ CARALHO LUÍS. QUE ISSO? PORQUE ESTÁ ME BATENDO?

_ SEU FILHO DA PUTA, EU NEM COMECEI AINDA. EU VOU TE MANDAR PRO HOSPITAL ASSIM COMO VOCÊ FEZ COM O MEU MARIDO E O MEU FILHO ONTEM SEU DESGRAÇADO.

_ LUÍS, EU NÃO....

Nem dou chance pra ele falar,  ja que ele caiu no chão no primeiro soco, dou um chute na cara dele com toda força da raiva que estou sentindo e em seguida monto nele, pela visão periférica vejo Laura se aproximando correndo mas não paro de desferir socos na cara do meu ex melhor amigo. Eu só saio de cima dele depois que estiver muito satisfeito com o resultado da surra que ele está levando, e eu ainda não estou nem perto de ficar satisfeito, melhor sentar e esperar Laura, vai fazendo um café enquanto isso porque aqui vai demorar.

EU AINDA TE AMO Onde histórias criam vida. Descubra agora