Na propriedade de Rodolffo.
A madrugada chegou e Rodolffo não pregou o olho a noite inteira. Tudo que aconteceu no dia anterior o abalou mais do que gostaria. Mas a volta de Raquel, agora grávida, o extremeceu por completo.
Nos dois anos que foram casados, ele lhe pediu tantas vezes um bebê e ela sempre negou dizendo que não estava pronta. Respeitar era necessário, então a vida foi seguindo, até o dia que ele chegou em casa e se deparou com três malas na sala.
"Cinco anos antes...
- Raquel e essas malas? - ele perguntou tirando o óculos do rosto.
- Eu vou embora Rodolffo.
- Embora? O quê eu fiz de errado?
- Você não fez nada de errado. Eu só não quero mais estar aqui do seu lado. Acabou o nosso casamento.
- Raquel até ontem fazíamos planos de uma vida inteira. Eu estou terminando a minha pós graduação em cirurgia e sei que as coisas vão melhorar.
- Não importa. Eu não quero estar aqui com você. Vou te procurar para dá entrada no divórcio. "
A mudança da água para óleo era notável e Rodolffo aceitou sem reclamar. Ainda ajudando Raquel a colocar as malas no carro.
Depois disso, se falaram sem cerimônia por diversas vezes e depois do divórcio foram almoçar juntos. Não havia rancor algum entre eles, mas a visita dela e todo o universo que vinha junto com ela lhe causavam perturbações.
Ele passou o café por volta das 4 horas da manhã, como de costume, sentando na porta da cozinha para ouvir os barulhos da madrugada.
Raquel veio até a cozinha, se serviu do café e sentou ao lado dele.
- Ainda acorda tão cedo...
- Eu nem dormi essa noite.
- Rodolffo... Eu sei que é muito tarde.
- Tem cinco anos Raquel. Nós não somos mais um casal. Nem voltaremos a ser um dia.
- Por que eu estou grávida?
- Não. Por que partiu de você a decisão de ir embora e agora parte de mim a decisão de não pensar em nada que nos envolva como um casal.
- Você disse que eu sempre ia ser alguém especial na sua vida.
- E isso se deve ao respeito que eu tenho pela nossa história e o carinho que ainda sinto por você.
- Eu não tenho nenhuma doença, juro! O bebê está bem e o meu menino precisa de um pai, assim como precisa da mãe para ser feliz.
- Sinto muito pelo seu filho, se ele fosse meu, daria até a minha vida por ele, mas a vida não quis assim.
Rodolffo levantou-se rapidamente.
- O da Juliette você queria. - ela disse num tom de provocação.
- Raquel não seja cruel. Eu sempre quis ter um filho com você.
- Eu sei que quis... Mas o nosso nunca existiu, mas eu sei que aquela história que você me contou a muito tempo atrás foi com a Juliette.
- Cala a boca! Você não tem o direito de falar disso e eu não disse quem era a pessoa.
- Rodolffo... Eu não sou inocente. Só não entendo como tanta coisa aconteceu o pai dela foi o último a saber. Você se sente estranho diante dos pais dela por que você os enganou tanto. Você sabe ser um grande mentiroso quando quer.
- Raquel você não tem o direito de me acusar dessa forma.
- Aceite o meu bebê. Nós não temos ninguém Rodolffo.
Raquel estava chorosa e Rodolffo já sentia muita raiva dela.
...
