Capítulo 26

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Foi a noite que Rodolffo mais descansou em dias. Estar junto de Juliette lhe fez bem e também renovou suas forças.

Ela estava aconchegada nos seus braços quando ele despertou e ele logo deu um beijo no seu ombro. Mesmo que Rodolffo quisesse ser racional e poupar os toques, sua única vontade era dá e receber carinho daquela mulher.

Juliette acordou sorrindo e fez um carinho no rosto de Rodolffo.

- Bom dia lindo.

- Bom dia. Como se sente?

- Ótima.

Rodolffo fez um caminho com os dedos no rosto de Juliette e lhe deu um beijo no nariz.

- Tenho um convite...

- Então faça...

- Vamos lá para casa. Eu juro que cuido de você.

Juliette fechou os olhos e depois os abriu.

- Eu pensei que não me queria lá.

- Pensou errado. Eu quero que você conheça a minha vida. A minha realidade. Mesmo que eu saiba que a sua é muito diferente da minha.

- Por que pensa assim?

- As pessoas falam que você está rica. Seu pai me disse que quer comprar uma propriedade...

- Esse desejo eu tenho a algum tempo e disso lembro perfeitamente.

- Não é qualquer um que pode comprar uma propriedade por aqui...

- Não importa. Se eu tive uma segunda oportunidade, certamente não irei me privar dos meus desejos.

- E os Estados Unidos?

- Não vou voltar lá... Nem a passeio, ao menos que nosso filho queira muito conhecer a Disney.

Rodolffo a encarou.

- Não crer?

- De verdade, eu acho que pode mudar de ideia.

- Não mesmo. Antes do diagnóstico eu já queria muito vir embora. Não fui feliz longe da minha terra. Dinheiro traz estabilidade, completude não. Estar aqui junto dos que eu amo e ainda mais gestando uma criança... Meu Deus... Esse aneurisma foi um milagre na minha vida.

- Não diga isso.

- Eu sei que poderia ter sido diferente, mas também sei que vivi o quê meu coração clamava. Te reencontrar é uma das melhores coisas que podiam ter me acontecido.

Rodolffo sentou na cama e Juliette fez em seguida.

- Eu sei que ainda é cedo.

- O médico falou que talvez o nosso bebê...

- Eu ouvi... Mas eu não acredito nele. Não mesmo. Se Deus nos deu, não irá nos tirar.

- Não podemos ter tantas esperanças.

- Não fale assim... Você é o pai. Tenha pensamentos positivos, por favor. Eu não quero perder, mas se você não quiser estar comigo, vou entender.

- Acha que eu vou te abandonar?

- Não quero que veja as coisas dessa forma. Se me convida para a sua casa tem que ser como namorada e não somente por que estou grávida de um filho seu.

- Juliette... Não comece. Eu juro que tenho paciência, mas essas suas conversas.

- Essas conversas? O nosso filho precisa sim do pai dele, mas eu não preciso unicamente de um pai para o meu filho, quero um companheiro para dividir essa jornada.

- Acha que eu só estou aqui pelo fato de estar grávida?

- Principalmente por isso. Eu te conheço Rodolffo.

- Sua memória é bem seletiva. Se me conhece tão bem assim, sabe que eu não sou nenhum santo... Meu gênio continua sendo difícil. Não vou ser controlado e...

- O quê? Se sente controlado por mim?

- Na noite que ficamos juntos, não foi da forma que você imagina. Nós não fizemos as pazes. Antes de você ficar desacordada eu estava falando de vingança.

Juliette franziu a testa.

- Eu te disse que estava fazendo com você o mesmo que fez comigo naquele Natal.

- Então... Você estava sendo cafajeste comigo?

- Não me orgulho, mas fui. Para mim é difícil dizer que há um perdão total.

- Não se trata de perdoar ou não. É que você deixa o orgulho falar mais alto. No mínimo imagina o quê vão dizer sobre você quando nos verem juntos.

- Não é isso...

- Claro que é... Você é machista. Sempre foi... E isso sufoca, sabia? O seu machismo sempre me sufocou?

- Eu só queria viver com você. Fazer as coisas certas, mas sempre fui um idiota.

- Te falei que não queria casar naquele momento, mas eu sei que no fundo você planejou aquele flagra. Foi uma forma de me forçar a fazer o quê você queria.

- Eu planejei? Que loucura é essa? Por pouco não fomos pegos... Ah pelo o amor de Deus Juliette. Não tente me culpar pelo seu erro. Eu só era um cara jovem e iludido. O mundo era muito mais interessante que a minha companhia.

- Não diga o quê não sabe. Não houve no mundo uma companhia melhor que a sua... Não importa se eu conheci outros homens, ninguém foi para mim o quê você foi. Não casei e nem mantive relacionamentos duradouros. No princípio eu dizia que era por que não havia ninguém interessante, mas hoje eu sei que não é verdade, o problema é que ninguém era você.

- Eu casei... Eu tentei ter uma família. Acredite que eu sempre quis, mas não deu certo. Ela também me trocou pelo mundo. Realmente devo ser uma péssima companhia.

- Não é. E ela não te deu valor por que é burra. Eu sou julgada como muito inteligente, mas sei que não sou. Quem te deixa passar nessa vida, não tem a inteligência avançada.

Foi depois dessa frase que Rodolffo encarou Juliette.

- Se me fizer acreditar e mentir para mim de novo...

- Não vou fazer isso... Eu Ju... - Juliette falaria mais, mas Rodolffo a interrompeu.

- Você tem um defeito gravíssimo. Sabe ser extremamente cativante e convincente. Eu tenho e sempre tive saudades suas. A nossa conexão é algo raro e eu não encontrei mulher alguma que me ofereceu tanto. Seria mentira se eu dissesse que te quero apenas como mãe do meu filho... Não é isso. Eu te quero como minha mulher...

Os dois estavam ofegantes e o beijo aconteceu de forma lenta e não menos especial.

- Vem comigo e juntos podemos recomeçar.

- Sim. Eu quero.

- Perdoa o meu erro?

- Sem dúvidas que eu te perdôo. Se vamos começar, temos que conceder o perdão.

- Eu também te perdoou. - ele deu um beijo suave na testa de Juliette. - A nossa família está sendo construída e temos que estar juntos nesse momento. - Juliette colocou a mão dele sobre seu ventre.

- Temos muita sorte por ter você meu amor.

Rodolffo marejou os olhos e beijou a barriga de Juliette.

...

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