Foi a noite que Rodolffo mais descansou em dias. Estar junto de Juliette lhe fez bem e também renovou suas forças.
Ela estava aconchegada nos seus braços quando ele despertou e ele logo deu um beijo no seu ombro. Mesmo que Rodolffo quisesse ser racional e poupar os toques, sua única vontade era dá e receber carinho daquela mulher.
Juliette acordou sorrindo e fez um carinho no rosto de Rodolffo.
- Bom dia lindo.
- Bom dia. Como se sente?
- Ótima.
Rodolffo fez um caminho com os dedos no rosto de Juliette e lhe deu um beijo no nariz.
- Tenho um convite...
- Então faça...
- Vamos lá para casa. Eu juro que cuido de você.
Juliette fechou os olhos e depois os abriu.
- Eu pensei que não me queria lá.
- Pensou errado. Eu quero que você conheça a minha vida. A minha realidade. Mesmo que eu saiba que a sua é muito diferente da minha.
- Por que pensa assim?
- As pessoas falam que você está rica. Seu pai me disse que quer comprar uma propriedade...
- Esse desejo eu tenho a algum tempo e disso lembro perfeitamente.
- Não é qualquer um que pode comprar uma propriedade por aqui...
- Não importa. Se eu tive uma segunda oportunidade, certamente não irei me privar dos meus desejos.
- E os Estados Unidos?
- Não vou voltar lá... Nem a passeio, ao menos que nosso filho queira muito conhecer a Disney.
Rodolffo a encarou.
- Não crer?
- De verdade, eu acho que pode mudar de ideia.
- Não mesmo. Antes do diagnóstico eu já queria muito vir embora. Não fui feliz longe da minha terra. Dinheiro traz estabilidade, completude não. Estar aqui junto dos que eu amo e ainda mais gestando uma criança... Meu Deus... Esse aneurisma foi um milagre na minha vida.
- Não diga isso.
- Eu sei que poderia ter sido diferente, mas também sei que vivi o quê meu coração clamava. Te reencontrar é uma das melhores coisas que podiam ter me acontecido.
Rodolffo sentou na cama e Juliette fez em seguida.
- Eu sei que ainda é cedo.
- O médico falou que talvez o nosso bebê...
- Eu ouvi... Mas eu não acredito nele. Não mesmo. Se Deus nos deu, não irá nos tirar.
- Não podemos ter tantas esperanças.
- Não fale assim... Você é o pai. Tenha pensamentos positivos, por favor. Eu não quero perder, mas se você não quiser estar comigo, vou entender.
- Acha que eu vou te abandonar?
- Não quero que veja as coisas dessa forma. Se me convida para a sua casa tem que ser como namorada e não somente por que estou grávida de um filho seu.
- Juliette... Não comece. Eu juro que tenho paciência, mas essas suas conversas.
- Essas conversas? O nosso filho precisa sim do pai dele, mas eu não preciso unicamente de um pai para o meu filho, quero um companheiro para dividir essa jornada.
- Acha que eu só estou aqui pelo fato de estar grávida?
- Principalmente por isso. Eu te conheço Rodolffo.
- Sua memória é bem seletiva. Se me conhece tão bem assim, sabe que eu não sou nenhum santo... Meu gênio continua sendo difícil. Não vou ser controlado e...
- O quê? Se sente controlado por mim?
- Na noite que ficamos juntos, não foi da forma que você imagina. Nós não fizemos as pazes. Antes de você ficar desacordada eu estava falando de vingança.
Juliette franziu a testa.
- Eu te disse que estava fazendo com você o mesmo que fez comigo naquele Natal.
- Então... Você estava sendo cafajeste comigo?
- Não me orgulho, mas fui. Para mim é difícil dizer que há um perdão total.
- Não se trata de perdoar ou não. É que você deixa o orgulho falar mais alto. No mínimo imagina o quê vão dizer sobre você quando nos verem juntos.
- Não é isso...
- Claro que é... Você é machista. Sempre foi... E isso sufoca, sabia? O seu machismo sempre me sufocou?
- Eu só queria viver com você. Fazer as coisas certas, mas sempre fui um idiota.
- Te falei que não queria casar naquele momento, mas eu sei que no fundo você planejou aquele flagra. Foi uma forma de me forçar a fazer o quê você queria.
- Eu planejei? Que loucura é essa? Por pouco não fomos pegos... Ah pelo o amor de Deus Juliette. Não tente me culpar pelo seu erro. Eu só era um cara jovem e iludido. O mundo era muito mais interessante que a minha companhia.
- Não diga o quê não sabe. Não houve no mundo uma companhia melhor que a sua... Não importa se eu conheci outros homens, ninguém foi para mim o quê você foi. Não casei e nem mantive relacionamentos duradouros. No princípio eu dizia que era por que não havia ninguém interessante, mas hoje eu sei que não é verdade, o problema é que ninguém era você.
- Eu casei... Eu tentei ter uma família. Acredite que eu sempre quis, mas não deu certo. Ela também me trocou pelo mundo. Realmente devo ser uma péssima companhia.
- Não é. E ela não te deu valor por que é burra. Eu sou julgada como muito inteligente, mas sei que não sou. Quem te deixa passar nessa vida, não tem a inteligência avançada.
Foi depois dessa frase que Rodolffo encarou Juliette.
- Se me fizer acreditar e mentir para mim de novo...
- Não vou fazer isso... Eu Ju... - Juliette falaria mais, mas Rodolffo a interrompeu.
- Você tem um defeito gravíssimo. Sabe ser extremamente cativante e convincente. Eu tenho e sempre tive saudades suas. A nossa conexão é algo raro e eu não encontrei mulher alguma que me ofereceu tanto. Seria mentira se eu dissesse que te quero apenas como mãe do meu filho... Não é isso. Eu te quero como minha mulher...
Os dois estavam ofegantes e o beijo aconteceu de forma lenta e não menos especial.
- Vem comigo e juntos podemos recomeçar.
- Sim. Eu quero.
- Perdoa o meu erro?
- Sem dúvidas que eu te perdôo. Se vamos começar, temos que conceder o perdão.
- Eu também te perdoou. - ele deu um beijo suave na testa de Juliette. - A nossa família está sendo construída e temos que estar juntos nesse momento. - Juliette colocou a mão dele sobre seu ventre.
- Temos muita sorte por ter você meu amor.
Rodolffo marejou os olhos e beijou a barriga de Juliette.
...
