Capítulo 11

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Dois dias depois.

Juliette colocava os pés em Goiânia e a sensação de respirar o ar do seu estado era revigorante. Seu coração estava mais tranquilo e ela sorriu.

Seu Jerônimo, Tereza e seu irmão Isaque lhe esperavam com ansiedade e ela aos vê-los andou muito rápido para abracá-los.

Foi o melhor abraço dos últimos tempos e Tereza encheu a filha de beijos.

- Ôh minha menina que saudades suas.

Juliette sorriu e Isaque abanou a cabeça.

- Com 35 anos ela está bem distante de ser uma menina mamãe.

- Isaque, todos vocês são as minhas crianças, mesmo que os netos também sejam. O amor não se divide, se multiplica.

Uma parte da família estava junta, com Isaque dirigindo o carro que os levaria de volta a propriedade dos pais. Juliette estava tão exausta que dormiu quase a viagem inteira encostada no ombro da mãe.

...

A recepção na casa da família foi digna de uma pessoa muito querida. Juliette estava diante dos demais irmãos, cunhadas e sobrinhos.

Manuela era a cunhada que ela tinha mais diferenças, mas mesmo assim estava ali e Juliette foi cumprimentá-la, já que ela estava sentada dando de mamar a sua filha caçula.

- Oi Manuela. Tudo bem? A neném tá boa?

- Oi. Ela está bem sim. Vinhemos por que a dona Tereza pediu. Não é fácil reunir a família numa segunda-feira a noite.

Juliette sentiu alguma rispidez naquelas palavras. Em outros tempos com certeza retrucaria, mas hoje não.

- Eu agradeço muito que tenham vindo aqui me ver. Sei que todos se acordam cedo e tem seus compromissos. Estou muito feliz pela recepção.

- Mesmo que eu não seja uma profissional, acordo cedo por que meus filhos precisam ir para a escola.

- Eu sei Manuela. Ser mãe de três não é nada fácil. Ainda mais com uma bebê dependente.

- Não é fácil mesmo. Mas você não deve se preocupar com isso. Na sua idade já não há mais tempo de viver essa sensação única da maternidade.

Juliette ficou bem chateada com a fala da cunhada.

- Precisa usar essas palavras comigo?

- Precisa, por que hoje você está fingindo ser boazinha. Amanhã estará aqui criticando a todos. Está pensando que eu esqueço que um dia me disse que a minha preguiça só me deixava ser sustentada por macho?

Josué, irmão de Juliette e marido de Manuela chegou no justo momento.

- Manu, isso é passado.

- É passado, mas não esqueci. Sua irmã é ruim e uma pessoa sem coração.

- Manu, se não queria estar aqui, deveria ter ficado em casa. Irmã, não leve isso a sério.

- Sabe Juliette... Você é terra seca e nunca terá o prazer de ter filhos.

- Chega! Eu não quero mais ouvir.

A discussão quebrou o clima fraternal do encontro, então foi Tereza que chamou a atenção para si.

- Eu quero que todos me ouçam. - a família se voltou para a matriarca. - É com muita alegria que recebo a minha caçula de volta ao lar e se ela quiser continuar vivendo conosco será assim até o resto das nossas vidas. Ninguém nesse mundo é perfeito e sei que discussões podem existir, mas Manu não é legal da sua parte falar com a minha filha dessa forma.

- Mas a culpa é minha por que eu sempre hostilizei a minha cunhada e para ser sincera, ela não está errada. Na minha idade já não terei filhos, mas posso paparicar os sobrinhos. Eu peço desculpas por tudo que fiz no passado Manuela.

- Que o passado fique no passado e que a nossa família possa viver em harmonia de agora em diante. - Tereza pediu e tudo voltou ao clima habitual.

Juliette foi falar com os outros irmãos e antes que todos fossem embora ela brincou com os 9 sobrinhos maiores. Apenas o adolescente não quis participar e duas sobrinhas são bebês de colo.

- É incrível que ele poderia estar aqui mamãe. - ela disse com os olhos cheios de lágrimas vendo os irmãos juntos com suas famílias partirem.

- Deus não quis... Assim como tirou sua irmã de nós.

- Ele foi o seu primeiro neto.

Jerônimo ouviu o diálogo, mas não compreendeu, a cerveja estava lhe causando uma embriaguez.

Depois todos recolheram-se e Juliette dormiu no seu antigo quarto, que apesar do tempo estava conservado e muito aconchegante.

...

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