Rodolffo tomou um banho quente, mas não relaxou. A tensão no seu corpo era tanta que ele não tinha um descanso verdadeiro. Até se alimentou, mas sentiu um vazio enorme.
No relógio marcava 21:33. Já era tarde para os morados do campo e a maioria estava nas suas camas, algo que não deveria ser diferente com os pais de Juliette.
Mesmo que assim fosse, ele buscou o contato de Tereza no telefone. Seu cachorro estava aninhado nos seus pés e ele fez vários carinhos.
- Você é o meu filho de quatro patas e eu lhe tenho amor Toby, mas com ela está o meu filho tão pequeno e frágil. Eu quero estar junto dele até o fim. Meu coração vai doer, mas dessa vez vou ter a certeza que estive com ele de alguma forma. Vou dormir com a Juliette e com o meu filho.
Ele tomou coragem e ligou:
- Dona Tereza, eu poderia ir na sua casa para dormir?
- Meu filho, a Juliette já está dormindo.
- Não tem problema. Eu durmo até no chão, mas preciso estar com ela.
- Venha... Pode vim.
Toby chorou e não houve outra solução a não ser levá-lo junto. O pobre animal sentia-se abandonado.
- Isso é a consequência de ter filhos sem planejamento. Você não foi planejado seu Toby, mas agora eu não posso te largar. Não vai latir e nem chorar, ouviu bem? Estarei dentro da casa com a minha mulher... - ele fez uma pausa e fixou o olhar em Toby. - Eu vou dormir com a Juliette, não incomoda.
...
A viagem foi rápida e Rodolffo chegou com Toby e uma mochila.
- Desculpa ter trazido ele, mas foi inevitável. Onde posso amarrar?
- Aqui mesmo filho. Ele está seguro e abrigado. Amarra e vamos entrar.
Rodolffo deixou o fiel amigo confortável e entrou na casa que há muito tempo não entrava. Haviam itens mais modernos, mas a estrutura era a mesma.
- Vem... Já tem uma rede te esperando, junto da cama de Juliette.
Eles entraram no quarto e Juliette estava sentada em sua cama.
- Eu te acordei, não é? Desculpa.
- Não tem problema. Obrigada por ter vindo.
- Eu vou deixar vocês a vontade e vou deitar. Boa noite. - disse Tereza ao fechar a porta.
Juliette ficou olhando para Rodolffo e ele sentou na lateral da cama.
- Está bem roxo. - ele disse segurando a mão dela. - O acesso te machucou.
- Mas agora eu estou finalmente em casa.
- Tomou a medicação das 8?
- Humrum... Tomei sim. Mamãe me deu.
Rodolffo tocou a barriga de Juliette e levantou a blusa do seu baby doll. Sem pedir permissão, ele deu um beijo e fez carinho no seu ventre.
Ela não disse nada e curtiu o momento.
- Deita aqui comigo. - Juliette pediu.
- Vou só trocar a roupa.
Juliette assistiu a troca e todos os outros por menores antes dele deitar do seu lado. A luz que se tinha era apenas do lado externo da casa que entrava pelas frestas da janela.
- Não vou dormir contigo. Tenho medo de te machucar. Mas quero que você adormeça tranquila.
Juliette fez um carinho na barba de Rodolffo e ele retribuiu lhe fazendo carinho nas bochechas.
- Obrigada por cuidar tão bem de mim, mas nunca tive dúvidas que seria capaz disso e muito mais.
Foi depois disso que Rodolffo tomou a iniciativa de um beijo. Os lábios tinham a melhor das conexões e a língua ativava o desejo existente em ambos.
- Me conta como foi a nossa primeira vez...
- Não lembra?
- Não consigo lembrar nem da adolescência e tão pouco da nossa volta. Eu quero saber como foi...
- A nossa primeira vez foi aqui nessa cama de solteiro que ainda se mantém. Foi uma das maiores e melhores loucuras da minha vida. Mas nós queríamos muito e quando se quer não há impedimentos. Não vou te contar tudo por que eu quero que você lembre.
- Eu vou lembrar...
- A nossa primeira vez desses tempos foi o momento que nos permitiu gerar o nosso bebê. Estávamos num show e quando saímos fomos ao seu quarto de hotel... A entrega foi sem ressalvas ou qualquer temor. É tanto que não usamos preservativo, mas isso se deve também ao fato de eu estar sob o uso de álcool, mas não somente a ele, por que me sentia bem consciente.
Juliette não ouviu essa última parte da história, adormeceu profundamente. Rodolffo resolveu não se mexer e dormiu apertado naquela cama de solteiro.
...
