Capítulo 8

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- Eu até aceito criar o seu filho, se for tudo dentro da lei. - Rodolffo confrontou Raquel com a possibilidade.

- O quê você está dizendo com isso?

- Se me conceder ele em um ato de adoção. Mas eu só quero o bebê, você não.

- Não está falando sério... Como pode pensar numa coisas dessas?

- Da mesma forma que você achou que poderia ganhar o mundo, fingir uma superação e depois voltar aqui me pedindo para voltar. Raquel, eu sou um cara do bem e até me orgulho disso, mas não sou nenhum otário.

- É por que eu me prostitui? Você tem ciúmes?

- Não. Eu nunca tive ciúmes de você. E as pessoas até acham que você me traiu, mas se foi verdade, não me feriu.

- Não? Quer dizer que para você não importava que eu tivesse transado com outro?

- Eu não posso ser contra as decisões de ninguém. Cada um com suas escolhas e pecados Raquel.

- Eu nunca devia ter feito aquela festa de aniversário surpresa para você. Nem tão pouco ter te pedido em casamento. Era óbvio que você não sentia o mesmo.

- Não diga isso. Aquela surpresa foi maravilhosa. Eu estava apaixonado e queria ter feito o pedido de casamento, mas você foi mais rápida. Raquel eu não casei para te satisfazer. Será que você nunca percebeu o tanto que eu sonho em ter a minha família? Só que essa sua proposta não cabe a mim. Se houvesse sentimentos, não me importaria com o passado, mas recomeçar contigo é algo que não vai acontecer.

Raquel olhou bem para Rodolffo e enxugou algumas lágrimas dos olhos.

- Tudo bem. Eu não vou mais insistir. Vou juntar as minhas coisas e ir embora.

- Você está precisando de dinheiro?

- Eu não quero o seu dinheiro.

- Raquel nós não vamos virar inimigos agora, não é?

- Não. Mas eu sei que te perdi para sempre.

- Raquel, quando você disse adeus, eu toquei a minha vida. Já não tem sentido tudo isso e acho que são os hormônios da gravidez que te fizeram estar aqui com esse assunto.

- É... Eu fiz uma grande loucura.

Raquel recolheu suas coisas e antes mesmo que o sol nascesse, ela partiu. Rodolffo olhou ela sair e respirou aliviado.

...

Horas depois em Atlanta, Estados Unidos.

Juliette estava esperando o seu chefe a mais de trinta minutos, quando ele entra na sala.

- Tudo bem Juliette? - ele era português e falavam nos seus respectivos idiomas.

- Eu não vou fazer rodeios. Necessito de verdade de férias.

- Juliette não podemos entrar num acordo?

- Esse ano não. Eu quero ver os meus pais.

- Mas você pode ver no ano que vem...

- Essa empresa é um cárcere. Estou aqui sempre. As vezes trabalho até nas minhas folgas.

- Sua remuneração não é suficiente?

- Sim, mas a vida não é só ter um bom salário. Eu mal posso usufruir dele. Só tenho a noite, durante o dia o computador é minha única companhia.

- Vou tentar te conceder essas férias. Me dê mais um tempo.

- E assim já são dois meses que eu espero a sua decisão. Se não resolver, vou embora e nunca mais volto. Sinta-se avisado.

Juliette levantou da cadeira de maneira rápida e sentiu-se tonta. Seu chefe lhe ajudou e depois que ela sentou, sua consciência se foi.

...

Ela acordou duas horas mais tarde na cama de um hospital e junto dela tinham dois completos estranhos.

- Oi Juliette. Eu sou Jamie, médico que te atendeu depois do seu desmaio.

Juliette olhou assustada para o médico e tudo parecia confuso.

- Eu acho que minha glicose baixou. Na verdade eu só lembro que me senti tonta.

- As vezes sente dores de cabeça?

- Muito raramente, por quê?

O médico fez um semblante preocupado.

- Então é possível que você não saiba do seu diagnóstico.

- Que diagnóstico?

- Há um aneurisma no seu cérebro. Ele até pode ser operado, mas é arriscado.

- Isso é uma brincadeira de mal gosto?

- Não senhorita.

Juliette começou a chorar.

- Eu estou morrendo? É isso?

- Não há maneira melhor de dizer, mas digamos que pode acontecer a qualquer hora. Hoje ou daqui a algum tempo. A cirurgia é possível, mas pode não sair viva dela.

- Meu Deus do céu. Eu não quero morrer. Ainda tenho tanto a viver. - ela olhou a sua volta. - Tem alguém comigo?

- Seu chefe veio te trazer, mas não ficou.

- Não tenho ninguém nesse país. Se for para morrer quero estar junto dos meus.

- Eu sinto muito.

Juliette estava desolada.

...

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