O encontro entre eles foi agitado, movido por muitos sentimentos, e pouca paciência.
Tudo o que Penélope queria era fazer uma tatuagem, a possível dor ou o fato do lugar escolhido deixar o seu rosto em brasas não eram um problema. O seu maior probl...
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— Não ligue para a minha esposa, ela é durona até demais. — Sandro, o pai da Penélope, me disse, quando subimos as escadas em direção ao corredor da casa.
— A Penélope puxou bastante ela, então.— minha brincadeira fez com que ele soltasse uma risada e concordasse.
— Só não deixe a Penélope escutar você falando isso, ou ela vai matar nós dois — Sandro devolveu, e foi minha vez de gargalhar com aquilo, ciente de que errado ele não estava.
— Elas duas vão ficar bem? — gesticulei a sala, seguindo Sandro para dentro de um quarto.
— Tenho certeza de que ela não vai aguentar fica até amanhã, embora como pai eu sempre tente — Sandro confessou. — Você com certeza fez um milagre convencendo ela a vir, mas se achar que ela está estressada demais, é um sinal para que ela volte, ou as duas realmente vão brigar — foi a vez dele de gesticular a sala.
— Certo. — concordei. — Esse era o quarto da Penélope? — olhei em volta, o cômodo era...sem vida demais. Apenas uma cama de casal, uma cômoda de madeira, tapete, mesinha de cabeceira e um abajur, nada que indicasse que aquela viciada em travesseiros passou o começo da sua vida toda aqui. Aqueles dois travesseiros não se encaixavam com os milhares que ela tinha na cama dela no apartamento, e os que eu comprei para ela. Nem o ar do cômodo. Era tudo padronizado demais.
— Sim. Mas ela se livrou de tudo, decoração e pertences, quando foi morar com as amigas dela, então a única coisa que ficou foi isso aqui — Ele pegou um porta retrato de cima da cômoda que ficava do lado direito do quarto, e que quando me aproximei pude ver que tinha uma foto da Penélope criança no colo da mão.
Ela tinha os cabelos castanhos, o mesmo tom que os meus costumavam ser antes de decidir raspar a cabeça junto da minha avó. Mas aquele olhar gélido e bravo dela não tinha mudado nada, nem a pose de brava. E ela parecia estar bastante incomodada com a mãe segurando ela forte, prendendo-a no abraço para a foto, seu bico deveria hilário, mas eu sabia que ele escondia uma mágoa que ela vem trazendo da mãe desde pequena, e eu me preocupava muito com esses sentimentos, porque anos se passaram e sua raiva pela mãe só aumentava.
Talvez minha recusa a acreditar que ela odeia a mãe seja porque eu não me imagino odiando a minha, nem mesmo meu pai, independente do que acontecesse. Apesar de tudo que meu pai me disse após o acidente, todas as coisas que tentou me obrigar e nossas brigas, nunca consegui odiar ele, nem mesmo que um pouco. Ainda o amo tanto quanto amo minha mãe, minha avó, e o restante da família. E eu não sabia qual de nós dois estava mais errado por causa disso.
— Pai, podemos ir conhecer a sua loja, por favor? Preciso de um chá calmante urgentemente — Penélope entrou no quarto com uma carranca daquelas, se encostando na lateral da porta como se entrar no cômodo fosse o fim do mundo.