Prólogo: Uma olhada do passado

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— Ei, vocês se importam se eu passar para pegar minha mãe na volta? Ela queria uma carona até o hotel, parece que o voo dela mudou para de manhã...

Shane, um dos três jovens amigos sentados no sofá de uma casa velha e desconhecida em meio a uma festa nem tão desconhecida a essa altura, perguntou aos outros dois amigos jogados perto de si, um de cada lado. Esse então de cabeça raspada, o cabelo preto crescendo nitidamente apesar de permanecer bastante baixo.

Um dos jovens, esse de cabelos cinzas desleixados, cheio de ondulações e suor, ergueu a cabeça e abriu ambos os olhos cinzas feito um nevoeiro, para encarar Shane. Tinha uma ira e um mau humor borbulhando naquele para de íris cinzas enigmáticas e frias quando olhou para a conversa aberta no celular do amigo que digitava respostas para a mãe.

— Você consegue dirigir? — o dono dos olhos e cabelos cinzas questionou.

— Am? , — Shane moveu os olhos escuros para o rosto do amigo por um instante antes de assentir em espanhol.

— Então vamos. Não quero escutar meu tio preocupado de novo. Stephan, acorda— o de cabelos cinzas chutou o terceiro jovem que ainda permanecia dormindo, esse de madeixas loiras na cor ouro, e olhos castanhos amendoados que se abriram cheios de sono e bebida.

— O quê? — O loiro resmungou, deixando a cabeça tombar no ombro do de olhos escuros, recebendo um novo chute no joelho do outro. — Porra, o que é, Lucius??? — grunhiu, esticando a mão e esfregando o joelho dolorido.

— Acorda — o de olhos cinzas, Lucius, repetiu bem menos gentil do que da primeira vez.

— Não sei se consigo andar, podem me abandonar aqui, amanhã encontro o caminho de volta — Stephan suspirou e tombou a cabeça para trás, esfregando o rosto pintado por algumas sardas várias vezes até a pele clara ficar avermelhada pela fricção.

— Para de palhaçada, loiro dos infernos. Eu te carrego — Lucius suspirou e esfregou o dedo entre as sobrancelhas, mantendo os olhos fechados por alguns instantes antes de abaixar a mão e se levantar, as roupas pretas que vestia amarratodas e cheirando a cigarro e bebida.

— Onde a sua mãe está, Shane? — o mesmo questionou, se inclinando ao agarrar o braço do loiro bêbado, o puxando para que ficasse de pé.

— Perto daqui, na casa de uma amiga. Não vai demorar nada, prometo — Shane se levantou e olhou para os amigos por um instante, guardou o celular no fundo do bolso da calça preta e usou a mão livre para tocar na bochecha do loiro quase desacordado e escorado em Lucius que o mantinha de pé.

— Ele bebeu demais, cacete. Ei, Stephan? Não dorme agora não — Shane chamou, apertando os dedos no maxilar do loiro.

— Eu sei, tô acordado, caramba — Stephan suspirou irritado, enterrando o rosto no ombro de Lucius que apesar da carranca e do olhar fuminante segurava o amigo com cuidado e carinho.

— Bom. Continua acordado.

— Deixa comigo, só vamos embora. Já deu por hoje — Lucius gesticulou e Shane assentiu, abrindo caminho entre todas as pessoas dançando e bebendo pela sala para que os três pudessem sair daquele ambiente, deixando a casa e o gramado cheio de garrafas e jovens para trás.

— O que sua mãe disse? Está de cara feia — Stephan, quem agora tinha os olhos abertos e uma expressão bem mais desperta, perguntou ao amigo que andava em direção a um carro cinza alguns passos mais a frente.

— A cara dele sempre foi feia — Lucius disse, revirando os olhos.

— Quem tem cara é cavalo, seus chatos — Shane respondeu, fingindo não estar sorrindo.

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