Refúgio na Infância

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Saindo do hospital, Lyan estava silencioso. O peso das revelações de Ethan emparelhou sobre ele como uma nuvem compartilhada. Lívia andava ao seu lado, mantendo a mão firme na dele, mas podia sentir que algo não estava bem.

— Amor, você está muito calado... — ela sussurrou, preocupada.

Lyan parou de repente no meio do estacionamento e começou a respirar de forma irregular. Ele apertou o peito, tentando controlar a sensação de que o mundo estava se fechando ao seu redor.

— Eu... não consigo... é demais... — Ele balbuciava, tentando puxar o ar, mas a ansiedade o consumia.

Sem aviso, Lyan soltou a mão de Livia e começou a correr, os passos ecoando como batidas de um tambor descompassado. Lívia falou, desesperada:

— Ly, espere! Onde você vai?!

Mas ele não parou. Guiado por uma memória quase inconsciente, Lyan correu até um campo de futebol antigo, onde jogava na infância. Ele atravessou o gramado até uma grande árvore ao fundo. Ali, se abaixou, escondendo o rosto entre os joelhos, as mãos cobrindo as orelhas.

O som do mundo parecia ensurdecedor: os carros ao longe, o canto dos pássaros, o vento nas folhas. Tudo parecia atacá-lo de uma só vez.

— Por que... por que isso aconteceu comigo? — Ele murmurava para si mesmo, a voz embargada pelo desespero.

Enquanto isso, Lívia, determinada a encontrá-lo, segue seus passos com o coração apertado. Quando chegou ao campo, avistou a silhueta de Lyan perto da árvore. Ao vê-lo recebido e tremendo, senti o coração se partir.

— Amor... — ela sussurrou ao se aproximar, mas ele não respondeu.

Lívia se ajoelhou ao lado dele, ignorando a grama úmida que manchou seu vestido. Ela colocou as mãos sobre as de Lyan, gentilmente afastando-as das orelhas.

— Ly, sou eu. Estou aqui com você.

Ele falou o olhar, os olhos vermelhos e marejados encontrando os dela.

— Eu... não consigo... é como se tudo estivesse desmoronando, Liv. Cada memória que eu não tenho, cada resposta que eu não sei... está me sufocando.

Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, firme, mas cheia de ternura.

— Olha pra mim. Respira comigo, tá bom? — Ela começou a inspirar e expirar lentamente, guiando-o. — Isso. Você está aqui. Estou aqui com você.

Gradualmente, a respiração de Lyan foi se acalmando. Ele fechou os olhos, tentando se concentrar na voz de Lívia e no toque reconfortante de suas mãos.

— Você não precisa passar por isso sozinho, amor. Estou com você em cada passo. E nós vamos descobrir tudo, juntos.

Lyan a encarou, os olhos ainda brilhando com lágrimas, mas agora havia algo mais: gratidão.

— Como você consegue? Como consegue ser tão forte... tão incrível?

Ela enviou, mesmo com os próprios olhos marejados.

— Porque te amo, Ly. Sempre amei e sempre vou amar. E não importa quantos pedaços quebrem dentro de você, eu estarei aqui para ajudar a juntar todos.

Lyan a abraçou, apertando-a com força, como se ela fosse seu único ponto de ancoragem em um mar revoltado.

— Obrigado, Liv... por nunca desistir de mim.

Eles se encontraram ali por um tempo, o vento envolveu-os em um abraço silencioso. Quando Livia sentiu que Lyan estava mais calmo, ela o ajudou a se levantar.

— Vamos para casa, amor. Você precisa descansar.

Ele concordou, segurando sua mão com firmeza. Ao deixarem o campo, uma nova determinação parecia crescer em Lyan. O caminho ainda era incerto, mas ele sabia que, com Lívia ao seu lado, poderia enfrentar qualquer coisa.

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