Gustavo Mioto é um cabeça dura, um alemão que trancou seus sentimentos após perder a irmã, mas quando ele encontra a alegre e desbocada Ana Flávia seu mundo vira de cabeça pra baixo, ele se vê fascinado por essa mulher, comete mais erros que acertos...
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Depois de uma noite em minha suíte do hotel Villa Magna curtindo a ardente e desinibida Bruna, chego bem cedo ao escritório.
Nós, alemães, acordamos muito cedo.
Vou diretamente à lanchonete, onde tomo dois cafés.
Como o café dos espanhóis é forte!
Um pouco depois, vejo Ana Flávia.
Olho para ela, que não me cumprimenta.
Será que saber quem sou a deixa envergonhada?
Eu a observo protegido por meu jornal.
Sem dúvida, ela tem um sorriso delicioso e um corpo miúdo mas tentador.
Durante um bom tempo, evita meus olhos, até que nossos olhares por fim se encontram.
Ela bebe o último gole de café e vai embora.
Parte da manhã se resume a reuniões e mais reuniões.
Na Alemanha, tenho a Universal sob total controle, mas, na Espanha, não sei de muitos detalhes, e vou ter que me virar para saber se precisarei fechar alguns escritórios.
Em vários momentos, cruzo com Ana Flávia, mas ela continua me ignorando, algo que volta a chamar minha atenção, pois estou acostumado a ter as mulheres me seguindo com o olhar em busca de sexo e, às vezes, de algo mais.
Mas não, ela não me olha, e isso começa a me irritar.
À tarde não tenho nenhuma reunião, mas, ciente de que a antiga sala de meu pai fica em frente à mesa da srta. Castela, decido me instalar nela.
Ao entrar, o aroma do perfume de meu pai inunda minhas narinas e rapidamente abro as janelas.
Quero que seu cheiro desapareça, como ele desapareceu de minha vida em todos os sentidos.
Assim que me sento à mesa, começo a revirar as gavetas e encontro uma foto de minha mãe, minha irmã Giana e eu.
Surpreso, olho a foto, e a fúria me invade ao lembrar de um pai que preferiu o trabalho e as mulheres à família.
Com carinho, olho minha irmã Giana, a mãe de meu sobrinho José Rafael, e sinto meu coração se apertar.
Continuo sentindo sua falta todos os dias e sei que José Rafael também.
Mas, enquanto eu viver, meu filho – pois para mim ele já é meu filho – me terá por inteiro, não como aconteceu comigo e meu pai.
Ouço um telefone tocar.
É o de Ana Flávia.
Ela atende com rapidez, e vejo que toma nota sorrindo.
Durante horas fico na sala de meu pai, absorto nas coisas dele, quando, de repente, a porta se abre.