Capítulo 04.

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Depois de uma noite em minha suíte do hotel Villa Magna curtindo a ardente e desinibida Bruna, chego bem cedo ao escritório

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Depois de uma noite em minha suíte do hotel Villa Magna curtindo a ardente e desinibida Bruna, chego bem cedo ao escritório.

Nós, alemães, acordamos muito cedo.

Vou diretamente à lanchonete, onde tomo dois cafés.

Como o café dos espanhóis é forte!

Um pouco depois, vejo Ana Flávia.

Olho para ela, que não me cumprimenta.

Será que saber quem sou a deixa envergonhada?

Eu a observo protegido por meu jornal.

Sem dúvida, ela tem um sorriso delicioso e um corpo miúdo mas tentador.

Durante um bom tempo, evita meus olhos, até que nossos olhares por fim se encontram.

Ela bebe o último gole de café e vai embora.

Parte da manhã se resume a reuniões e mais reuniões.

Na Alemanha, tenho a Universal sob total controle, mas, na Espanha, não sei de muitos detalhes, e vou ter que me virar para saber se precisarei fechar alguns escritórios.

Em vários momentos, cruzo com Ana Flávia, mas ela continua me ignorando, algo que volta a chamar minha atenção, pois estou acostumado a ter as mulheres me seguindo com o olhar em busca de sexo e, às vezes, de algo mais.

Mas não, ela não me olha, e isso começa a me irritar.

À tarde não tenho nenhuma reunião, mas, ciente de que a antiga sala de meu pai fica em frente à mesa da srta. Castela, decido me instalar nela.

Ao entrar, o aroma do perfume de meu pai inunda minhas narinas e rapidamente abro as janelas.

Quero que seu cheiro desapareça, como ele desapareceu de minha vida em todos os sentidos.

Assim que me sento à mesa, começo a revirar as gavetas e encontro uma foto de minha mãe, minha irmã Giana e eu.

Surpreso, olho a foto, e a fúria me invade ao lembrar de um pai que preferiu o trabalho e as mulheres à família.

Com carinho, olho minha irmã Giana, a mãe de meu sobrinho José Rafael, e sinto meu coração se apertar.

Continuo sentindo sua falta todos os dias e sei que José Rafael também.

Mas, enquanto eu viver, meu filho – pois para mim ele já é meu filho – me terá por inteiro, não como aconteceu comigo e meu pai.

Ouço um telefone tocar.

É o de Ana Flávia.

Ela atende com rapidez, e vejo que toma nota sorrindo.

Durante horas fico na sala de meu pai, absorto nas coisas dele, quando, de repente, a porta se abre.

Eu sou Gustavo Mioto | miotelaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora