Capítulo 49.

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Os dias passam e Ana Flávia está cada vez mais integrada a minha rotina

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Os dias passam e Ana Flávia está cada vez mais integrada a minha rotina.

Pensar em minha vida sem ela é totalmente impossível, e, embora às vezes ela deixe a mim e a José Rafael loucos quando nos faz abandonar nossas noites de homem com o videogame, reconheço que ir ao cinema ou passear com ela é muito melhor, mesmo que meu sobrinho fique bravo.

Às vezes, tenho fortes dores de cabeça causadas pela minha doença, mas costumo controlá-la.

Porém, um dia, a dor é tão insuportável que não me resta outra alternativa que não ir ao hospital.

Como sempre, Letícia é a primeira a saber de tudo que acontece comigo.

Ela diz que vão ter que pôr um micro-bypass trabecular, que não sei nem o que é.

Praguejo, mas sei que não tenho outra opção.

Se minha irmã concorda, é porque é bom para mim.

Quando começo o tratamento, fico desesperado.

Sinto que não controlo minha vida nem meus movimentos, e isso me deixa de muito mau humor.

Eu sou Gustavo Mioto, um homem que não se deixa amedrontar por nada nem ninguém, que decide o que fazer ou não, mas reconheço que essa maldita doença me deixa acovardado.

Coisa que nunca admitirei na frente de ninguém.

Ana Flávia e Santana estão ao meu lado.

Não me deixam nem um segundo, apesar de, às vezes, eu não ser a melhor companhia, porque fico irritado com eles.

Cada vez que tenho que pingar o colírio, meu humor fica péssimo.

Mas, curiosamente, Ana Flávia me aguenta.

Aguenta-me como nunca ninguém me aguentou, e isso faz com que eu a ame mais e mais a cada segundo.

Mas não sei se isso é bom para nós.

Se eu ficar cego, que vida poderei lhe dar?

Ana é uma mulher linda, alegre e divertida que merece o melhor, e estou começando a questionar se sou o melhor para ela.

Tenho que reconhecer que não sou um homem nem alegre nem divertido, pelo contrário.

Costumo ser resmungão e não tenho muito senso de humor.

Isso me angustia.

Será que estou agindo bem com Ana Flávia?

Certa noite, deitados no escuro em nosso quarto, quando sua mão segura a minha, murmuro:

— Ana, minha doença está avançando. O que você vai fazer?

Durante alguns segundos, ela não diz nada.

Eu sou Gustavo Mioto | miotelaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora