Gustavo Mioto é um cabeça dura, um alemão que trancou seus sentimentos após perder a irmã, mas quando ele encontra a alegre e desbocada Ana Flávia seu mundo vira de cabeça pra baixo, ele se vê fascinado por essa mulher, comete mais erros que acertos...
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Os dias passam e Ana Flávia está cada vez mais integrada a minha rotina.
Pensar em minha vida sem ela é totalmente impossível, e, embora às vezes ela deixe a mim e a José Rafael loucos quando nos faz abandonar nossas noites de homem com o videogame, reconheço que ir ao cinema ou passear com ela é muito melhor, mesmo que meu sobrinho fique bravo.
Às vezes, tenho fortes dores de cabeça causadas pela minha doença, mas costumo controlá-la.
Porém, um dia, a dor é tão insuportável que não me resta outra alternativa que não ir ao hospital.
Como sempre, Letícia é a primeira a saber de tudo que acontece comigo.
Ela diz que vão ter que pôr um micro-bypass trabecular, que não sei nem o que é.
Praguejo, mas sei que não tenho outra opção.
Se minha irmã concorda, é porque é bom para mim.
Quando começo o tratamento, fico desesperado.
Sinto que não controlo minha vida nem meus movimentos, e isso me deixa de muito mau humor.
Eu sou Gustavo Mioto, um homem que não se deixa amedrontar por nada nem ninguém, que decide o que fazer ou não, mas reconheço que essa maldita doença me deixa acovardado.
Coisa que nunca admitirei na frente de ninguém.
Ana Flávia e Santana estão ao meu lado.
Não me deixam nem um segundo, apesar de, às vezes, eu não ser a melhor companhia, porque fico irritado com eles.
Cada vez que tenho que pingar o colírio, meu humor fica péssimo.
Mas, curiosamente, Ana Flávia me aguenta.
Aguenta-me como nunca ninguém me aguentou, e isso faz com que eu a ame mais e mais a cada segundo.
Mas não sei se isso é bom para nós.
Se eu ficar cego, que vida poderei lhe dar?
Ana é uma mulher linda, alegre e divertida que merece o melhor, e estou começando a questionar se sou o melhor para ela.
Tenho que reconhecer que não sou um homem nem alegre nem divertido, pelo contrário.
Costumo ser resmungão e não tenho muito senso de humor.
Isso me angustia.
Será que estou agindo bem com Ana Flávia?
Certa noite, deitados no escuro em nosso quarto, quando sua mão segura a minha, murmuro:
— Ana, minha doença está avançando. O que você vai fazer?