Gustavo Mioto é um cabeça dura, um alemão que trancou seus sentimentos após perder a irmã, mas quando ele encontra a alegre e desbocada Ana Flávia seu mundo vira de cabeça pra baixo, ele se vê fascinado por essa mulher, comete mais erros que acertos...
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Depois de uma noite sem pregar o olho, só observando Ana Flávia dormir, levanto-me com dor de cabeça, mas não digo nada.
Ficar sem dormir nunca me faz bem.
Desço até a cozinha e, ao ver que não há ninguém, tomo dois comprimidos para a dor.
Instantes depois, chegam Simona e Norbert.
Eles me cumprimentam e preparam o café.
Ela prepara uma massa e, imediatamente, me dou conta de que vai fazer churros para Ana Flávia.
Sem dúvida, está preocupada com ela.
Passam-se alguns minutos e entra José Rafael.
Olhando para ele, cumprimento-o:
— Bom dia, José Rafael.
Meu sobrinho me dá bom-dia.
Quando se senta ao meu lado e observa Simona fritar a massa dos churros, murmura:
— Susto parecia um bom cachorro.
Olho para ele boquiaberto.
Ele nunca gostou de cachorros!
Neste momento, a porta da cozinha se abre e Ana Flávia aparece.
Continua com os olhos vermelhos.
Eu me sinto péssimo por vê-la assim.
— Bom dia, Ana — cumprimento-a.
— Bom dia — responde ela com seriedade.
Em silêncio, ela se senta e Simona lhe oferece café e os churros.
Ela sorri e agradece.
Mas nada é como antes. Reina na cozinha um silêncio sepulcral, e tenho certeza de que todos nós estamos sentindo falta das brincadeiras e dos risos matinais de nossa espanhola.
No momento em que Norbert sai para levar José Rafael à escola, o celular de Ana toca.
Curioso, olho para ela.
Ao ver que ela atende e sai da cozinha, fico inquieto.
Quem está ligando?
Por que ela se afastou de mim para falar?
Com paciência para não a sufocar, espero que ela volte para a cozinha.
Mas, ao ver que não volta, vou atrás dela, entro no quarto e, ao ouvi-la falar com minha irmã Letícia, fico mais tranquilo.
Permaneço imóvel junto à porta.
Ela encerra a conversa e, quando se vira, pergunto: