Gustavo Mioto é um cabeça dura, um alemão que trancou seus sentimentos após perder a irmã, mas quando ele encontra a alegre e desbocada Ana Flávia seu mundo vira de cabeça pra baixo, ele se vê fascinado por essa mulher, comete mais erros que acertos...
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A bordo do jatinho particular da Universal eu me sinto bem.
Usei este avião mais que meu pai e, mesmo estando a caminho de Madri, estar a bordo é relaxante.
Penso em minha mãe, em sua insistência para eu ir à Espanha e em quando me chama de “alemão frio”.
Recordar isso me faz sorrir, especialmente porque, se me mostro frio diante dos outros, é para que não me machuquem.
Na frente de todos sou frio e distante, mas a verdade é que na intimidade sei que posso ficar vulnerável.
Quando aterrissamos no aeroporto de Barajas, desço do jatinho e um carro particular está a minha espera.
Enquanto vamos para o escritório central da Universal, olho pela janela e noto a alegria que os espanhóis irradiam simplesmente com o olhar.
Seu jeito de caminhar, de respirar, de se comportar… mostra que estão vivos, e isso me deixa inquieto.
Eles fazem perguntas demais, demonstram interesse demais pela vida alheia, e isso me sufoca.
Quando chego ao escritório da Universal, as mulheres com quem cruzo me olham com curiosidade.
Não sabem quem eu sou.
Subo para a sala de reuniões e durante horas faço reuniões-surpresa com os diversos departamentos da empresa, para me inteirar de tudo.
Até que, por fim, me dão cinco minutos de paz e ligo para Bruna Alves, uma mulher que trabalha na Universal e com quem tive algo mais que reuniões quando ela foi a Munique.
Um toque… dois, e depois ouço:
— Escritório de Bruna Alves. Aqui quem fala é a secretária dela, Castela, em que posso ajudar?
— Bom dia, Castela. Meu nome é Gustavo Mioto. Gostaria de falar com sua chefe.
— Um momento, sr. Mioto.
Não se passam nem dois segundos e a voz de Bruna diz:
— Gustavo, que alegria falar com você!
— Bruna … Bruna, vamos almoçar?!
— Claro…
Marco com ela às duas da tarde na recepção, desligo o telefone e continuo atendendo aos chefes de departamento.
Quando faltam cinco para as duas, dou por encerradas as reuniões e me dirijo ao elevador.
Estou faminto e ansioso para sair do escritório.
Por sorte, o elevador chega logo e, como os funcionários ainda não me conhecem, passo totalmente despercebido.
Fico no fundo, respondendo a várias mensagens que tenho no celular, entre elas, umas de Matheus, um grande amigo mexicano.