Capítulo 05.

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Passam-se os dias e Ana Flávia chama cada vez mais minha atenção, especialmente porque não me dá bola

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Passam-se os dias e Ana Flávia chama cada vez mais minha atenção, especialmente porque não me dá bola.

Ela é a única que não me olha com olhares lânguidos nem dá piscadinhas em busca de algo mais, e isso me irrita e me faz querer cruzar com ela o tempo todo.

No entanto, não sei como, cada vez que existe a possibilidade de nos encontrarmos, ela desaparece como em um passe de mágica, o que me deixa desesperado.

Durante esses dias, em várias ocasiões almoço e janto com meus amigos Bruna e Felipe, que estão em Madri a trabalho.

Eles me levam a vários lugares de ambiente liberal, onde curto sexo selvagem com diferentes mulheres sem nem sequer perguntar seus nomes.

Numa tarde, quando volto do almoço, ao entrar no corredor dos escritórios, sinto o perfume de Ana Flávia.

Descobri que ela usa Aire, da Loewe.

Estou sentindo seu cheiro quando a ouço cantar, e a verdade é que canta mal demais.

Mas vou atrás dela.

A voz vem dos arquivos que ficam entre a sala de Bruna e a minha.

Assim que a vejo, sorrio e a escuto cantar.

Sua voz não é nada melódica, mas ver o sentimento que ela coloca na música que fala das cores branca e preta me faz sorrir.

Até que, por fim, digo:

— Ana Flávia, você canta muito mal.

Ela se sobressalta.

O susto é tamanho que ela deixa cair no chão uma das pastas que estava segurando.

Logo me agacho para pegá-la, mas ao mesmo tempo que ela, e zás!

Batemos a cabeça um no outro.

Rapidamente ela tira os fones de ouvido e se desculpa:

— Sinto muito, sr. Mioto.

Levo a mão a sua testa com preocupação.

Devo tê-la machucado.

Ao ver que está vermelha, murmuro:

— Não foi nada. Você está bem?

Ela assente.

A seguir, tenta se afastar, mas eu a impeço.

É a primeira vez que a tenho tão perto desde o dia do elevador, e não pretendo deixá-la ir embora.

Segurando-lhe o braço, pergunto:

— O que estava cantando?

— Uma música — diz.

E, ao ver que estou esperando algo mais, acrescenta:

— “Blanco y Negro”, da Malú, senhor.

Eu sou Gustavo Mioto | miotelaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora