Capítulo 02.

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No sábado, fim da tarde, quando José Rafael e eu estamos jogando PlayStation na sala de jantar, as portas se abrem e aparecem minha irmã Leticia e minha mãe, Jussara

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No sábado, fim da tarde, quando José Rafael e eu estamos jogando PlayStation na sala de jantar, as portas se abrem e aparecem minha irmã Leticia e minha mãe, Jussara.

Assim que as vejo, sei que vamos discutir.

Depois de pausar o jogo, José Rafael olha para elas e resmunga:

— Inferno… o que vocês querem?

— Dê-me um beijo agora mesmo, sem-vergonha, e não faça essa cara.

Censura-o minha mãe.

— Cada dia parece mais seu tio resmungão… Pelo amor de Deus, será que todos os homens desta família têm que ser uns broncos?!

— Mamãe… — protesto.

José Rafael me olha com orgulho.

Entre mim e ele existe uma conexão maravilhosa que nenhum dos dois permite que alguém quebre.

— Mamãe, o que é aconteceu? — pergunto, contrariado.

Leticia joga sua bolsa no sofá e murmura:

— Ah… meu irmãozinho, você é sempre tão simpático!

— Leticia, quer calar a boca?! — replico.

— Calar a boca, ela? — murmura José Rafael.

Leticia, que é um turbilhão de loucura desenfreada, aproxima-se do menino e, depois de lhe dar um tapa na nuca, sibila:

— Cale-se você, fedelho.

José Rafael resmunga.

Pede-me ajuda com o olhar e, ao ver que não digo nada, dirige-se a minha mãe:

— Vó, estávamos jogando uma partida muito importante, é um torneio… O que aconteceu?

Minha mãe sorri.

Ela adora nosso pequeno coreano-alemão.

Dando-lhe um beijo na cabeça, explica:

— José Rafael, sua tia e eu precisamos falar com Gustavo.

— Agora? — protesta o menino.

— Sim.

— Mas, vó, eu disse que estamos no meio de um torneio… Não pode ser em outra hora?

— Não. Não pode. Tem que ser agora — afirma minha irmã.

José Rafael pragueja.

Eu o conheço melhor que ninguém e sei que, se não o detiver, ele vai dizer algo inapropriado.

Então, peço:

— José Rafael, vá para seu quarto.

— Mas…

— Eu chamo você para continuar quando elas forem embora. Esta é nossa noite de homens e ninguém vai nos atrapalhar. Prometo!

Ele resmunga, contrariado por haverem interrompido nosso momento, e, de má vontade, sai da sala para ir a seu quarto.

Eu sou Gustavo Mioto | miotelaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora