Capítulo 50.

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Nos dias seguintes, Ana Flávia me ajuda em casa com os e-mails

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Nos dias seguintes, Ana Flávia me ajuda em casa com os e-mails.

Por causa do maldito colírio que tenho que pingar nos olhos antes da cirurgia, não enxergo muito bem.

Ela lê as mensagens que recebo e digita o que lhe dito.

Ana Flávia não só é uma excelente companheira mas também uma secretária perfeita.

À noite fazemos amor e, dependendo do dia, com delicadeza ou com brutalidade.

Eu rio quando ela sussurra em meu ouvido que quer seu garanhão.

Sem hesitar, dou-lhe o que deseja.

Pego-a em meus braços, apoio-a na parede e a penetro.

Durante esses dias, minha mãe tenta nos ajudar, e eu a agradeço por isso.

Preciso saber que ela estará ao lado de Ana Flávia quando eu não puder.

Sei que as duas se apoiarão mutuamente.

A cirurgia se aproxima.

Reconheço que estou tenso.

E se algo der errado?

E se eu não recuperar a visão?

E se, depois de tanta preparação, não adiantar nada?

E se…?

Não paro de pensar.

Converso com Santana.

Meu amigo tenta me tranquilizar, mas a angústia não diminui.

Estou me torturando com o que pode vir a acontecer, deitado na cama com uma máscara de gel gelada sobre os olhos.

Sinto que Ana Flávia se deita ao meu lado.

Ela se aproxima de minha boca e diz:

— Oi, sr. Mioto!

Ouvir isso me faz sorrir.

Ana e eu só nos chamamos assim em momentos pontuais.

Quando vou tirar a máscara para ver seu lindo rosto, ela me impede.

Eu digo que assim não a vejo.

— Para o que vou fazer, você não precisa me ver — murmura ela, beijando meus lábios.

Sorrio.

Ana está brincalhona e, segundos depois, quando sinto uma pena suave percorrer meu nariz, ela explica que vamos brincar de “Passar a pena”, entre outros jogos, para ver quem aguenta mais tempo sem rir.

Assinto.

Sem dúvida vou ganhar, porque ela tem cócegas até nos cílios.

— O segundo jogo se chama “A caixa dos desejos e dos castigos” — prossegue.

Eu sou Gustavo Mioto | miotelaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora