Gustavo Mioto é um cabeça dura, um alemão que trancou seus sentimentos após perder a irmã, mas quando ele encontra a alegre e desbocada Ana Flávia seu mundo vira de cabeça pra baixo, ele se vê fascinado por essa mulher, comete mais erros que acertos...
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A manhã do Dia de Reis era sempre especial para mim quando era criança.
Minha mãe nos acordava cedo e nos fazia correr para a sala para ver se Melchior, Gaspar e Baltasar haviam deixado algo.
E, por sorte, os maravilhosos Reis Magos sempre se lembravam de Giana, Letícia e eu, ainda que fôssemos as únicas crianças que eles visitavam em nosso bairro na Alemanha.
Eu não tenho a graça, a imaginação nem a fantasia necessárias para criar o mundo que minha mãe criava para nós, e nunca fiz isso para José Rafael em minha casa.
Enquanto espero que Ana Flávia se levante, jogo PlayStation com meu sobrinho.
Ele está feliz e motivado.
De repente, a porta da sala se abre e vejo Ana Flávia entrar com uma grande sacola.
— Os Reis Magos deixaram presentes para vocês — anuncia com um sorriso radiante.
José Rafael reclama, solta bruscamente o controle do PlayStation e resmunga:
— Espere acabarmos o jogo.
Mas ela não lhe dá ouvidos e prossegue com sua alegria.
Segundos depois, entram Norbert e Simona, a quem Ana chamou, e me olham desconcertados.
Com minha expressão demonstro a eles que não sei nada do que ela inventou.
— Vamos nos sentar perto da árvore. Tenho que entregar seus presentes — diz ela.
Nós quatro suspiramos.
Às vezes, a loucura e a vivacidade de minha mulher são demais para nós.
Quando José Rafael reclama de novo, tenho que brigar com ele.
Não gosto de fazer isso, mas ele não pode ser tão desagradável com Ana Flávia.
A seguir, tentando suavizar o clima, tiro do bolso da calça vários envelopes e, entregando um a cada, digo:
— Feliz Dia de Reis!
Sabendo o que contêm, Simona e Norbert me agradecem com um sorriso e guardam os envelopes sem abri-los.
Vejo que Ana Flávia observa José Rafael, e ele, depois de olhar dentro do envelope, exclama com um sorriso:
— Dois mil euros! Obrigado, tio!
Eu assinto, contente.
Fui prático!
De meu ponto de vista, para evitar problemas, o melhor é dar dinheiro.
Ana Flávia me olha, surpresa, e me pergunta:
— Você deu um cheque de dois mil euros a uma criança?
Assinto e, quando vou dizer algo, José Rafael diz:
— Não precisa fazer essa bobagem de presentes. Eu já sei quem são os Reis Magos.