Christmas Tree

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Pov: Kit

Quando dezembro chegou, nossa casa se encheu de uma alegria palpável, quase como se o ar fosse tingido de dourado e vermelho pelos enfeites que espalhávamos pelos cômodos. O inverno havia tomado conta do mundo lá fora, cobrindo as árvores e os telhados com uma camada suave de neve. Mas dentro de casa, o calor não vinha apenas do aquecimento: vinha dela, da Nina.

- Quinn, você pode pegar as luzes? - ela perguntou com aquele sorriso iluminado que sempre me deixava sem palavras. Eu estava sentada no chão da sala, cercada por caixas de decorações natalinas que haviam sido resgatadas do sótão. Nina, por outro lado, estava de pé, ajeitando os ramos da árvore de Natal artificial que montávamos juntas todos os anos.

Levantei-me e fui até a cozinha buscar as luzes, que Nina havia deixado ali no dia anterior. Quando voltei, ela estava cantarolando uma música de Natal enquanto girava ao redor da árvore, ajustando cada galho com precisão quase obsessiva. A cena era pura magia: o reflexo das luzes suaves do entardecer entrando pela janela, o perfume do chocolate quente que havíamos preparado, e, claro, ela.

- Aqui estão - disse, entregando as luzes a ela. Antes que pudesse me afastar, Nina segurou minha mão.

- Espere. Você tem que me ajudar a enrolar isso na árvore. Lembra do desastre do ano passado? - ela disse, rindo.

Eu não conseguia resistir ao som da risada dela.

- Ok, mas se você enrolar mal de novo, a culpa é sua - brinquei.

Passamos os minutos seguintes trabalhando juntas, nossas mãos ocasionalmente se encontrando entre os fios luminosos. Era uma bagunça sincronizada: Nina insistia que precisávamos colocar mais luzes na parte superior, enquanto eu argumentava que a base estava desproporcional. No final, conseguimos encontrar um meio-termo, como sempre fazíamos.

- Perfeito - declarei ao ligar as luzes. A árvore piscou em um arco-íris de cores, refletindo nos olhos azuis de Nina. Ela me olhou com aquele brilho especial, e meu coração derreteu um pouco mais.

- Ainda falta a estrela - ela disse, segurando o enfeite dourado que sempre guardávamos para o final. Nina insistia que eu fosse a única a colocá-la no topo, uma espécie de tradição que ela criara.

Subi em um banquinho enquanto ela segurava minha cintura para garantir que eu não caísse. Quando a estrela finalmente estava no lugar, descemos juntas e ficamos lado a lado, admirando o resultado.

- É a nossa melhor árvore - declarei, cruzando os braços ao redor dela.

Nina se virou para mim, erguendo uma sobrancelha.

- Você diz isso todos os anos, Quinn.

- Porque é verdade - respondi, encostando minha testa na dela. Ficamos ali por um instante, apenas apreciando a companhia uma da outra. O cheiro de pinho artificial misturava-se com o calor de seu perfume familiar.

Depois de terminar a árvore, passamos para as decorações restantes. Colocamos guirlandas nas portas, penduramos meias na lareira e espalhamos velas aromáticas pelos cômodos. Durante todo o tempo, não havia um segundo sequer em que nós não estivéssemos conversando, rindo ou trocando olhares que diziam mais do que palavras poderiam expressar.

Uma das minhas memórias favoritas daquela noite foi quando Nina decidiu colocar música. Ela escolheu um clássico natalino, mas dessa vez fui eu quem a puxou para dançar no meio da sala.

- Você está louca? - Nina perguntou entre risos.

- Talvez - respondi, enquanto era eu quem conduzia a dança com uma confiança inesperada. Nossos passos eram desajeitados, mas não importava. O som da música, a luz da árvore piscando ao fundo e o calor do corpo dela junto ao meu criaram um momento que parecia saído de um sonho.

E assim que terminamos a decoração, Nina olhou para mim com um brilho nos olhos que dizia tudo o que palavras não poderiam expressar. Sem pensar, me inclinei para frente, e nossos lábios se encontraram em um beijo que era ao mesmo tempo suave e cheio de intensidade.

O mundo ao nosso redor pareceu desaparecer. O calor do toque dela contra mim, o leve perfume que sempre a acompanhava — tudo era tão familiar, mas ainda assim novo. Sua mão deslizou até minha nuca, puxando-me para mais perto, enquanto eu segurava sua cintura como se temesse que o momento escapasse.

Quando finalmente nos afastamos, apenas o suficiente para olhar uma para a outra, ela sorriu, aquele sorriso que sempre me fazia sentir que tudo estava exatamente onde deveria estar.

- Isso foi perfeito - sussurrou, sua voz suave como a neve caindo lá fora.

Eu sorri de volta, com o coração acelerado.

- Isso foi mais do que perfeito. Foi nós.

Moments - KitninaOnde histórias criam vida. Descubra agora