Memories - Conan Gray

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Este capítulo é baseado na música "Memories" do artista Conan Gray, recomendo que para uma melhor experiência escute a música ao ler. :)  

[...]

 Nina estava sentada na poltrona de veludo azul da sala de estar, cercada por uma paz que havia demorado anos para conquistar. Era uma noite tranquila; a única trilha sonora era o barulho das árvores lá fora. Sobre a mesa, repousavam as memórias que antes a assombravam: fotos antigas, cartas amareladas pelo tempo, uma aliança guardada dentro de uma caixa de madeira. Ela não as via há meses, e, para sua surpresa, sentiu apenas um leve aperto no peito ao tocar nelas, não mais a dor dilacerante que a consumia antes.

Havia aprendido a conviver com o vazio deixado por sua ex-esposa. As lágrimas que outra hora inundavam seus dias deram lugar a um silêncio confortável, a um espaço onde Nina finalmente conseguia respirar. Ela tinha reconstruído sua vida peça por peça, e a ausência de Quinn já não era um abismo intransponível, mas uma ferida cicatrizada.

Mas então, a campainha tocou.

Nina hesitou antes de abrir a porta, seu coração acelerando. Quando a porta finalmente se abriu, lá estava Kitsune. O tempo parecia ter sido cruel com ela; seus olhos estavam inchados, o cabelo desgrenhado, e a blusa amarrotada carregava o cheiro inconfundível de álcool. Ela tremia, segurando-se na porta como se a qualquer momento pudesse desabar. "Eu não sabia para onde ir...", murmurou, a voz falhando.

Nina sentiu o impacto da presença de Quinn como um soco. Todo o progresso que havia feito, todas as noites que passara costurando os pedaços de si mesma, pareciam desmoronar diante dela. Kitsune, o fantasma que ela havia conseguido trancar no passado, agora estava ali, em carne e osso, implorando silenciosamente por algo que Nina não sabia se podia dar.

"Quinn, você não pode estar aqui," Nina disse, sua voz firme apesar do turbilhão interno. "Isso... isso não é bom para nenhuma de nós."

A mais baixa ignorou. Ela passou por Nina e entrou na casa, como se ainda fosse o lar delas. Sentou-se no sofá, abraçando os joelhos como uma criança assustada. Nina observava, lutando contra o desejo de estender a mão e confortá-la. Era assim que Kitsune sempre agia: aparecia no momento em que Nina estava quase bem, puxando-a de volta para o caos.

"Eu sinto tanto a sua falta," a de cabelos vermelhos disse, com os olhos fixos no chão. "Eu não consigo fazer isso sem você."

A azulada fechou os olhos, inspirando profundamente. As palavras da Tsukuroi eram uma faca afiada, cortando o tecido da paz que ela havia costurado com tanto cuidado. Mas junto com a dor vinha a raiva, uma chama que crescia cada vez mais forte. "Você não pode fazer isso comigo, Quinn," ela disse. "Eu demorei tanto para me curar. Você não pode simplesmente aparecer e me arrastar de volta."

Quinn levantou os olhos, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela parecia tão frágil, tão pequena, mas Nina sabia que ceder seria se perder novamente. Ainda assim, ela não conseguia simplesmente mandá-la embora. "Você pode ficar aqui esta noite," Nina cedeu, a voz carregada de exaustão. "Mas amanhã você vai embora."

Quinn assentiu em silêncio, recostando-se no sofá, a mais alta foi até o quarto buscar um cobertor, mas quando voltou, parou no corredor. O cheiro de Kitsune já impregnava o ar, um perfume que a fazia lembrar de risadas compartilhadas, manhãs preguiçosas e brigas que terminavam em abraços. Era um lembrete cruel de tudo o que elas haviam sido e de tudo o que Nina precisava esquecer.

Naquela noite, Nina não conseguiu dormir. O som da respiração de sua ex mulher na sala parecia ecoar em sua cabeça, trazendo de volta uma enxurrada de memórias que ela tinha se esforçado tanto para enterrar. "Eu queria que você ficasse apenas nas minhas memórias," Nina sussurrou para o vazio do quarto.

Na manhã seguinte, Quinn estava de pé na cozinha, preparando café como se nada tivesse mudado. Nina a observou de longe, sentindo uma tristeza amarga. Quinn era um fantasma que se recusava a partir, mas Nina sabia que precisava deixá-la ir, mesmo que isso significasse enfrentar a solidão mais uma vez.

Quando Kitsune finalmente saiu, carregando sua pequena bolsa e uma promessa de que "ficaria bem", Nina fechou a porta e encostou-se nela, exausta. O perfume da menor ainda estava no ar, mas Nina sabia que, com o tempo, ele também desapareceria. E, quando isso acontecesse, talvez ela finalmente pudesse respirar novamente.


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Quem é vivo sempre aparece né? Primeiramente queria desejar um feliz ano novo a todos, que os senhos e desejos se realizem. 

Eu sei que eu disse que em dezembro voltaria a postar regularmente, mas acabou que eu tive um puta bloqueio criativo e fui viajar tbm, eu tava conseguindo postar só as mini au's que eu fazia quando tinha um tempo livre, então me desculpem mais uma vez. 

Eu decidi que vou finalizar Moments. Esse ano vou estudar em período integral, das 7:00 às 17:00, então não vou ter tempo pra praticamente nada, e como vou para um lugar novo quero me dedicar o máximo possível. Queria agradecer a cada um de vcs que leu e me acompanhou até aqui, muito obrigada mesmo amo vcs ❤️‍🩹🫶🏻

Obs: Vou estar postando de vez em quando umas au's ou pov's no twitter, e aqui talvez, então me sigam lá @allycass__ 

Moments - KitninaOnde histórias criam vida. Descubra agora