Doce Christopher P.2

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— Você não precisa ir embora. - Ele falou infeliz.

Ela engoliu em seco.

— Você realmente merece amigos melhores Christopher... Eu não sou uma boa pessoa.

— Cala boca e senta aí. - Ele falou revirando os olhos. — Não começa por favor, você é a única que sempre foi sincera comigo e não me tratou como se eu fosse uma flor mesmo tendo me conhecido depois do acidente, oque eu mereço é que você não tire isso de mim, e sei lá, se você acha que não tá sendo boa pra mim... Melhore, como você mesma falava.

Ela sorriu, e retornou lentamente sentindo seu coração palpitar.

— Ah... Eu queria muito me lembrar de mais coisas, mas... - Mas você não foi importante o suficiente pra tal esforço mental, porque eu sou uma vacilona que não valoriza as pessoas certas. — Eu me droguei e tive alguns apagões, então minha cabeça consumiu algumas coisas. - Ela mentiu se sentindo mal por não se lembrar dele.

— É Oque?! Você usou drogas? Não tá usando mais né? Nossa Aly, não sabia que tava tão mal assim, eu que me sinto mal por não estado com você nesses momentos.

Tá, exagerei, talvez eu não fosse tão ruim assim. Mas tudo indica que eu era uma pessoa bem perturbada, eu não me surpreenderia se também usasse drogas ou bebesse.

— Tá de boa, relaxa, sério, eu tô ótima agora.

— Eu tô vendo, você está jovem e saudável como uma manga reluzindo ao sol. - Eles sorriram juntos.

— E você, como tá? Oque tem feito? - Ela perguntou descontraidamente.

— Bem, depois que agente parou de se falar eu tive uma porrada de crises e não consegui continuar a fisioterapia. - Ela tornou sentir um nó em sua garganta, tornando visível a culpa em seus olhos. — Mas tá tudo certo, os médicos falaram que eu não vou "enferrujar" se passar um tempo cuidando da cabeça primeiro, só vai ser mais difícil voltar depois, mas não faz mal, eu consigo.

Ela sorriu fraco, mas rapidamente se recompôs trazendo algunas verdades a mente.

Eu não posso falar muito porque não conheço essa gente, mas quase certeza que não salva um. Até ele deve tá metido em algum podre, até porque... Adolescente, cheio de dinheiro, parte de um grupinho intocável e só foi "meio" excluído agora, boa coisa não era.

— Ah mas isso agente muda rapidinho! Você vai voltar a fazer a fisioterapia hoje ainda, porque próximo rolê da galera eu quero ir com você! - Ela disse fingindo confiança e rezando pra funcionar.

— Sim, senhora! - Ele brincou batendo continência.

— E aquele babaca daquele seu amigo, como tá? - ela blefou mais uma vez, interpretando que pela estranha relação que mantinham, era assim que costumava trata-lo.

— O Filiph?- A expressão do garoto mudou drasticamente, aparentando estar mais abalado do que quando falaram sobre o passado.

— Sim.

— Ah... Você sabe... Ele continua... Um babaca. - Ele parecia receoso, como se omitisse uma informação importante.

— Deixa eu adivinhar, ele fez algo estúpido de novo, né?

— É... Ele tava tendo uns problemas com a namorada e isso foi ótimo pra nossa amizade, até eu...

Ela molhava os lábios ansiosa por qualquer coisa que fosse, mas Christopher parecia inseguro, como se não devesse estar falando aquilo.

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