Após alguns minutos de puro pânico e ansiedade, o ódio e a exaustão mental já haviam a dominado.
Ela não poderia confiar nem em si, pois "si", a queria mal, "si" estava a destruindo. E aquele maldito homem, era o único que tinha todo o poder e controle sobre ela, e ele contribuía com sua destruição eminente sentindo satisfação e até prazer no processo.
Chega de chorar, chega de implorar, essas pessoas não se importam comigo. Se eu não fazer alguma coisa, ninguém vai, isso não vai parar.
A menina já não era mais a mesma, estava disposta a literalmente tudo pra recuperar o controle do próprio corpo ou parar aquela situação. Então conforme sentia sua consciência lentamente recuperar o poder do corpo, ela contraia o maxilar em uma tentativa quase imperceptível de ter controle.
Precisava fazer algo antes que aquilo terminasse em uma transa. Era sua única necessidade.
Ao notar que estavam estacionados na curva de um moro, ela sorriu com frieza, e sem que os dois pudessem perceber, empurrou o freio de mão com o pé, soltando-o, e saiu da primeira marcha, fazendo o carro descer lentamente.
Se o Tyler não vai ser meu, ele não vai ser de mais ninguém. E com certeza, não vai ser de uma vadia sem coração falsa e manipuladora.
— Eu já falei que eu sou você, deixa de ser maluca! - A impostora disse sem paciência pronta para punir a si mesma de uma forma mais rígida.
— Oque? Alisson! Acho que o carro tá descendo.- Ele falou tranquilo, e ainda tendo aquilo só como desconfiança, afastou Alisson com cuidado de sua frente, sem tira-la do colo.
— Puta merda! Sim, o carro tá descendo! - Ela respondeu boquiaberta olhando para trás. — SUA DESGRAÇADA, OQUE VOCÊ FEZ? - A menina perguntou puxando o próprio cabelo com tanta força que levou o próprio corpo a bater contra o vidro do passageiro, desequilibrando ainda mais o carro.
— Merda. - Ele murmurava tentando recuperar o controle da situação.
Inutilmente, Tyler tentou parar o carro enquanto ignorava a perturbada a seu lado, porém, conforme desciam o morro silenciosamente o veículo ganhava velocidade e se afastava cada vez mais da estrada.
As rodas dianteiras derrapavam no barro e folhas. O carro deslizou de lado, e por um breve segundo tudo pareceu desacelerar. O som dos pneus deslizando, os grunhidos desesperados. Em um último gesto, Tyler puxou Alisson pra si novamente, envolvendo seu corpo em um abraço.
Então veio o impacto.
Um estrondo ensurdecedor marcava o vidro estilhaçando, e a parte lateral se amassando contra o tronco de uma árvore grossa. O carro sacudiu com violência. Tyler foi lançado contra o painel, e Alisson bateu a cabeça com força no vidro lateral.
Em seguida, tudo ficou em silêncio.
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Doce Caos
Mistero / ThrillerEssa história contém muitos temas sensíveis como; Abuso psicológico. Violência doméstica. Agressão. Sequestro. Feminicídio. Homicídio. Tortura. Sexo. Pessoas sensíveis a isso, por favor, evitem ir a fundo nessa leitura.
