Sabotada

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— F-iliph... - Sua voz saiu em um filete frágil ao se virar e notar o rapaz.

Imediatamente, quando seus olhos se cruzaram, sentiu vontade de fugir, mas permaneceu ali, imóvel.

— Achei que tinha esquecido da sua família. - Ele estava prestes a abraça-la, e congelada, ela não iria se opor, mas como um anjo, uma figura familiar apareceu para salva-la.

— Oii! - Era Maria, que exalando animação por vê-la quase a jogou no chão.

— Oque essa menina tá fazendo aqui? - Gzabel perguntou sem nenhuma discrição.

— Elas se conhecem? - Emily questionou.

— Eu chamei, Maria é minha convidada de honra. - Kisha respondeu.

Por algum motivo, Alisson ainda mantinha o olhar frio de Filiph em sua mente. Saber que ele estava tão próximo, a mantinha desconfortável e em estado de alerta.

Ele é o principal suspeito de um estupro e possivelmente do desaparecimento de outra garota, é normal que eu esteja desconfortável perto dele. Devo me recompor rápido, antes que percebam algo estranho.

— Maria! Que bom te ver aqui! - Kisha disse abrindo os braços para um abraço. — Trouxe oque te pedi?

— Claro. - Maria disse tirando uma pequena sacola do bolso. — 5, né? - Ela abriu um sorriso tirando pequenos saquinhos coloridos da sacola, que mais pareciam pirulitos sem palito.

— Isso. - Kisha, pegou suas balas.

Gzabel pareceu murchar instantaneamente que viu aquela sacola, mas não se permitiu demonstrar.

— Vamos pro quarto, tigrão? - Ela parecia querer manter Filiph longe de Maria, longe de Kisha, longe das balas e possíveis outras drogas.

— Oque? Claro que não! Vamos todos pra Idro! - Alisson decretou se lembrando do quarto trancado que deveria ser evitado.

Gzabel a lançou um olhar de reprovação, mas sorriu em seguida, e concordou.

Conforme bebia sua batida sem álcool, e caminhava rumo a tal hidromassagem  Alisson sentia sua pressão subir e cair, sua visão escurecer e voltar, algo não estava nada certo.

Ela não se lembrava de como, mas se encontrava de blusão e cueca na Idro com as demais.

De repente, tudo parecia lentamente assumir uma paleta de tons azul, rosa, e lilás, com um dourado brilho mágico.

— Ogico? gico? Zoológico? - Ela fez uma careta encarando alguém, suas vozes estavam abafadas, como se estivessem falando através de um rádio debaixo d 'água.

Era difícil identificar quem falava oque, como se estivessem com delei.

— Eu tô passando mal...- Ela não sabia quem havia dito aquilo.

— Oque? - Os lábios finos e delicados se mexiam, mas Alisson não conseguia entender oque Emily estava dizendo. Ela parecia tão brilhante, como uma borbotela. — AjuDa?... EU...Levo p...- Alisson fez uma careta, mas concordou, aquilo parecia uma ótima ideia, mesmo sem saber do que se tratava, parecia certo ajudar as pessoas. — veM. - Emily chamou oferecendo sua mão pra fora da sauna.

Alisson podia jurar que ela tinha asas.

— Eu ... NãO...LeVar. - Oque a Maria tá falando? Ela não quer que Emily ajude as pessoas?

Cala boca Maria. - Que grosseria, alguém mandou Maria calar a boca.

Maria encarou Alisson, parecia estar brava, chateada, reclamando de algo, mas isso já não importava. Alisson estava sendo guiada por uma borboleta incrível e de bom coração para ajudar as pessoas, e isso era tudo oque importava.

— Emília...

Emília precisa de ajuda.

— OqUe?...Ão,... EmiLY. D

Conforme caminhavam, Alisson se sentia cada vez mais feliz, ela queria dançar, pular, gritar, mas por algum motivo, seu corpo não era capaz de acompanhar seus pensamentos. Sua respiração dava indícios de um ataque de asma eminente, cujo qual ninguém havia notado.

Entre flashes, luzes, risos, músicas, ácidos em bebidas batizadas por pessoas nas quais acreditávamos ser minimamente confiáveis, Alisson se perdeu por completo. A realidade se desfez, e tudo ficou escuro.

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