Saudades

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Seguindo as instruções da outra Alisson, a qual a "nova Alisson" decidiu chamar de "a original", a garota desceu ao andar térreo, aonde do lado de fora do apartamento, Filiph gritava, putasso com alguém no celular.

Agora, a calçada estreita da rua bem iluminada por postes altos e brancos, cercada por árvores bem podadas e carros caros, parecia a frente de um boteco, aonde uma pequena multidão de jovens que estava na festa, assistia o barraco com curiosidade.

- Oque aconteceu? - Alisson perguntou a Maria.

- Algum roda dura bateu no carro do pai dele, que ele pegou ESCONDIDO. Agora ele tá fudido. - Maria coçou o nariz para esconder sua satisfação.

Alisson se animou já imaginando o possível culpado.

- Viram quem foi?

- Não. Vamos olhar nas câmeras, mas parecia um carro alugado, pela placa.

Ela disfarçou um sorriso, mas sentiu seu estômago revirar ao pensar nas câmeras.

Quando menos esperavam, o carro vinha voltando, e Filiph, revoltado, foi pro meio da pista, certo de que aquilo forçaria o motorista a parar, mas diferente do esperado, ele foi atropelado, e teve seu corpo arremessado contra a fachada de vidro de uma loja próxima, que se quebrou como se não fosse nada.

- MEU DEUS! - Maria gritou.

- Filiph! - Alguns gritaram em uníssono.

Aproveitando a agitação e a preocupação dos jovens, Alisson aproveitou a deixa para se retirar e saiu correndo rua a baixo atrás do veículo.

Mesmo estando rápido, ela sabia que se fosse quem ela esperava, pararia em breve. E além de seu ótimo preparo físico, as substâncias duvidosas em seu corpo a ajudavam a continuar tranquilamente.

Depois de uns 5 quarteirões, em um beco, a menina finalmente alcançou o carro, que havia estacionado e apagado tudo, quase a fazendo passar direto.

Ela bateu no vidro.

As janelas estavam cobertas com insulfilm, impossibilitando a identificação do motorista.

Rapidamente, a janela se abriu e um enorme braço a puxou para dentro, colocando-a em seu colo. Ele fechou o vidro e engatou a ré, manobrando para sair do beco.

Estava sem camisa, de bermuda, e usava uma balaclava.

- Puta que pariu, não faz isso nunca mais! - ele tentou repreende-la, mas foi interrompido por um beijo em êxtase.

- Acho melhor você dirigir rápido. É bem provável que algum amigo do Filiph tente bancar o herói e venha atrás da gente. - Ela respondeu.

Tyler pigarreou, tirou Alisson do colo e voltou a prestar a atenção na estrada.

- Que carro é esse? - ela perguntou, observando o painel moderno e o ronco alto do motor.

- É um dos carros do próprio Filiph, montado graças ao tráfico ilegal de peças importadas.

Alisson sorriu.

- Você é um gênio! - Animada, ela depositou outro beijo em sua bochecha encapuzada e colocou a mão sobre sua cocha. - Nunca imaginei que fosse sentir sua falta.

- É pra eu me sentir feliz ou ofendido? - Ele sorri. - Mas... Também me senti minimamente afetado por sua ausência.

Ao olhar pro lado, Alisson ainda podia ver a original sentada, os efeitos ainda não tinham passado, por um milésimo de segundos, sua versão sensata parecia apoia-la, e além disso; incentiva-la, como se também estivesse excitada com a adrenalina e velocidade.

- Olha a bermuda dele, o pau tá marcando. Acho que ele ficou felizinho com o beijo. - A original falou.

- Meu Deus cala a boca. - Ela disse sentindo seu rosto enrubecer.

- Oque? Mas eu não falei nada! - Tyler disse com um sorriso confuso.

- Tô falando sozinha. - Ela disse nervosa, tentando não encarar aquele volume.

- Alisson, porque não toma outra balinha? Assim eu assumo o controle de novo.

Oque? Como assim, porque eu teria "balinha" e como assim "de novo"? - Ela pensou encarando a situação própria. Achei que por minha culpa agente tinha acordado pelada em uma cama estranha, mas agora tô achando que a culpa não é tão minha, né?

- Aposto que achou que tínhamos apagado a noite toda e só acordamos agora pouco, de madrugada, né? - A menina sorriu maligna. - Está redondamente enganada... Pelo menos eu, me diverti pra caralho.

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