Em direção ao problema.

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- Até você...? - Ela questionou com um sorriso, fingindo esperar uma resposta engraçada ou idiota para disfarçar a ansiedade.

- Sabe a Duda? - Ele da uma pausa.

- A "branquinha"? - Ela faz uma referência ao user da garota.

- É.

- Oque tem ela?

- Sei lá... Parece que o Filiph nunca desencanou dela, continua mandando mensagem e insistindo... - Christopher parecia cuidadoso com as palavras, como se estivesse pisando em ovos, evitando falar demais. - e cara, eu até diria que é deprimente, e injusto com a namorada dele, mas vai bem além disso, chega a ser doentio o quanto ele parece obcecado pela Duda.

Ela abriu ligeiramente a boca.

Descobrir que aquela mesma menina do diário, ex de infância de Filiph e paixão secreta de Emília, ainda era o ponto fraco do principal suspeito do desaparecimento da irmã de Tyler, era no mínimo útil.

Ela não sabia exatamente oque faria com essas informações, mas Tyler com certeza saberia. Se ele não fosse tão instável, talvez ela pudesse compartilhar suas descobertas e receber ajuda para planejar algo.

- Ally? - Christopher a chamou, estralando os dedos, tentando traze-la de volta a realidade.

- hum? Perdão, eu tô um pouco chocada. Ele não estava com a Gzabel?

- Exatamente, fiquei bem decepcionado quando descobri, também. Mas você sabe como a Duda é, ela nunca faria nada a respeito pra evitar problema.

Eu sei como a Duda é? Eu não sei nem como você é, e olha que somos "amigos".

- É, eu sei bem. - Ela mentiu se cansando de ficar em pé, e se aproximando da cama.

- Cara... Se eu fosse a Duda chamaria a polícia. Ele é meu amigo, mas exatamente por conhecer ele tão bem, as vezes tenho medo.

Um calafrio de satisfação percorreu por sua espinha, apesar de aquilo não ser um bom sinal, ela se sentia perto da verdade.

- Olha Christopher, me perdoe, mas se você realmente é amigo do Filiph, deveria se envergonhar por dizer algo assim. Nós deveríamos ajuda-lo, não deixar uma situação como essa acontecendo porque temos medo. Afinal, a única vítima aqui é a Duda.

Alisson falava com convicção, como se realmente se importasse ou acreditasse nas próprias palavras.

No fundo, seus reais objetivos se dividiam entre ajudar Tyler e recuperar suas memórias, e isso trazia uma série de ações e pensamentos inconsistentes, já que acabava tendo conflitos de interesse por não poder admitir a perca das memórias e sair pedindo ajuda.

Christopher parecia levar a sério cada palavra proferida pela garota, e ela se sentia minimamente relevante por isso, afinal, não estava acostumada a receber tanta importância.

Se movimentando através da cadeira, ele foi até porta que dava pra varanda, com vista pra piscina.

- Alisson, eu sou muito grato por sua sinceridade. Você sempre abre meus olhos. - Ele se virou para encara-la. - Não queremos que aconteça com Duda o mesmo que aconteceu com Emília, né? - Ele riu baixo, como se fosse uma piada.

Aquilo quase a desestabilizou completamente. Como ela poderia ser tão inocente ao ponto de acreditar que ninguém saberia a respeito do caso Emília? Mesmo que tivesse sido encoberto, todos secretamente pareciam saber que algo ruim havia acontecido, mas ninguém queria falar sobre.

- Para se falar merda Christopher. Você é retardado? - Ela pergunta sem paciência.

Era como se aquilo fosse uma ofensa direta a Tyler, como ele ousava desrespeitar a memória de uma garota desaparecida? Só deus sabe o que Emília passou.

- Eu tô brincando, calma. Só quis dizer, que da mesma forma que algum maluco fez alguma coisa horrível com a Emília, o Filiph poderia facilmente ser o maluco que faz algo com a Duda, é uma piada nossa. Não lembra? - Ele a olhou. - Você sabe, sobre os homens rejeitados.

Ela suspirou .

- Me desculpa. Lembrar que tem uma garota desaparecida e ninguém fez nada para encontrá-la me deixa muito mal. Poderia muito bem ser uma amiga ou irmã nossa .

- Você tem razão, foi super sem noção o o que eu falei. Aliás, o Filiph não é tão zuado da cabeça assim. Eu acho.

Ela sorriu.

- Tá tudo bem. Como amigos, so acho que deveríamos ajudar ele antes que piore.

- Você fala... Aconselha-lo?

- É, exatamente. Nós deveríamos falar com Filiph, para tentar ajudá-lo.

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