Quando Alisson finalmente recobrou sua consciência, demorou alguns segundos pra assimilar a realidade a sua volta; os escuríssimos e altos pinheiros pareciam girar em uma confusa dança noturna.
O celular de Tyler indicava 04:02, justificando o terrível frio que entrava pela janela quebrada, a fazendo sentir falta do aquecedor comprometido.
Apesar de tudo, estava sozinha, lúcida, sem a presença de sua "sócia maligna", oque a fez gargalhar.
"- Eu ganhei."
Seu sorriso se desfez rapidamente ao notar que o enorme buraco que permitia a entrada do frio havia sido causado pelo corpo de Tyler, que já nem mais estava presente no carro.
Aos prantos, ela se desprendeu do cinto e saiu rapidamente indo em busca do corpo.
Desacordado, Tyler sangrava por incontáveis lugares.
"- Você tá aí? Pode me escutar? Eu preciso de você, não sei oque fazer." - Ela sussurrou entre suas lágrimas.
-Tyler, você tá vivo?- Questionou apressadamente removendo o corpo que de ponta cabeça, sendo pressionado pelo capô, havia sido esmagado contra uma árvore.
Como se o peso de Tyler não fosse o bastante, seu corpo ensanguentado escorregava por entre os dedos magros de Alisson, dificultando a mobilidade. Mas com muito esforço, ela conseguiu deita-lo ao chão.
-Me perdoa, me perdoa, eu nunca...- Ela interrompeu suas lamentações ao ouvir uma voz não muito distante. - Você tem que acordar agora, caralho! - Ela disse estapeando com força o rosto do desacordado.
Às pressas, ela correu até o carro e desligou o farol.
Por muita sorte ou muito azar, era uma noite sem lua ou estrelas, escura, Oque expunha facilmente o casal a possíveis perigos noturnos, e por outro lado, os escondia disso.
Lentamente, Alisson arrastou o corpo de Tyler com o pouquíssimo apoio da luz do próprio celular. Ela precisava sumir dali, eles precisavam, mas abandona-lo ali, não era uma opção.
"Se aquela imbecil estivesse aqui, talvez saberia oque fazer..."
O corpo pesado engolia cada vez mais a fundo os cacos de vidro do parabrisa conforme era arrastado lentamente pelas folhas molhadas. Vê-lo sem camisa naquele frio só a deixava mais infeliz, mas ao menos, agora ele estaria escondido entre as folhas e lama até acordar.
Após longos minutos, as vozes pareciam ficar distantes e voltar, como se alguém rodeassem a estrada.
"As marcas de roda."
Alisson pensou enquanto procurava algo no carro, que por sorte, estava sendo usado por Tyler, era impossível não ter uma arma ou faca ali.
"Merda, como não tem absolutamente NADA?!" Ela se questionou revoltada ao não encontrar nada que pudesse usar para se defender.
Após se multilar não intencionalmente arrancando um pedaço de vidro do carro, ela se arrastou morro a cima com o enorme caco nos dentes e terra nas unhas.
Ao finalmente chegar no topo, as vozes não estavam tão mais distantes, pelo contrário, um homem usando a lanterna do celular examinava a área enquanto conversava com alguém.
Rapidamente, aproveitando que a lanterna ainda não a alcançava, Alisson desfez o rastro da roda, rezando para que não notassem o carro capotado no final do morro.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Doce Caos
Mystère / ThrillerEssa história contém muitos temas sensíveis como; Abuso psicológico. Violência doméstica. Agressão. Sequestro. Feminicídio. Homicídio. Tortura. Sexo. Pessoas sensíveis a isso, por favor, evitem ir a fundo nessa leitura.
