— Alisson... - O aroma frutado invadiu o quarto – Porque você tá aqui? – A garota perguntou. Sua voz estava abafada, e os olhos, marejados.
Alisson, até então, não havia desbloqueado qualquer memória minimamente insignificante que fosse de Emily, oque a fazia questionar a relevância, a utilidade dela.
— Vem aqui. - Alisson pediu de forma firme, sem monstrar vergonha ou arrependimento.
Emily obedeceu, ficando ao lado da cadeira.
Alisson suspirou, e fitou a loira tentando não transparecer sua falta de paciência, enquanto buscava uma de suas mãos para forjar uma conexão.
— Eu prometi a Gzabel que não falaria sobre isso com ninguém. - Emily se aborreceu e cruzou os braços. — Mas eu confio em você, e sei que não vai contar. - Ela recuperou a atenção da garota. — Ela está se sentindo insegura, e como somos amigas, estou tentando ajuda-la a ter certeza que não está sendo traída, aproveitando que Filiph está entretido, afinal, ele não ia deixar ela ou quem quer que fosse vir aqui e fazer isso.
Emily era próxima de Duda, então, estava bem receptiva aquela história, soava coerente.
— Obrigada por me contar, não tenho porque sair contando isso. - Ela sorriu fraco. — Mas você tá me devendo uma bebida.
Caralho, ela quer me dar.
— Pois quando for pagar, te dou duas. - Alisson levou sua mão até a cintura da garota, a encarando.
— Você não vai me chamar pra sair? - Emily insistiu.
Loucamente, rapidamente, como um coelho. Deveríamos ir pra um lugar público?
— Sair? Não tá gostando daqui? - Alisson perguntou a puxando mais pra perto.
— Claro, tava falando tipo... outro dia.
Alisson sorriu confiante, aquilo era um jogo ganho.
Emily era ser tão delicada e frágil aos olhos que parecia quase intocável.
Era estranho conversar com ela e perceber que não era tão chata ou metida quanto transparecia.
Claramente frustrada com homens, como se sua vida girasse em torno de ser amada, ela buscava desesperadamente a atenção de Alisson.
Ficava tudo muito claro; toda a exposição, os olhares vagos os sorrisos tortos, eram uma espécie de experimento social para descobrir a própria sexualidade.
Enquanto Emily se jogava em uma fraca tentativa de se reencontrar e se conhecer, Alisson se divertia a vendo se perder cada vez mais, só pelo prazer mórbido de assistir o desastre eminente.
— Porque não nos trás mais bebidas? - Alisson perguntou com um sorriso malicioso, mais uma vez planejando se livrar da garota.
Inocente, a menina saiu.
Alisson planejava sumir dali antes de se cansar da situação, mas tudo dependia do que ia fazer em seguida.
Trêmula, ela pegou o celular, desbloqueou a tela, e antes que precisasse buscar pelo contato certo, já estava recebendo uma ligação dele.
— Oi... - Ela sussurrou nervosa ao ouvir a respiração ofegante do outro lado da linha.
- Aonde você tá? - Ele rosnou a pergunta.- Me bloqueou no whatsapp?
— Sem tempo. Eu tô no meio da nossa missão. Tô com o PC do Filiph, mas preciso manter ele afastado do próprio quarto por pelo menos 43 horas pra conseguir baixar tudo pro meu celular.
Ele respirou profundamente.
- Ok... Você tá na casa dele?
Obviamente, diferente de você, eu não teria recursos para tirar esse computador daqui.
— Tô, mas você não pode... você não deve vir aqui.
- Entendi... Acha que consegue trancar o quarto por fora e roubar a chave?
— Acho... - Ela disse observando a chave engatilhada.
- Ainda sim, tem a possibilidade de ele ter uma reserva... Talvez ele deva ficar na casa da namorada, isso resolveria - Ele ficou em silêncio por alguns segundos, parecia pensativo. - Posso cuidar disso.
— Tyler, não posso deixar o celular trancado junto no quarto dele, só dá pra modificar os arquivos pelo computador, então tenho que apagar as gravações de hoje e sair, não vou ter desculpas pra pisar aqui de novo e buscar depois. - Ela disse preocupada.
- Olha, talvez o telefone não precise ficar no mesmo cômodo, só próximo do computador. Olha isso, pelo barulho, vocês estão em uma festa, bebendo, então não seria tão suspeito esquecer seu celular jogado por aí.
Isso é tão... Eu não acredito que liguei pra ele pra ouvir o lado óbvio. Acho que chega de álcool por hoje, definitivamente.
— Tá. - Ela sussurrou. Estava prestes a desligar, mas levou o celular para próximo do rosto novamente ao escutar seu nome.
- Alisson.
— Oi?
- Obrigada.
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Doce Caos
Mistério / SuspenseEssa história contém muitos temas sensíveis como; Abuso psicológico. Violência doméstica. Agressão. Sequestro. Feminicídio. Homicídio. Tortura. Sexo. Pessoas sensíveis a isso, por favor, evitem ir a fundo nessa leitura.
