28|O improvável aconteceu

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Olívia

Um ano depois...

Se alguém me dissesse, há um ano, que eu estaria num rolê de casalzinho com o Noah, eu teria rido tanto que cuspiria até o meu rim fora. Mas olha só, cá estamos: eu, Lyana, Noah... e a nova namorada dele.

Sim. Você leu certo. Ele tem uma namorada agora. De verdade. Mulher. Ser pensante. Estudante de Artes Plásticas, inclusive — mesma turma da Lyana. Coincidência? Talvez. Espionagem passiva? Provável. Mas a garota é um amor, então estou deixando quieto.

O nome dela é Clara. E ela é tipo a versão solar e menos possessiva de mim. Muito fofa. Muito simpática. Muito... tudo o que me obriga a gostar dela mesmo que eu queira manter minha reputação de rancorosa.

— Amor, você ainda desconfia do Noah? — Lyana me perguntou outro dia, enquanto a gente organizava uma noite de jogos pro quarteto.

— Eu não desconfio — respondi, mordendo uma bolacha — eu só não esqueço. Memória afetiva, sabe? Tipo trauma de guerra.

Lyana riu. Me beijou o topo da cabeça e disse que eu era exagerada. Ela só fala isso quando eu tô certa.

Mas a verdade? Noa hmudou. Sério. Ele parou de olhar pra Lyana como quem vê um pôster dos sonhos e começou a tratá-la como... amiga. Só amiga. Tipo, “vou te ajudar ” amiga. Ou “vamos fazer uma surpresa pra Olívia” amiga. E eu, apesar de relutante, fui vendo que ele não tava mais naquele modo “Cara tentando ter um triângulo amoroso ”.

O ponto de virada foi um dia na cantina. Ele e Clara estavam sentados juntos, e ele olhou pra Lyana e soltou:

— Eu finalmente entendi. A gente não escolhe por quem se apaixona... mas pode escolher respeitar quem as pessoas amam.

Eu fiquei com a batata-frita parada a meio caminho da boca. Lyana piscou. Clara sorriu como se aquilo fosse normal. E eu... bom, eu quase levantei e aplaudi. Quase.

— Parabéns, Noah. Demorou, mas você chegou lá — eu disse, com a minha cara 50% surpresa, 50% cínica.

Ele riu. Aquela risada que não era mais envergonhada, nem metida. Era só... leve.

Hoje, a gente sai juntos. Vai pra exposições, joga “Imagem & Ação” (Clara é péssima, mas faz todo mundo rir), e até combinamos fantasia de Halloween. Um quarteto. Quem diria, né?

— Sabe — eu disse esses dias, olhando os três rindo no sofá da minha sala — talvez você não seja tão ruim assim, Noha.

— Uau, isso foi um elogio?

— Foi o mais perto que você vai chegar de um Nobel vindo de mim. Aproveita.

E ele só sorriu, tipo quem entendeu que ser amigo das duas mulheres mais incríveis da faculdade já é vitória o bastante.

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Não sei em que momento da vida eu aceitei dividir minha paz de espírito com mais duas pessoas além da Lyana. Mas hoje em dia, tenho que admitir: o quarteto até que funciona. Tipo... surpreendentemente bem.

A sala do nosso apê virou base oficial dos rolês de sábado à noite. Almofadas jogadas, pizza espalhada pela mesa de centro, e quatro adultos (na teoria) jogando “Imagem & Ação” como se valesse um prêmio em dinheiro.

— Não é um pato! — gritei, quase rasgando o caderno que usávamos pra desenhar. — Isso aí parece um pombo atropelado!

Noha soltou uma gargalhada, batendo palmas.

COMO NÃO TE AMAR? Histórias para pegar e não largar. Descubra agora