Olivia
Acordei com o som do liquidificador.
Sim, esse foi o momento em que percebi que alguém lá embaixo estava acordado. Cozinhando. Preparando o café da manhã como se não tivesse passado a noite ouvindo eu e Lyana reinterpretando o Kama Sutra com efeitos sonoros dignos de pornô.
Abri um olho. Lyana dormia de lado, cabelos todos bagunçados, e o lençol baixo o suficiente pra me distrair completamente.
— Amor… — cutuquei de leve — a Clara tá acordada. E cozinhando.
Ela gemeu (de cansaço, dessa vez) e murmurou com a voz rouca:
— Ai meu Deus… a Clara… ouviu a transando!
— "Ouviu" é pouco. Provavelmente teve visões. Eu devia ter assinado uma autorização de conteúdo adulto.
Lyana rolou na cama, jogando o travesseiro na cara e soltando um:
— A gente devia ter ido transar na praia. Lá pelo menos só os caranguejos iam julgar.
Rimos. Vestimos as primeiras roupas que encontramos — moletom meu, blusa dela, a calcinha eu achei no abajur, não me pergunte — e descemos com a dignidade de quem sabe que vai encarar julgamentos não-verbais em forma de panqueca.
E lá estavam eles: Clara e Noha, na cozinha como se fossem os pais do rolê.
Clara virou de costas com a espátula em punho, cabelos presos numa trança e aquele olhar de "a cozinha tá limpa, mas minha mente não".
— Bom dia, Dorme-gemidos — disse ela, virando as panquecas.
Noha, ao lado, de camisa aberta e café na mão, soltou um risinho.
— Eu disse pra ela parar de ouvir e ir dormir, mas Clara não sabe ignorar sonoplastia envolvente.
Lyana ficou vermelha. Tipo, tomate-cereja em dia de sol. Eu tentei manter a pose.
— Gente… vocês estão exagerando. Não foi tudo isso.
Clara virou pra nós, um prato na mão, arqueando uma sobrancelha.
— Lya… eu ouvi você gritar “ME FODE OLIVIA ” e depois o som da cama rangendo. O que exatamente vocês estavam fazendo?
— A cama é instável! — Lyana se defendeu, escondendo o rosto com a caneca.
Noha gargalhou.
— Ok, não vou mentir, vocês me assustaram no início. Lembrei da época que tive crush em vocês duas. Foi tipo um "flashback de ilusão". Mas agora? Zero gatilho. Só orgulho e trauma auditivo mesmo.
Clara serviu os pratos e beijou Noha na bochecha. Eles estavam bem, tipo, de verdade. O tipo de casal que ainda troca olhares cúmplices e memes no WhatsApp. E vê-los ali, tão em sintonia, fazia tudo parecer… leve.
— Sério, gente — disse ele, se sentando — vocês são um casalzão. Mas talvez um pouco menos sonoro, só pra preservar minha sanidade? Meu ouvido esquerdo ainda tá em negação.
Lyana deu um risinho culpado.
— Desculpa, Noha. Desculpa, Clara.
Clara sentou-se, cruzando os braços com fingida severidade.
— Eu só quero que vocês saibam que se hoje à noite eu ouvir mais uma sílaba indecente, vou jogar água benta pela ventilação.
— E uma GoPro pra vender o conteúdo depois, né? — Noha sussurrou, e eu quase cuspi o café.
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COMO NÃO TE AMAR?
RomantikDuas amigas com gostos completamente diferentes, ou talvez não tão diferentes assim... Olívia é uma nata bad girl. Lyana é meiga e gentil com todos. Olívia é apaixonada há anos. Lyana nem sonha em saber o que Olívia sente. Até que em uma noite, tud...
