Epílogo

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Olivia

Fazia cinco meses desde que nos mudamos para a casa nova. Um sobrado charmoso, com janelas enormes que deixavam a luz da manhã invadir tudo e um jardim nos fundos que era praticamente um convite diário para as borboletas. O apartamento que ganhamos de presente de casamento tinha sido um ótimo começo, mas agora… a família ia crescer. Literalmente.

— Amor? — Lyana chamou da cozinha, a barriga de sete meses começando a pesar enquanto ela colocava a mão na lombar. — Você viu onde eu deixei o livro de nomes?

— Se não tiver entre os nossos vinte travesseiros temáticos, talvez esteja no berço… que você insistiu em montar sozinha ontem — respondi, rindo, entrando na cozinha e beijando sua testa suada.

Sim, Lyana estava grávida. E não era apenas uma barriga aleatória. Era a barriga. Depois de muita pesquisa, exames e um procedimento que parecia ter saído de uma ficção científica, conseguimos: o bebê carregava o DNA das duas. Era nosso. De verdade.

Collin quase desmaiou quando ouviu a explicação genética. Nick chorou — o que ele negará até o fim dos tempos — e jurou que ia ensinar tudo de futebol pro sobrinho ou sobrinha (mesmo que ninguém tivesse perguntado). Minha família também reagiu bem. Dante virou um tio babão em potencial e meu pai… bem, ele comprou um coelhinho de pelúcia e fingiu que não chorou enquanto dizia que estava “orgulhoso”.

Matteo, o primo mais fofo do mundo e melhor amigo de infância da Lyana, foi promovido a padrinho automaticamente. Ele e Clara quase entraram numa guerra fria fofa por esse título, até que resolveram dividir. Clara, aliás, virou presença quase diária na casa. Ela e Noha estavam em uma fase ótima — ainda grudados, ainda apaixonados, e agora mais maduros.

Um sábado à tarde, enquanto todos estavam sentados no quintal, aproveitando um churrasquinho improvisado feito pelo Nick (com o Collin supervisionando com cara de chefe de cozinha francês), Lyana olhou para mim com aquele brilho nos olhos.

— Você acha que a gente está pronta? — ela sussurrou, entrelaçando os dedos nos meus.

— Eu acho que a gente nasceu pronta. Só não sabia ainda — respondi, encostando a testa na dela.

O bebê mexeu bem nesse momento, como se concordasse. Clara soltou um “owwwn” tão alto que até o vizinho do outro lado da rua deve ter ouvido.

Mais tarde, Dante colocou música e começou a dançar com a Lyana, girando-a cuidadosamente. Meu pai, de camisa florida e chinelo, ria de tudo com um copo de suco de laranja na mão. Era isso. Era aqui. O futuro que sempre sonhamos — com amor, família, confusão e cheiro de pão caseiro no ar.

Naquela noite, deitada com Lyana na rede da varanda, com a barriga dela apoiada em mim como um planeta inteiro de promessas, eu senti algo que não conseguia explicar em palavras.

Mas ela conseguiu.

— Não sei o que fiz pra merecer tudo isso… — murmurou.

E eu respondi no ouvido dela:

— Você me amou. Mesmo quando não fazia sentido. Mesmo quando eu mesma não sabia como.

O bebê chutou de novo. E a gente riu. Porque agora, até o silêncio dizia "eu te amo".

Três meses depois…

— Cadê a anestesia? CADÊ A BENDITA DA ANESTESIA, MÉDICO?! — Lyana estava na sala de parto, segurando a minha mão com uma força que jurava que tinha quebrado pelo menos três ossos. — Olívia, se você me fez passar por isso pra vir um bebê com seu nariz torto, eu JURO—

— O meu nariz é LINDO! — eu gritei de volta, suando mais do que ela, provavelmente.

— Só se for pra pendurar quadro!

— Minha nossa, elas começaram de novo… — murmurou o obstetra, tentando esconder o riso.

Mas entre uma contração e outra, entre as promessas de vingança cômicas e os "você nunca mais vai encostar em mim" (que eu sabia que eram mentira pura), nossa filha chegou.

Sim, nossa filha.

Veio com os olhinhos apertados, os cabelos vermelhos da Lyana e os pulmões… bom, definitivamente herdou meus gritos. Assim que chorou pela primeira vez, o mundo pareceu parar. Toda a loucura virou música. E não havia mais medo. Só amor. Um amor tão forte que doía bonito.

— Oi, meu bem — Lyana disse com a voz trêmula, recebendo a bebê nos braços, lágrimas rolando enquanto eu me agarrava nela como se fosse flutuar. — Eu esperei tanto por você…

— E ela esperou gritando — completei, e as duas enfermeiras riram junto.

Batizamos nossa filha de Aurora. Porque ela veio como um nascer do sol depois de uma tempestade. Como um novo começo.

Nos dias seguintes, a casa nova virou um ponto de encontro. Collin apareceu com mais brinquedos educativos do que a bebê conseguiria usar até os 10 anos. Nick chegou com um mini uniforme de futebol. Matteo quase teve um treco ao ouvir que seria o "tio favorito" e tentou decorar a parede do quarto com adesivos temáticos (Lyana só deixou porque ele fez isso chorando de emoção).

Clara e Noha chegaram com roupinhas minúsculas e um bolo escrito "Parabéns, mamães" com duas bonequinhas de açúcar de mãos dadas.

À noite, quando todos foram embora e a casa ficou em silêncio, deitei com Lyana e Aurora no meio da cama.

— Você acha que vamos dar conta? — ela perguntou baixinho, com os olhos grudados na nossa filha dormindo.

— Eu acho que… com você, eu daria conta de qualquer coisa. Até de mais um parto, se for o caso — brinquei.

— Ah, não. Isso a gente negocia depois. Bem depois.

E eu ri. Porque era isso. O futuro. A casa cheia. O amor em voz alta. O para sempre em movimento.

E ele tinha o som do choro mais lindo do mundo.

COMO NÃO TE AMAR? Histórias para pegar e não largar. Descubra agora