Lyana
A ideia de falar com a Olívia sobre o futuro me parecia ótima... na teoria. Mas, na prática? Minha namorada é uma mistura entre uma comédia romântica caótica e um episódio de ação com pitadas de sarcasmo passivo-agressivo. O que significava que qualquer conversa séria precisava de um plano. Ou de um colete à prova de ironia.
Esperei até estarmos sozinhas, depois da aula, no quarto dela — o típico cenário em que ela estaria distraída o suficiente pra não desconfiar que algo sério vinha por aí. Eu estava deitada, mexendo no cabelo dela, e ela fazia anotações enquanto bufava pra cada nova palavra do Código Civil.
Perfeito.
— Amor — comecei, e ela imediatamente parou de escrever e me olhou como se eu fosse dizer que tinha matado alguém. Ou pior: que o Wi-Fi caiu.
— Ai meu Deus, você tá grávida? — ela sussurrou, dramática.
— OLÍVIA! — eu ri, jogando uma almofada nela. — Para de ser doida! Eu só quero falar uma coisa.
Ela se recostou no travesseiro, cruzando os braços com aquela pose de “vamos ver a bobagem que vem aí”.
— Eu tava pensando... sobre a gente. Sobre o futuro.
Ela arqueou uma sobrancelha, agora visivelmente interessada.
— Tipo... se a gente pensa em morar juntas um dia. Casar, talvez. Não agora, claro. Mas... você pensa nisso?
Pausa dramática.
Longa.
Longuíssima.
Achei que ela ia rir, ou fazer alguma piada, ou fingir que desmaiou.
Mas aí ela sorriu, daquele jeito só dela — torto, seguro, com fundo de “claro que sim, sua boba”.
E disse:
— Não se preocupe, eu não te disse quando estava te pedindo em namoro, que não era um pedido de casamento AINDA?
Eu pisquei, meio sem acreditar.
— Você pensou nisso desde lá?
— Lyana, eu sabia que era com você antes mesmo de admitir que te amava. E olha que eu sou burra pra sentimentos. Mas não tão burra assim.
Sorri. Meu coração bateu alto, desses que você escuta mais do que sente. Me inclinei pra beijar a testa dela e sussurrei:
— Eu te amo.
— Eu sei — ela respondeu, estilo princesa Leia safada.
No fim de semana....
O plano era simples: um fim de semana na praia. Brisa do mar, cerveja gelada, quatro jovens tentando ser normais.
Spoiler: falhou no primeiro minuto.
Noha esqueceu a mala e apareceu com uma mochila e duas camisetas, dizendo que "ia viver o conceito de liberdade". Clara trouxe três livros, uma prancha de bodyboard (que ninguém sabe de onde surgiu) e protetor solar FPS 150. Olívia trouxe sarcasmo, um maiô cavado que fez até o guarda do hotel tropeçar, e zero intenção de dormir cedo. E eu levei calmantes — metafóricos, ok? Meu autocontrole e dois biquínis que Olívia ajudou a escolher (leia-se: me vestiu como se eu fosse uma Barbie lésbica em férias).
A primeira noite foi regada a pizza, vinho barato e debates existenciais sobre tatuagens de casal.
— Eu acho que é amaldiçoado — disse Noha, já de sétimo copo. — Sempre que fazem tatuagem junta, terminam.
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COMO NÃO TE AMAR?
RomanceDuas amigas com gostos completamente diferentes, ou talvez não tão diferentes assim... Olívia é uma nata bad girl. Lyana é meiga e gentil com todos. Olívia é apaixonada há anos. Lyana nem sonha em saber o que Olívia sente. Até que em uma noite, tud...
