Olívia
Os dias passavam tranquilos, e eu e Lyana, finalmente livres do peso de esconder o que sentíamos, íamos nos permitindo expressar nosso afeto em público, ainda que de forma sutil. Na escola, de vez em quando ela entrelaçava os dedos nos meus ao caminharmos pelos corredores, ou me lançava olhares divertidos durante as aulas. Aquilo, que antes parecia impossível, agora era a melhor parte do meu dia.
Até que, em uma tarde qualquer, enquanto saía da biblioteca, dei de cara com Matteo, que era o novo professor substituto de literatura e praticamente um irmão mais velho para mim. Tínhamos uma relação próxima, mas, por conta de todas as complicações com a minha família, eu ainda não tinha contado sobre meu relacionamento com Lyana. Porém, conhecendo o jeito descontraído e observador e inteligente de Matteo, era só uma questão de tempo para ele descobrir.
Ele me parou no corredor, com aquele sorrisinho que eu conhecia tão bem, o olhar perspicaz já entregue.
— E aí, Liv, como você está? — ele começou, casualmente.
— Tô bem, Matteo. E você, como tá se adaptando à escola? — perguntei, tentando manter o tom leve.
— Bem, bem… Eu já esperava que as coisas fossem animadas por aqui, mas acho que subestimei o quão animadas, especialmente quando vejo minha prima e… — Ele fez uma pausa dramática, o olhar divertido. — …minha melhor amiga de infância tão próximas assim.
Eu senti o rosto esquentar, e ele riu da minha reação.
— Não precisa ficar nervosa, Liv. — Matteo deu uma risadinha e continuou. — Mas me conta, o que está rolando entre você e a Lyana? Vocês estão diferentes… e não me diga que são apenas "melhores amigas" por que esse papo não cola mais.
Respirei fundo, sabendo que esconder qualquer coisa de Matteo seria inútil. Ele sempre me entendia, mesmo sem palavras, e era um dos poucos que conseguia ver através das máscaras que eu colocava para enfrentar minha mãe e o mundo. Além disso, Matteo era alguém em quem eu confiava. Sempre me deu suporte, e eu sabia que poderia contar com ele.
— Bom, já que você percebeu… — Sorri, um pouco tímida. — Eu e Lyana estamos juntas...juntas de verdade.
Ele abriu um sorriso caloroso, o olhar transbordando aprovação.
— Finalmente! — ele exclamou, em tom de brincadeira. — Sempre imaginei que você e Lyana tinham uma química diferente, mas nunca quis forçar a barra. Fico feliz por vocês. Sério, de coração.
A reação dele me encheu de alívio. Saber que Matteo não só entendia, mas também apoiava, era um conforto que eu nem sabia que precisava.
— Obrigada, Matteo — eu disse, sentindo uma onda de gratidão. — Ainda estamos descobrindo como lidar com tudo, mas... ser aceita, especialmente por você, significa muito pra mim, pra nós duas.
Ele colocou a mão no meu ombro, com aquele jeito despreocupado de sempre.
— Olha, Liv, você sabe que não importa o que aconteça, eu sempre vou estar aqui pra te apoiar. E, sobre a Lyana, só posso te dizer que você fez uma boa escolha. Sempre soube que ela seria a pessoa certa pra você, mesmo antes de vocês perceberem isso.
Eu ri, surpresa pela confiança dele.
— Você sempre soube, é? Tá se achando um pouco de mais não acha?
— É, talvez. Mas sempre tive razão, não é? — Ele piscou, voltando a ficar sério logo depois. — Só me promete uma coisa: se precisar de ajuda com qualquer coisa, seja com a família, com a escola, o que for… me chama. Não carrega isso sozinha, tá?
Assenti, sentindo um alívio profundo. Matteo era como um porto seguro, e saber que ele estava do nosso lado tornava tudo mais fácil.
— Prometo. E obrigada, Matteo. Sério.
Ele sorriu de novo, dando um passo para trás.
— Então é isso. Só queria checar como minha prima favorita e minha melhor amiga estavam. Agora posso ir tranquilo.
— Prima favorita? o Dante tá sabendo disso? — perguntei rindo.
— Não! E aí de você se contar isso — falou um pouco alto por que já estava quase virando no corredor.
E, antes de se perder pelo corredor, ele me lançou um último olhar de apoio, algo que dizia muito mais do que as palavras. Aquilo era mais do que uma simples conversa; era uma certeza de que, não importa o que acontecesse, nós duas não estaríamos sozinhas nessa jornada.
Depois daquela conversa com Matteo, me senti ainda mais confiante sobre o que eu e Lyana estávamos construindo. O apoio dele era mais importante do que eu imaginava, e aquela sensação de que teríamos alguém do nosso lado fez com que cada gesto entre eu e ela se tornasse mais natural.
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No dia seguinte, quando entrei na escola, Lyana já estava me esperando na entrada, com o sorriso suave e o brilho no olhar que eu adorava ver. Ao me ver, ela se aproximou e pegou minha mão, ignorando completamente o fluxo de alunos que passavam por nós.
— Bom dia, senhorita — ela disse, me puxando para mais perto.
— Bom dia — respondi, sorrindo. — Tá preparada pra mais um dia de olhares curiosos e cochichos?
Ela deu de ombros, despreocupada.
— Que falem o que quiserem. A única opinião que importa pra mim é a sua.
Senti meu coração aquecer com aquelas palavras, e um pouco de coragem surgiu dentro de mim. Sem pensar muito, me inclinei e dei um beijo rápido nela, bem ali na entrada da escola. Podia sentir os olhares ao nosso redor, mas, pela primeira vez, não me importei. Não era sobre os outros; era sobre nós.
Passamos o dia juntas, e em todos os momentos parecia que o mundo era apenas nosso. Não estávamos mais nos escondendo, e isso fazia cada segundo valer mais. Matteo, claro, deu uma piscadela discreta quando passamos pela sala dele, e saber que ele estava por dentro e apoiava dava um toque extra de confiança. Estávamos construindo nossa história, um passo de cada vez, e agora tínhamos aliados ao nosso lado.
No fim da aula, eu e Lyana fomos até o pátio, onde conversamos sobre o fim de semana e as próximas saídas. Mas no meio da conversa, ela parou de repente, o rosto assumindo uma expressão séria.
— Oli, você já pensou em contar pra sua mãe?
A pergunta fez meu estômago revirar. A imagem da minha mãe surgia na minha mente, e eu sabia que, para ela, nossa relação não seria apenas uma surpresa — seria uma afronta. Ela sempre teve uma visão muito rígida, e a homofobia com a qual cresci me dizia que talvez ela nunca aceitasse o que eu e Lyana sentíamos uma pela outra.
— Eu… não sei se estou pronta pra isso — confessei, sentindo um aperto no peito.
Lyana apertou minha mão, me dando aquele apoio silencioso que só ela sabia dar.
— Não precisa fazer isso agora, Oli. A gente tem o tempo que precisar. Só quero que saiba que estou do seu lado, seja qual for a sua decisão.
Assenti, sentindo os olhos umedecerem. Eu sabia que o momento de enfrentar minha mãe chegaria, mas ter Lyana ali, compreensiva e paciente, era tudo de que eu precisava. Mesmo que o mundo inteiro tentasse nos derrubar, sabia que com ela do meu lado, eu conseguiria superar qualquer coisa.
Naquele momento, decidi que não importava o tempo que levaria ou os desafios que teríamos de enfrentar, eu estava disposta a lutar por esse amor.
Continua....
E É ISSO PESSOA JA ENTRAMOS NOS CAPÍTULOS DA RETA FINAL DE CNTA, POR ISSO CURTAM E COMENTEM BASTANTE, DIGAM O QUE ESTÃO ACHANDO DE TUDO ATE AGORA E VAMOS QUE VAMOS.
BEIJOS.
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COMO NÃO TE AMAR?
RomanceDuas amigas com gostos completamente diferentes, ou talvez não tão diferentes assim... Olívia é uma nata bad girl. Lyana é meiga e gentil com todos. Olívia é apaixonada há anos. Lyana nem sonha em saber o que Olívia sente. Até que em uma noite, tud...
