23| Esperança.

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Olivia

Acordei em um quarto de hospital, a luz fluorescente acima de mim parecia mais brilhante do que deveria ser. Tudo ao meu redor estava um pouco embaçado, mas então ouvi uma voz suave e urgente.

— Olívia! — Era Lyana, segurando minha mão, os olhos ainda vermelhos de tanto chorar. Assim que nossos olhares se encontraram, um alívio atravessou seu rosto. — Graças a Deus, você acordou. Eu… eu pensei que você… — Sua voz falhou, e ela apertou minha mão mais forte.

Tentei me mover, mas meu corpo estava fraco, como se todas as minhas forças tivessem sido drenadas. Fragmentos da cena com minha mãe começaram a voltar à mente. As palavras dela, a faca, o som das sirenes. A revelação sobre minha verdadeira mãe. Era tudo um pesadelo… mas ao mesmo tempo, não era. A dor em meu peito provava que era real.

— O que aconteceu? — perguntei com a voz rouca, embora já tivesse uma ideia.

Lyana respirou fundo, sua voz saindo baixa e trêmula.

— Depois que sua mãe largou a faca, você desmaiou. Acho que foi o choque. Chamei a ambulância, e eles te trouxeram para cá. Você está bem fisicamente, mas… — Ela hesitou, como se não quisesse dizer o resto.

— E a minha mãe? — perguntei, interrompendo seu silêncio. Eu precisava saber.

Lyana desviou o olhar, como se buscasse as palavras certas.

— Ela foi levada pelos policiais. Está sob custódia agora, mas… eles mencionaram que ela pode ser enviada para uma avaliação psiquiátrica. Disseram que o comportamento dela era… instável.

Fechei os olhos, sentindo uma mistura de alívio e dor. Parte de mim queria odiá-la, mas outra parte ainda tentava entender como ela pôde se transformar na pessoa que vi naquele dia. Ela era minha mãe… ou, pelo menos, a mulher que eu achava que era minha mãe. Isso ainda era tão confuso.

Lyana continuou falando, sua voz gentil.

— Seu pai e seu irmão já sabem de tudo. Eles estão aqui no hospital, mas eu pedi um tempo para falar com você primeiro. Achei que talvez quisesse… se preparar. — Ela me olhou, o carinho e a preocupação evidentes em seus olhos.

— Obrigada, Lya. — Apertei sua mão com o pouco de força que tinha, sentindo um calor reconfortante em sua presença.

Ficamos em silêncio por alguns momentos, até que a porta do quarto se abriu. Meu pai entrou, seguido por Dante. O rosto dele estava marcado pela dor e pela culpa, como se carregasse o peso do mundo. Assim que me viu, ele correu até mim, envolvendo-me em um abraço apertado, enquanto eu ainda estava deitada.

— Minha menina… — Sua voz quebrou, e ele parecia não conseguir continuar. — Me desculpe. Eu nunca imaginei que… que ela poderia fazer algo assim.

— Pai… — comecei, mas ele balançou a cabeça, as lágrimas rolando silenciosamente.

— Eu deveria ter percebido. Eu deveria ter visto os sinais. Você passou por tudo isso, e eu não estava lá para te proteger. — Ele parecia devastado, e ver meu pai daquele jeito fez algo dentro de mim se quebrar.

— Não é sua culpa — consegui dizer, minha voz ainda fraca. — Ninguém poderia saber. Ela… ela enganou todo mundo.

Dante se aproximou, colocando uma mão no ombro do meu pai antes de olhar para mim.

— Estamos aqui agora, Livi. E vamos superar isso juntos. — Ele olhou para Lyana, como se reconhecesse a importância dela naquele momento. — E, pelo que parece, você tem alguém incrível ao seu lado.

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