Olívia
Sabe aquele dia que começa normal, café, aula chata, professor falando latim jurídico — e termina com você encarando um cara que claramente está tentando jogar charme pra sua namorada? Pois é. Terça-feira.
Noah. O nome já devia ter me dado uma dica. Nome de cara que se acha protagonista de romance clichê, mas na verdade é só figurante de luxo. Aquele tipo que sorri com a sobrancelha e acha que todas vão desmaiar com isso. Tadinho.
— Então... essa é a Lyana? — ele disse, com aquele tom de “uau, você é linda”, que me fez querer enfiar um Código Penal inteiro na cabeça dele. De preferência de capa dura.
Lyana, que é toda educada, sorriu. Porque ela é um anjo. Um anjo com cara de "Se tentar chagar mais perto, te dou uma aula prática de arte abstrata. No seu nariz." Mas ainda assim um anjo.
— Sim, sou eu — ela disse, estendendo a mão. Que foi exatamente quando ele segurou a mão dela tempo demais. Típico.
Eu, do lado, já estava quase mordendo minha própria língua pra não soltar um “Aperta mais um pouquinho e vou te mostrar onde o direito penal entra na vida real, querido.”
Ele riu. Riu. E soltou:
— Olivia, você tem bom gosto.
AHAM.
Eu pisquei devagar. Aquele tipo de piscada que grita "tá se fazendo de doido ou é de nascença mesmo?"
— Claro que tenho. Por isso ela é minha namorada — respondi, com o sorriso mais falso do Brasil estampado no rosto.
Ele fingiu que não entendeu a cutucada. Claro. Quem precisa de limites quando se tem ego?
Mas foi aí que Lyana — a minha deusa bisexual e plena — se aproximou, me segurou pela cintura e respondeu com a calma de quem tá no controle:
— Olha, Noah... você é simpático. Mas pra ser bem direta: entre você e a Olívia, eu escolheria ela em qualquer vida. Cem vezes. De olhos vendados. E mesmo se ela tivesse acabado de comer cebola crua.
Eu sorri. Larguei o veneno. Ela deu o golpe final.
Noha ficou ali. Parado. A boca meio aberta, tipo um peixe fora d’água tentando entender onde errou. E eu? Eu só pensei: bem-vindo ao show, querido. A estrela aqui sou eu. E a protagonista tá comigo.
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Eu juro por todas as cláusulas do Código Civil que tentei ser madura. Diplomática. Tolerante. Quase uma santa. Mas tem gente que confunde “educação” com “me dá licença que vou me enfiar na sua vida”.
Noah reapareceu dois dias depois, com a audácia de um golpista experiente e o sorrisinho de quem acha que tá no spin-off da nossa história de amor. Spoiler: ele não tá.
— Ei, meninas! — ele disse, como se fôssemos uma dupla sertaneja e ele fosse o fã número um.
Lyana, sempre gentil, acenou. Eu rolei os olhos tão forte que quase vi meu passado.
— Trouxe um café pra cada uma de vocês. Achei que poderiam gostar.
Ele estendeu os copos, todo animado. Como se não fosse estranho trazer dois cafés para um casal. Sutil como uma vaca na biblioteca.
— Ah, obrigada — Lyana aceitou, porque ela é boa demais pra esse mundo. E eu, porque sou educada (às vezes), também peguei o meu. Mas com a expressão de quem está analisando se o líquido está envenenado ou só azedo mesmo.
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COMO NÃO TE AMAR?
RomanceDuas amigas com gostos completamente diferentes, ou talvez não tão diferentes assim... Olívia é uma nata bad girl. Lyana é meiga e gentil com todos. Olívia é apaixonada há anos. Lyana nem sonha em saber o que Olívia sente. Até que em uma noite, tud...
