33| O Casamento.

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Lyana 

Eu sempre achei que o dia do meu casamento seria tranquilo. Um sol bonito, flores alinhadas, trilha sonora de filme romântico e todo mundo chorando discretamente.

Spoiler: só acertei na parte do sol. E do choro. Mas o resto? Um caos adorável.

Começou com Collin correndo pelo salão com uma meia de cada cor e um grampo no cabelo, tentando achar o par do sapato dele. Quando eu perguntei por que ele estava de grampo, ele respondeu:

— É conceito. Estou estilizando.

— Você está atrapalhando a equipe de filmagem, conceito.

Niki, claro, estava tentando manter a ordem com sua voz de irmão mais velho sensato e emocionalmente estável — o que durou até ele ver minha mãe com os olhos marejados e começar a chorar junto. Foi como derrubar o primeiro dominó: a família inteira veio atrás.

Eu me escondi no camarim por um tempo, só pra respirar. O vestido estava impecável. Minha maquiagem também. Mas meu coração parecia estar tocando samba de escola de carnaval dentro do peito.

Então, ela entrou. Minha mãe. Com aquele sorriso de “eu sabia que esse dia chegaria”, mesmo quando eu duvidava de tudo.

— Tá pronta, minha filha?

— Não. Mas tô indo assim mesmo.

Rimos juntas. Ela me abraçou com força, e por um instante, eu senti todas as versões de mim mesmas se encaixando ali: a menina com medo de amar, a adolescente que descobriu quem era, e a mulher que escolheu ser inteira ao lado de outra.

A marcha começou a tocar e eu me posicionei. Dante — irmão da Olívia — estava na ponta, encarregado de filmar tudo com uma câmera pequena que parecia um brinquedo mas custava mais do que meu primeiro computador. Matteo estava ao lado dele, me mandando um joinha discreto.

E no altar... lá estava ela.

Olívia.

O vestido dela era elegante e totalmente a cara dela — sóbrio, lindo, com um brilho que parecia vir de dentro. Ela sorriu quando me viu, e naquele segundo, eu soube que tudo fazia sentido. Cada queda, cada susto, cada luta. Estava tudo culminando ali.

Caminhei até ela com passos trêmulos, mas olhos fixos. Quando parei na frente dela, tudo em volta pareceu desbotar.

— Oi — ela sussurrou.

— Você tá deslumbrante.

— Você também. Mas eu sou suspeita, te acho linda até dormindo de boca aberta.

O juiz começou a cerimônia e eu honestamente não lembro de metade do que ele disse. Eu só sabia que ela estava ali. Segurando minha mão. Com olhos que diziam "a gente venceu".

Na hora dos votos, ela foi a primeira.

— Lyana, eu amei você muito antes de saber que podia te amar assim. E quando percebi que o amor não precisa ser entendido pra ser sentido, me entreguei. Prometo cuidar, provocar, ouvir suas teorias estranhas às três da manhã e ficar do seu lado — até quando for só silêncio.

Minha vez. Respirei fundo.

— Olívia, você me fez querer um futuro. E mais: me fez imaginar ele com detalhes. Com plantas que você vai esquecer de regar e com quadros que eu vou pintar e deixar tortos na parede. Prometo ser tua parceira, tua zoeira, tua casa. Mesmo nos dias em que o mundo parecer de cabeça pra baixo.

Trocamos alianças. Selamos com um beijo.

Depois do beijo, dos aplausos e dos gritos dramáticos de “Eu sabia!”, fomos praticamente sequestradas pelo fotógrafo que tinha a paciência de um pombo com pressa.

— Sorrisinho de quem acabou de casar, por favor. Agora uma olhando pra outra. Agora uma olhando pro bolo. Agora uma olhando pro teto...

— Você quer uma pose com a planta também? — Olívia perguntou, já com a cara de quem ia fugir da lente.

Rimos, tiramos as fotos, e finalmente fomos liberadas para o paraíso: a festa.
E, minha nossa, que festa.

Logo de cara, Matteo pegou o microfone.

— Amigos, inimigos, curiosos da internet... vamos celebrar essa união com um brinde digno de reality show!

Todo mundo ergueu a taça, e o Dante, discretamente, ergueu uma garrafa inteira de refrigerante.

— Essa é a minha vibe — cochichei pra Olívia, que ria segurando minha cintura.

Começou a música. Um mix delicioso de pop, uns funkzinhos bem escolhidos e, claro, uma playlist romântica personalizada que a Mila (a amiga do Collin) fez questão de montar — com direito a “Our Song” da Taylor, uma do Cazuza, e até um pagodinho escondido ali no meio.

Collin foi o primeiro a invadir a pista, arrastando Niki junto. Foi como ver um ataque coordenado de desengonço e entusiasmo.

— Collin tá bem solto hoje — comentei, entre um gole e outro do drink colorido.

— Ele já tá bêbado?

— Ele tá feliz, o que é quase a mesma coisa, depois que o Dylan apareceu na vida dele, meu irmão é outra pessoa, mais feliz, mais interativo, uma pena ele não poder estar aqui hoje.

— É uma pena menos, mas convenhamos que o cara é um dos melhores, obviamente chamariam ele pra missão, ainda bem que não é uma missão arriscada, se não o Collin não estaria assim.

A Clara apareceu dançando com Noha, os dois rindo como se fossem crianças numa pista de gelo. A amizade dos quatro (agora oficialmente o quarteto favorito da faculdade) estava mais sólida do que o salto da tia Sandra — que, aliás, caiu no meio da valsa e levantou gritando “eu tô viva!”.

O pai da Olívia fez um discurso emocionado, daqueles que fazem até quem não tem pai querer arrumar um só pra viver aquilo:

— Nunca pensei que minha filha ia encontrar alguém tão... certa pra ela. Mas ela encontrou. E vocês duas me ensinaram sobre coragem, amor, e sobre como casamento é menos sobre cerimônia e mais sobre parceria.

Chorei. Não vou negar. Olívia também. E até o Matteo fungou disfarçado. (Vi, viu?)

A mesa de doces foi assaltada por Collin, que deixou um bilhete em cima dos brigadeiros:
"Considerem esse meu presente."

Dançamos a noite inteira. Teve coreografia de Anitta com direito a dancinha torta de terno e salto, teve “I Wanna Dance with Somebody” gritada em coro, e um momento em que Niki pegou o buquê que Collin tinha derrubado e gritou:
— ACEITO!
Todo mundo entrou na onda.

Mais tarde, a gente se sentou um pouco pra respirar. Eu tirei os sapatos. Olívia colocou os pés no meu colo. Observamos tudo, meio suadas, descabeladas e tontas de tanto rir.

— E se a gente fugisse agora? Só nos duas. Um quarto, um vinho, e ninguém falando sobre como o tempo voa.

— Você tá me chamando pra lua de mel agora?

— Eu tô te chamando pra fugir comigo pro resto da vida. Que acha?

— Aceito. Mas só se tiver bolo no quarto.

No fim da festa, jogamos o buquê juntas. Clara pegou. Noha aplaudiu como se tivesse vencido um Oscar. E Matteo gritou:

— EU QUE VOU SER PADRINHO, HEIN?

Saímos sob uma chuva de pétalas, abraçadas, com o coração batendo em um compasso só.

E assim começou a nossa nova história.

Próximo capítulo será inteiro só da lua de mel e muito muito hot 🔥🔥🔥🔥

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