Natália e James
"Os vidros espelhados da Fundação Hastings refletiam o céu nublado como se o próprio tempo estivesse hesitando.
A cidade pulsava ao redor, mas ali, naquele prédio luxuoso e silencioso, outra tempestade se preparava para cair
— e tinha nome.
Eu caminhava ao lado de James Hastings pelos corredores frios e impecáveis do 24º andar.
Ele carregava a maleta prateada com o mesmo cuidado com que se carrega uma prova definitiva. Seus olhos estavam firmes. Os meus, estavam em brasa.
Seguranças abriram a porta da sala de reuniões assim que o viram. Do outro lado, todos os sócios da Fundação Hastings já estavam sentados.
Camisas engomadas, expressões calculadas, olhos atentos. No centro da mesa oval de mogno, o homem que dominava a cena: Ricardo Hastings.
Ele ergueu os olhos e franziu a testa ao vê-lo entrar e logo atrás eu Natália Maclein.
— O que está acontecendo aqui?
— perguntou Ricardo, a voz carregada de autoridade e irritação.
— Alguém pode me explicar o que diabos significa isso?
Todos os olhares se voltaram para mim e James. O silêncio na sala parecia vivo, respirando entre eles.
James não hesitou. Deu um passo à frente, firme, e encarou o tio Ricardo com um meio sorriso nada amigável.
— Por que você não pergunta pra sua esposa, Tio Ricardo?
A tensão explodiu num segundo. Alguns sócios trocaram olhares nervosos.
Outros apenas observavam, como se pressentissem que algo muito maior do que uma reunião estava prestes a acontecer.
Sem dizer uma palavra, Eu avançei até o centro da mesa, coloquei a maleta com um estalo metálico e a abri devagar, revelando os maços de dinheiro.
Meu olhar estava fixo em Marisa Hastings, sentada no canto oposto da mesa, tão imperturbável quanto uma estátua de mármore.
Mas os olhos… os olhos diziam tudo.
— Vocês mandaram isso para a minha casa.
— Eu disse, minha voz cortando o ar como lâmina.
— Vocês acharam que podiam comprar o meu silêncio, como compraram tantos outros. Mas dessa vez, erraram.
Marisa não respondeu. Não negou. Não piscou. Apenas observava, como quem avalia uma ameaça antes de decidir como destruí-la.
— Eu não sou um erro escondido que vocês simplesmente podem apagar.
— continuou Natália, firme.
— E vocês não vão mais controlar essa história com cheques, ameaças ou acidentes convenientes. Está tudo prestes a vir à tona. Inclusive o que você vem fazendo, senhora Hastings, para manter o nome da sua família “limpo em meio a tanta sujeira”.
O murmúrio tenso entre os sócios foi imediato. Ricardo se levantou de súbito, batendo as mãos na mesa com força.
— CHEGA!
— gritou.
— Basta de mentiras! Você não tem o direito de vir aqui e…
— E o senhor tem o direito de que tio Ricardo se você mesmo não sabe de nada, o que acontece pelas suas costas?
— interrompeu James, dando um passo à frente.
— Então me diz, tio Ricardo, você conhece mesmo a sua família ou até mesmo a sua esposa?
Sem esperar resposta, James puxou um envelope do paletó e o estendeu sobre a mesa, diante de Ricardo.
— Leia Tio. Em voz alta, se tiver coragem.
Ricardo hesitou por um segundo, mas pegou o envelope com as mãos trêmulas. Abriu, leu as primeiras linhas, e seu rosto empalideceu.
A sala mergulhou num silêncio quase sufocante.
— Isso… isso foi forjado.
— ele disse Ricardo, a voz oscilando entre incredulidade e medo.
— Isso não pode ser real.
— O que foi forjado foi o seu amor.
— respondeu Natália, a voz embargada, mas firme.
— Foi a sua presença, a sua proteção. Você preferiu sumir da vida da minha mãe quando soube que ela estava grávida. Você virou as costas pra nós duas. E sabe por quê? Porque era mais fácil manter a imagem perfeita da Família Hastings do que encarar a verdade.
Eu me aproximei da mesa, o olhar fixo no senhor Ricardo.
— Mas agora... vocês não podem mais negar. Eu existo. E querendo ou não, vou lutar pelo meu direito, aquele que os Hastings negaram pra minha mãe naquela época.
— mas vou trazer toda a verdade. E vocês vão me ouvir, quer queiram ou não.
A maleta ainda estava aberta sobre a mesa. A quantia absurda em dinheiro parecia pequena diante do peso daquelas palavras.
Marisa Hastings continuava em silêncio, mas sua mão apertava o braço da cadeira com força. James reparou.
Ela sabia. Sabia que estava perdendo o controle.
— Você acha mesmo.
— disse ela, finalmente, com frieza.
— que esse teatrinho vai te dar poder dentro da família Hastings?
— Eu não preciso do poder de vocês pra ser alguém. Mas agora que sei quem eu sou, vocês vão ter que lidar comigo. E com o que tentaram esconder que eu sou a única filha de Ricardo Hastings.
Um dos sócios, até então calado, limpou a garganta e olhou para Ricardo.
— Isso é verdade, Ricardo?
— Ela é sua filha?
Ricardo não respondeu de imediato. Apenas fitava o exame de DNA como se fosse uma sentença de morte.
Então murmurou:
— Ela tem o meu sangue.
Natália ergueu o queixo. Não com arrogância, mas com a dignidade de quem carregou por anos o peso de uma mentira que não era sua.
James, ao lado dela, segurou a mão da jovem.
— Viemos avisar. Vocês não vão mais ditar as regras agora sem subornos ou ameaça nós veremos no tribunal.
— Ainda não acabou.
— sussurrou Marisa, olhando diretamente para Natália.
A jovem respondeu com um olhar firme.
— Pra vocês, Não. Pra mim, está apenas começando. Então nós veremos no tribunal quero todos os meus direitos que me negou senhora Hastings.
James pegou a mão de Natália e os dois saíram da sala deixando todos sem palavras, até mesmo Ricardo que olhou pra sua sua esposa e gritou com os sócios.
__Saiam todos Agora! mais você Marisa tem muito pra me explicar.
Marisa...
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O Contrato
RomansaMeu nome é Natália Macklen, e alguns meses atrás, minha vida mudou para sempre. Cheguei a Nova York com uma mala cheia de sonhos e o coração carregado de expectativas. Vinda de uma cidade pequena, onde os dias eram calmos e previsíveis, eu sabia que...
