A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.
Natália Macklen
"O alarme tocou. Eram cinco da manhã.
Desliguei com um suspiro, ciente de que, se quisesse chegar a tempo da entrevista de emprego, não tinha alternativa a não ser levantar imediatamente.
Depois de uma breve higiene, banho quente e roupas apropriadas, preparei-me diante do espelho. Nada muito chamativo
— apenas um brilho nos lábios e uma maquiagem leve, do jeito que eu gostava.
Antes de sair do quarto, o celular vibrou. Uma mensagem do Adam. Mal terminei de ler, ouvi uma batida discreta à porta do apartamento. Fui até lá e abri.
Ele sorriu.
— Bom dia!
— disse ele, com aquele ar despreocupado de sempre.
— Achei que teria que te acordar, mas vejo que já está pronta.
— Bom dia! Sim, coloquei o celular para despertar. Mas e você, o que faz aqui às cinco e meia da manhã?
— Primeiro, vim te levar até o endereço. Quero ter certeza de que não vai se perder... ou que algo te aconteça. Caso contrário, vou passar o dia inteiro preocupado. Segundo, vamos tomar café no caminho.
Sorri, surpresa com a gentileza.
— Deixa eu só pegar minha bolsa. Já volto.
Percebi que ele trouxera dois capacetes. Subi correndo para trocar o vestido por uma calça jeans, uma blusinha confortável e um casaquinho. Calcei um saltinho discreto e, antes de sair, conferi meu reflexo mais uma vez.
Ao passar pelo quarto da Sabrina, vi a porta entreaberta. Ela dormia abraçada a um rapaz desconhecido
— só consegui ver suas costas. Resolvi ignorar a cena. Tínhamos estilos de vida diferentes.
Na porta, Adam esperava com um dos capacetes estendido.
— Esse é pra você. E só pra saber: tem dinheiro pra voltar? Se precisar, me liga. Dou um jeito de ir te buscar.
— Obrigada pelo capacete
— respondi, sorrindo.
— E sim, tenho dinheiro. Mas, se acontecer qualquer coisa, eu te ligo.
Coloquei o capacete, e ele fez o mesmo. Ligou a moto, e seguimos até um pequeno café aberto nas primeiras horas do dia.
Tomamos café tranquilamente. Adam era sempre assim
— simples, presente, um bom amigo.
— Não sei se vou conseguir te pagar tudo o que faz por mim
— comentei, entre goles de cappuccino.
— Você é realmente um grande amigo. Sua namorada tem sorte.
— Não quero que me pague nada, Natti. Somos amigos. Se continuar sendo minha amiga, isso já vale mais do que qualquer coisa que eu possa fazer por você.
Ele sorriu, olhando o celular. Devia ser ela, a namorada.
— Eu pago a conta
— disse rapidamente.
— Já paguei
— respondeu.
— Vamos, senão vou me atrasar. Tenho um jantar com ela hoje. Se me atraso no trabalho, saio depois da hora... e aí já viu, né? Ela me mata.
Rimos.
— Vamos logo então. Não quero ser a responsável pelo seu atraso.
Chegamos ao endereço do lado rico de Nova York. Adam conversou com um dos seguranças da portaria, que parecia conhecê-lo, e logo estávamos diante de uma imensa mansão.
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O Contrato
RomanceMeu nome é Natália Macklen, e alguns meses atrás, minha vida mudou para sempre. Cheguei a Nova York com uma mala cheia de sonhos e o coração carregado de expectativas. Vinda de uma cidade pequena, onde os dias eram calmos e previsíveis, eu sabia que...
