O CONTRATO

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O tempo é um contrato irrevogável.

Natália Macklen

"Será que devo começar a assinar meu nome como Natasha Macklen?

A pergunta ecoava na minha mente como um sussurro inquietante. Eu não queria me arrepender depois. Sabrina havia me aconselhado a pensar bem antes de tomar qualquer decisão. Ela parecia entender mais do que dizia, como alguém que já estivera nesse mesmo lugar… enquanto eu ainda tentava entender onde estava me metendo.

— Senhorita, não tenho o dia todo.

— ...

— Vamos, senhorita.

Terminei meu café às pressas e o segui, sentindo os olhares atentos dos seguranças que caminhavam próximos, discretos, mas presentes. Um deles abriu a porta, e James fez um gesto sutil para que eu passasse à frente. Ao cruzar o batente, senti sua mão firme tocar minhas costas, guiando-me até uma limusine reluzente. Meu estômago deu um nó.

O que estou fazendo?

Tudo em mim gritava que aquilo era errado. Eu estava entrando no carro de um homem que mal conhecia, indo para um lugar desconhecido. E, mesmo assim, entrei. Sem protestar.

— Para onde, senhor James Hastings?

— perguntou o motorista, olhando pelo retrovisor.

— Para meu escritório na empresa, Jake. Obrigado.

Esperei ter ouvido errado. Olhei para James, atônita. Ele sorriu com tranquilidade, como se tudo fosse perfeitamente natural.

James Hastings.
O bilionário. O herdeiro dos Hotéis Hastings.
Seu nome era tão famoso quanto os escândalos envolvendo sua família. Eu o reconhecia das capas de revistas que lia escondida no banheiro, histórias de herdeiros rebeldes, festas privadas e romances explosivos.

— Posso chamá-la apenas de Natasha?

— Como? Ah, claro… esse é o meu nome, senhor James.

— Não me chame de “senhor James”. Isso me faz sentir como meu pai.

— Rsrsrs… tudo bem, James.

Ele sorriu.

— Minha mãe só me chama assim quando está brava comigo.

— Então é melhor eu não te irritar.

— Boa ideia. E, aliás, Natasha é um nome bonito. Muito melhor que “Natti”. Parece uma tentativa preguiçosa de esconder algo especial.

Se “Natasha” fosse realmente o meu nome… talvez eu tivesse me sentido lisonjeada.
Mas apenas sorri. O sorriso dele era bonito. Perigoso. Tranquilizante demais.

A limusine entrou na garagem subterrânea do edifício Hastings. Quando o carro parou, fiz menção de abrir a porta, mas James segurou minha mão.

— Espere. Precisamos garantir que a área está segura.

— Como assim?

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