Natasha

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Acabou, agora estou definitivamente acabada. Obrigado!

Natália Macklen

"O som estridente do celular às cinco da manhã ecoou pelo quarto escuro. Bastou um toque para que eu soubesse: acabou o melhor da madrugada
— aquele breve paraíso chamado cama.

— Bom dia!

— digitou Natti, ainda com os olhos semicerrados pela luz da tela.

A resposta veio quase instantaneamente:

— Pode ser bom pra você, amiga. Eu tô com essa gripe que não me larga

— reclamou Sabrina.

— Ao invés de café, toma chá. Isso ajuda

— sugeri.

— O que me ajuda é trabalhar, mas eu vou voltar pra cama

— veio a resposta curta, cansada.

Suspirei e, mesmo sem vontade, levantei. Caminhei até o banheiro como quem vai para o cadafalso. A água do banho quente foi o único consolo naquela manhã gelada. Depois da higiene matinal e do café rápido, parei no quarto da Sabrina antes de sair. Ela parecia ainda mais abatida.

— Já estou indo, amiga. Se precisar, me liga... mesmo que seja só pra trazer um remédio

— murmurei, tentando oferecer alguma presença no caos dela.

Ela apenas assentiu com a cabeça. Nem força para falar.

Tranquei o apartamento, joguei as chaves na bolsa e desci rumo ao metrô. Como sempre, lotado. Como sempre, abafado. O destino era o hotel onde trabalhava. Turno das sete da manhã às sete da noite. Duas horas de almoço que, na prática, nunca pareciam duas horas de verdade.

Trabalhar no restaurante de um hotel era como viver num campo minado. Um copo quebrado podia custar seu emprego. Um carrinho de pratos virado podia custar sua dignidade. E foi exatamente o que aconteceu naquela manhã.

Duas crianças correndo pela sala de jantar esbarraram no meu carrinho. O estrondo dos pratos se espatifando foi seguido por um silêncio mortal. Todos os olhos se voltaram para mim
— e entre eles, o mais gelado era o do gerente.

— Senhorita Macklen, depois de limpar tudo isso, compareça ao RH do hotel

— ordenou ele, sem qualquer emoção.

Olhei para ele, incrédula.

— Senhor, mas eu não tive culpa...

Ele ergueu a mão, me silenciando com a arrogância de quem se acredita intocável.

— Apenas faça o que eu mandei, senhorita.

Engoli a raiva como quem engole cacos de vidro.

— O senhor quer o lugar limpo? Então limpe você mesmo.

— murmurei, já me virando.

Fui até o armário dos funcionários, peguei minhas coisas e segui direto para o RH.

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