A Hora da Verdade

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   Helena - Daniel - Willian

O fim da tarde tingia o céu com tons alaranjados, mas dentro da mansão Hastings, tudo parecia cinza. O ar era pesado, carregado de dúvidas, raiva contida e um medo que nenhum dos três irmãos queria admitir.

Daniel andava de um lado para o outro no quarto de hóspedes da ala leste, inquieto. Helena, sentada à beira da cama, observava o irmão com os olhos apertados, como se tentando encontrar sentido em tudo aquilo.

— A gente precisa conversar com a Natália

— disse Daniel, quebrando o silêncio. Sua voz era baixa, mas firme.

— Mostrar que não somos seus inimigos. Que não estamos tentando tirar o que é dela.

Helena franziu a testa.

— Você acha que vai ser fácil? Ela tem todos os motivos do mundo pra nos odiar. E, no fundo, nem sabemos o que ela quer de verdade.

Daniel se aproximou da janela, olhando para o jardim lá fora.

— Talvez... talvez ela só queira o reconhecimento. Justiça, sei lá. E se for só isso? Se a gente mostrar que estamos abertos ao diálogo, talvez ela aceite dividir o que é dela.

— O que é dela

— repetiu Helena, com um gosto amargo na boca.

Nesse momento, William apareceu na porta. Encostado no batente, com os braços cruzados e um sorriso irônico nos lábios, parecia estar prestes a se divertir às custas dos irmãos.

— Vocês dois são mesmo ingênuos, não são?

— disse, com desdém.

— Vocês acham mesmo que a babá rejeitada e maltratada por todos nós, a filha que todos os Hastings fizeram questão de apagar, vai querer ouvir nossa versão da história?

Daniel se virou, cruzando os braços, o olhar impaciente.

— E você acha que debochar vai resolver alguma coisa?

William deu de ombros.

— Só estou dizendo o óbvio. A garota foi criada à margem, longe daqui, enquanto a gente vivia no conforto dessa mansão como Hastings. Por mais que ela diga que não quer vingança, vocês acham mesmo que ela vai perder a chance de tirar tudo da gente?

Daniel soltou uma risada seca, quase amarga.

— Engraçado... vindo de você, isso soa quase como medo Wil.

William arqueou uma sobrancelha, provocador.

— Medo? Eu só estou sendo realista. Vocês deviam tentar ser também.

Daniel se aproximou dele, o tom mudando.

— Talvez você tenha mais culpa nisso tudo do que quer admitir, Wil.

William estreitou os olhos.

— E o que isso quer dizer?

— Que você sempre foi o queridinho da mamãe. Sempre esteve ao lado dela. Foi quem mais se beneficiou da mentira trabalhando como diretor nas empresas Hastings. Talvez por isso tenha mais a perder agora.

William riu, mas havia tensão em seu rosto.

— Isso é ridículo.

— RIDÍCULO É A SITUAÇÃO EM QUE ESTAMOS!

— gritou Helena, levantando-se de súbito.

— Vocês estão se acusando como se isso fosse ajudar! O que aconteceu já aconteceu! Não é hora de apontar o dedo

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