A sala de reuniões permanecia em silêncio depois que Natália e James haviam saído.
Ricardo Hastings continuava parado, olhando para o envelope sobre a mesa como se ele tivesse o poder de mudar o passado.
Ao seu lado, Marisa Hastings permanecia imóvel, mas por dentro, seu sangue fervia.
Ela apertava o braço da cadeira com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.
Ao perceber que Ricardo a encarava, Marisa se recompôs, ergueu-se com a graça habitual, alisou a saia de linho bege e pegou o celular com calma calculada.
Saiu da sala sem dizer mais nada.
No corredor vazio, seus saltos ecoaram como uma contagem regressiva. Parou diante de uma janela com vista para a cidade, discou um número que conhecia de cor e aguardou.
Ao ouvir a voz do outro lado, foi direto ao ponto:
— Iniciar plano B.
— Tem certeza, senhora Hastings?
— a voz masculina soou tensa, mas obediente.
— Absoluta.
— Ela olhou para o céu cinzento.
— Quero a Natália eliminada.
Hoje.
A ligação se encerrou. Sem emoção, Marisa guardou o celular na bolsa, girou nos calcanhares e caminhou de volta como se tivesse acabado de confirmar uma reserva para o jantar.
Enquanto isso, no elevador do prédio da Fundação, James e Natália desciam em silêncio.
O peso do confronto ainda pairava no ar, mas havia algo mais
— um instinto aguçado que James havia aprendido a ouvir.
Quando chegaram ao saguão, o segurança particular de James, um homem robusto chamado Felix, os esperava com o carro já ligado na entrada lateral.
— Tudo certo?
— perguntou James, ao se aproximar.
— Até agora, sim. Mas tem um sedã preto estacionado há mais de vinte minutos do outro lado da rua. Motor ligado.
— Felix mantinha o olhar atento.
James apertou os olhos e trocou um olhar rápido com Natália. Ela não precisou perguntar nada. Sabia que a exposição na reunião traria consequências.
— Vamos.
— disse ele.
— Direto pro apartamento.
Felix abriu a porta do SUV blindado, e eles entraram. O motorista acelerou assim que a porta se fechou.
O tráfego estava denso, típico do fim de tarde na cidade. Mas James sentia que havia algo errado
— os carros estavam lentos demais em certos trechos. O sedã preto agora seguia discretamente a duas quadras de distância.
No centro de monitoramento, dois homens assistiam à movimentação pelo GPS instalado no SUV.
— Ela está com o cara. Proteção pesada.
— comentou um deles.
— Instruções são claras. Nada pode dar errado.
— disse o outro, e pegou um fone.
— Hora de entrar em ação.
Na Avenida Perimetral, o SUV virou à direita e entrou numa rua mais estreita, ladeada por prédios comerciais. O rádio do carro chiou.
— Trânsito bloqueado à frente. Caminho alternativo em dois minutos.
— informou o operador da escolta.
— Negativo. Sinto cheiro de emboscada.
— retrucou Felix.
— Dê meia-volta.
Agora.
O motorista obedeceu sem hesitar, mas era tarde demais.
Do beco à esquerda, um carro invadiu a frente do SUV em alta velocidade e bloqueou a passagem.
Quase ao mesmo tempo, tiros estouraram contra os vidros blindados.
— Abaixem-se!
— gritou Felix, puxando a arma.
Do outro lado da rua, dois homens mascarados surgiram com fuzis, atirando sem parar.
O vidro do lado do motorista começou a rachar sob os disparos constantes.
O motorista manobrou o SUV, tentando recuar, mas um segundo carro bloqueou a retaguarda.
Estavam cercados.
James puxou Natália para o chão do carro e a cobriu com o corpo.
Felix saiu pela porta lateral, usando o veículo como escudo, e começou a atirar de volta. Outro segurança saiu do carro de apoio atrás deles e revidou o ataque.
— São profissionais.
— gritou James, olhando ao redor.
— Vão tentar explodir o carro!
— Eu... eu não quero morrer aqui.
— sussurrou Natália, os olhos arregalados, a respiração ofegante.
— Você não vai. Eu prometo.
— James apertou sua mão, firme.
Do alto de um prédio, um terceiro atirador se posicionou com um rifle de precisão. Apontou para o SUV.
Mas antes que pudesse disparar, ouviu um estouro atrás de si. Felix havia subido pelo lado externo do prédio e o derrubou com um único tiro certeiro.
Lá embaixo, os dois homens armados estavam recuando diante da reação coordenada da equipe de segurança.
O motorista aproveitou a brecha, engatou marcha à ré e acelerou, batendo com força contra o carro que os bloqueava atrás.
O impacto abriu caminho suficiente para que o SUV escapasse pela lateral da rua.
Felix saltou do prédio e correu de volta para o carro em movimento, entrando pela porta ainda aberta.
— Estamos vivos!
— gritou, ofegante.
James olhou para Natália, que ainda tremia, mas estava ilesa. Ele envolveu os ombros dela num abraço protetor.
— Isso foi uma tentativa de execução.
— disse ele.
— A Marisa já começou o plano B.
— Ela quer me matar.
— murmurou Natália, finalmente percebendo a gravidade da situação.
— E não vai parar por aqui.
Mas agora você tem provas, e eu tenho aliados.
— James olhou para Felix.
— Vamos direto para o apartamento seguro. Depois, vamos ao tribunal. Ela vai pagar por tudo isso.
O SUV desapareceu no tráfego novamente, enquanto atrás deles os carros usados no ataque pegavam fogo.
O plano B de Marisa tinha falhado… por enquanto.
Mas a guerra acabara de começar.
_________________
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Contrato
RomanceMeu nome é Natália Macklen, e alguns meses atrás, minha vida mudou para sempre. Cheguei a Nova York com uma mala cheia de sonhos e o coração carregado de expectativas. Vinda de uma cidade pequena, onde os dias eram calmos e previsíveis, eu sabia que...
