Capítulo 30

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Se ao menos eu tivesse sido cuidadosa
Eu teria ficado de joelhos
E com certeza eu nunca teria dançando com o diabo

Would've, Could've, Should've — Taylor Swift


— Jogue o cabelo para o lado, querida — o fotógrafo pede com entusiasmo, e eu obedeço com um sorriso treinado, deslizando os fios loiros para o ombro oposto

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— Jogue o cabelo para o lado, querida — o fotógrafo pede com entusiasmo, e eu obedeço com um sorriso treinado, deslizando os fios loiros para o ombro oposto. O flash estala iluminando meu vestido de cetim branco, longo, de caimento impecável e um decote profundo que beira a ousadia.

As luzes da passarela ainda não acenderam, mas o salão já está fervendo com a energia do especial de Ano Novo. Gente importante em todos os cantos, champanhe fluindo, olhos famintos observando.

— Perfeita, Angel. Incomparável! — o fotógrafo exclama, extasiado.

Agradeço com um aceno gracioso, mas meu olhar, instintivo, procura só uma pessoa. Meu Hades.

Ele está à sombra da entrada do camarim, apoiado contra a parede com os braços cruzados. Rosto fechado, queixo tenso. Está assim desde que saímos de Manhattan, guardando algo que me recuso a ignorar. Mesmo assim, ele não desvia o olhar de mim. É como se seu mundo inteiro estivesse cravado no meu corpo.

Agradeço ao fotógrafo com um último sorriso, pego uma garrafa de água e atravesso o espaço cheio de modelos e maquiadores. Chego até ele com passos lentos, hipnotizada pela intensidade dos seus olhos escuros.

— Oi, amor — sussurro, levantando a mão para tocar seu rosto. Sua pele está quente, o maxilar rígido.

— Oi, minha Angel — ele responde baixo, como se dissesse uma oração. Seus dedos puxam uma mecha do meu cabelo modelado com delicadeza, como se fosse seda preciosa. — Está fodidamente linda.

O elogio, cru e sincero, me arranca um sorriso. Me inclino e roço os lábios nos dele, doce e breve. Quando me afasto, vejo meu brilho labial colado na boca dele e dou uma risadinha.

— Agora estamos combinando.

— Sempre estivemos. — meu coração dispara. Por um momento, o mundo parece diminuir. Mas então a coordenadora chama meu nome. É hora. O desfile vai começar.

— Quando acabar o desfile vai ser ano novo — murmuro, apertando sua mão por um instante. Ele a segura firme, como se não quisesse me deixar ir. — E o único desejo que eu tenho é você.

Solto um suspiro antes de me afastar. A trilha começa a tocar, e as cortinas se abrem para o primeiro look. Caminho até a lateral da passarela, onde a assistente ajeita a cauda do meu vestido com mãos rápidas.

Halloween 24Onde histórias criam vida. Descubra agora