Capítulo 28

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Você me verá em retrospectiva
Enroscada com você a noite toda
Ardendo em chamas
Um dia, quando você me deixar
aposto que essas memórias
Seguirão você em toda parte

Wildest Dreams — Taylor Swift

O céu cinza pesava sobre nós quando descemos do trem, a cidade à nossa frente envolta em um frio cortante

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O céu cinza pesava sobre nós quando descemos do trem, a cidade à nossa frente envolta em um frio cortante. O vento carregava o cheiro de chuva e as ruas molhadas refletiam os letreiros piscantes dos bares decadentes que se amontoavam no centro.

Hades ajeitou o casaco, olhando ao redor com cautela, enquanto puxava o meu capuz sobre a cabeça, tentando me misturar à multidão.

Estamos numa cidade pequena da Pensilvânia. Onde Margarida Stanford, uma das fundadores, criou o filho depois de fugir de Manhattan.

A cada nova pista, mais fundo entrávamos nessa teia de segredos e podridão. Margarida Stanford tinha desaparecido dos registros oficiais há décadas, mas seu filho? Ele ainda estava por aí, escondido entre as sombras.

Hades parou na calçada, verificando o endereço rabiscado no diário do Walker Trigon.

— Esse lugar existe mesmo? — perguntei, cruzando os braços. Ele assentiu, apontando para um beco estreito entre dois prédios. Hades me segurou pela cintura e seguimos na direção do beco. O tipo de lugar que você evita, mesmo durante o dia.

— Espero que sim, minha Angel.

Caminhamos lado a lado, passos silenciosos, atentos a cada movimento ao redor. O som de goteiras e um rádio velho tocando blues ecoava pelo beco, mas o que me incomodava de verdade era a sensação de que estávamos sendo observados.

A porta enferrujada de um prédio decrépito estava entreaberta. Hades olhou para mim antes de empurrá-la devagar. O cheiro de cigarro, bebida e algo mais podre tomou conta do ar.

O homem estava jogado em um sofá imundo, cercado por garrafas vazias, restos de comida e cinzas de cigarro. Seu olhar percorreu meu corpo de cima a baixo, lento e nojento, antes de se fixar em Hades.

— Quem diabos são vocês? — o homsm questiona assustado. Hades fechou os punhos, me colocando parcialmente atrás dele.

— Viemos falar sobre Margarida Stanford. — O homem riu, um som grotesco que me fez encolher por dentro. Escondo meu rosto e fico na parte mais escura, para que ele não me reconheça.

— Minha mãe? Hah! Finalmente alguém se importa com aquela vadia. — Meu estômago revirou. Esse homem era exatamente o que nos avisaram que seria. Repugnante, perigoso. — Cuidado, querida. — Ele sorriu para mim, os dentes amarelados. — Aqui, nesse mundo, quem faz as perguntas nem sempre gosta das respostas.

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