Todos os dias parecem os mesmos,
quando as luzes que acendo,
são as mesmas que me apagaram.
Todas as vezes que caminho no escuro,
terminam em ossos quebrados
pelas paredes.
Quem sabe eu devesse desistir,
me jogar ao chão gelado,
esperando que a eternidade
possa ressignificar todos esses caminhos de dor
em quem sabe um poético enigma de amar.
Quem sabe me internar,
em algum lugar onde meus pensamentos não possam chegar,
onde minhas memórias não possam me torturar,
e a beleza dos meus olhos fosse além
dos reflexos que me acompanham,
das luzes que não consigo
apagar.
Eu não sei como sair,
eu não sei como desistir,
eu não sei como me permitir
te deixar
ir, me deixar,
existir.
Eu não sei olhar para o passado,
sem ver meu futuro nele,
eu não sei formular perguntas
que eu não saiba responder,
eu não sei amar o vermelho da paixão,
se as cores das minhas dores
forem opostas.
Suas sombras
são tudo que me restam
da luz,
e nelas vivo.
Como eu sairei desse labirinto,
me pergunto,
idealizando uma resposta.
