Capítulo 49

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Diego

— E ficaram de novo no outro dia, acredita? Eu tô é chocada — a Nathi me contava sobre o Marcelo e a Lauren enquanto íamos pro trabalho.

— A mudinha tá demais, e o Marcelo também deve tá felizão da vida — ela riu — E tu é fofoqueira ne?

— Eu sei que você gosta bebê, por isso tô te contando — entrelacei meus dedos nos seus e seguimos caminho.

— Almocinho depois? — perguntei.

— Não fica mais longe, né? — sorriu e eu empurrei de leve sua cara.

— Ah é? Quando você quiser vou falar a mesma coisa, feiosa — fiz drama e ela me abraçou.

— Tô brincando gato, almocinho confirmado.

— Bom trabalho, minha gostosa — dei um beijo na mesma antes de nos separarmos.

— Bom trabalho, amor — deu um sorriso e saiu rindo, eu estava apaixonadasso nessa mulher.

Mavi

Sai chorando da casa dos meus pais com a reação da minha mãe, entrei no carro do Henrique e tapei o rosto com as mãos. Ele me puxou para um abraço e eu solucei no peito dele.

— O que eles falaram?

— Meu pai ficou até feliz com a ideia de ser vô — limpei as lágrimas do meu rosto — Mas minha mãe surtou real, eu sei que ela é brava mas não imaginava que ficasse tanto. Eu tenho 22 anos cara, não tenho 15.

— Certeza que depois ela se acalma e vem falar contigo, princesa — ele tirou as mechas de cabelo do meu rosto — Não esquenta a cabeça.

— Tenho que falar pro pessoal também, e pro resto da família — falei olhando pra ele, que segurou minha mão.

— Tudo no seu tempo, não precisa falar agora.

— Tu é muito tranquilo, menino — falei e ele riu.

— Quero te passar essa tranquilidade — se aproximou e deu um beijo na minha testa, deu partida no carro e me deixou na faculdade.

Perto do meio dia o Thomás me mandou mensagem e já fico imaginando coisa ruim.

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Thomás: Oi, podemos conversar?
Mavi: Oi, to na aula
Thomás: Posso te buscar quando sair?
Mavi: O que quer conversar?
Thomás: Sobre o bebê, vou aí meio dia
Mavi: Tá

Aceitei com um aperto no coração, eu ainda não estava acreditando que engravidei desse cara, botei a mão sobre a barriga e senti meus olhos marejando. O fato de que vou ser mãe era loucura.

Sai da sala pouco antes do meio dia e fui indo lá pra fora, no portão da frente. Vi que havia mensagem do Henrique e nisso ouvi a buzina, entrei no carro e Thomás estava com uma cara pavorosa.

— Tudo bem? — perguntei e vi suor na sua testa, as mãos trêmulas.

— Sim e você? — deu partida.

— To bem, contei hoje pros meus pais — falei olhando pela janela.

— Mavi, você quer mesmo isso? — fechei os olhos assim que ouvi e respirei fundo.

— Quando descobri eu fiquei em negação, mas agora eu quero, já aconteceu e não tem nada a ser feito.

— Tem sim — ele disse e eu franzi a testa — Tem tanto remédio de aborto, Mavi... você não quer ser mãe.

— Para essa porra desse carro — falei — Não to acreditando que você tá querendo que eu aborte uma criança que eu tenho condições de ter, foi a gente que errou Thomás, não esse bebê. E, eu quero ser mãe sim, não preciso de você — falei puta e ele acelerou o carro, passando pelo sinal vermelho e levando buzinadas, até me segurei no banco — THOMÁS?

— Eu não posso ser pai de novo — me olhou e eu vi sua pupila dilatada — E tô me ajeitando com a mãe da Júlia, cara.

— Thomás o que você usou? — falei segurando seu braço e ele continuava em velocidade alta, começou a me dar pânico — Para esse carro agora, Thomás — peguei meu celular pra falar com o Henrique e só ouvi uma buzina alta seguido de um apagão.

...

Abri os olhos devagar e meus pais estavam de pé me olhando com meu irmão do lado, eu estava num quarto de hospital.

— Filha — minha mãe passou a mão no meu rosto e segurou minha mão — Como você tá?

— Com dor, o que aconteceu? — tentei sentar um pouco mas minhas costelas doíam.

— Você sofreu um acidente, filha — meu pai disse.

— Aquele bosta foi preso por dirigir drogado — meu irmão disse e minha mãe apertou o braço dele.

— Preso? — passei a mão na testa.

— Olá Maria Vitória, boa tarde — a enfermeira entrou no quarto com uma prancheta — Está se sentindo bem? Algum desconforto?

— Acho que sim, mas dói aqui — botei a mão onde doía.

— Você fraturou uma costela, dói um pouco ao respirar mas não foi grave — ela checou meus sinais vitais — O médico vai vir conversar com você, tá bem?

— Tá bom — ela saiu — Não acredito que o Tomás usa droga.

— Ele não era bom pra você, Mavi — meu pai disse me olhando com dó — A Nathi tá ali fora com o irmão dela, depois eles vem te ver.

— Olá pessoal, boa tarde! De leve essa fratura na costela mas precisa de uns dias aqui repousando com acompanhamento, certo? — o médico entrou e concordei com tudo que ele disse, ficou uns segundos em silêncio e suspirou fundo, senti meu peito apertar e meu coração acelerar — Mas infelizmente não tenho boas notícias...

— Meu bebê? — perguntei enquanto meus olhos enchiam de lágrimas e ele apertou os lábios.

— Nós fizemos o que era possível, mas o bebê não resistiu — comecei a chorar desesperadamente na hora em que ele disse, meu pai me abraçou enquanto minha mãe segurava minha mão, a dor que eu senti em perder meu filho eu não desejava pra ninguém — Sinto muito, Maria Vitória. Depois eu retorno para ver você, descanse! — ele disse um tempo depois e saiu.

— Meu filho — eu chorava com as mãos na barriga.

— Calma, Mavi, você não tá sozinha meu amor — minha mãe veio me abraçar.

— Queria tirar essa dor de você, minha filhinha — meu pai disse botando meus cabelos para trás. Meu irmão segurou forte minha mão e limpou minhas lágrimas. A porta abriu e vi o Henrique preocupado com a Nathi atrás.

— Ouvi seu choro — ele disse e pareceu logo que entendeu o que aconteceu — O bebê? — eu concordei e ele veio rapidamente me abraçar, meus pais se afastaram pra dar espaço e vi a Nathi abraçando minha mãe. Fechei os olhos e senti as lágrimas incontroláveis descerem.

Era pra serOnde histórias criam vida. Descubra agora